Por Paola Solis
El Inmobiliario
SANTO DOMINGO– O engenheiro, geólogo de minas e analista de questões sísmicas e ambientais, Osiris De León, defendeu ontem a realização de estudos sísmicos em todo o país, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas, e a atualização dos códigos de construção, priorizando a prevenção contra terremotos e tsunamis.
Em sua apresentação ontem na conferência “Navegando em Perigo: Tsunamis, Terremotos e Furacões”, realizada na Biblioteca Nacional Pedro Henríquez Ureña, o especialista discorreu sobre a vulnerabilidade estrutural de edifícios na República Dominicana a um possível terremoto, destacando a necessidade urgente de aplicar critérios de microzonificação sísmica no planejamento urbano.
“Precisamos redesenhar nossas cidades levando em consideração o terreno. Devemos realizar microzonificação sísmica, sabendo em que tipo de solo estamos pisando antes de construir uma escola, um hospital ou uma universidade”, disse o especialista, observando que não basta aplicar normas de projeto estrutural se as condições do subsolo não forem consideradas.
De León explicou como a falta de planejamento geotécnico e o desconhecimento da composição do solo foram fatores-chave em tragédias passadas, como o devastador terremoto que atingiu o Haiti em 2010, causando mais de 300.000 mortes.
“Aquele terremoto não aconteceu apenas no Haiti, aconteceu na ilha de Hispaniola, à qual também pertencemos. A lição deve servir de lição para todos”, afirmou.
O profissional mostrou imagens e gráficos do impacto estrutural do evento sísmico em Porto Príncipe, onde edifícios formalmente projetados e construídos desabaram devido à sua localização em solo argiloso, um tipo de terreno que amplifica as ondas sísmicas.
Ele comparou essas áreas com outras construídas sobre calcário mais rígido e como esse tipo de solo protegia as construções e permitia que elas permanecessem intactas.
Segundo o especialista, as ondas sísmicas comportam-se de maneira diferente dependendo do tipo de solo. Enquanto em solos rígidos, como o calcário, a energia se dissipa rapidamente, em solos moles, como a argila, a energia se acumula em amplitude, o que gera os colapsos estruturais mais graves.
Atenção às construções formais
Osiris de León também alertou sobre a falsa sensação de segurança oferecida por alguns edifícios “formais”. Ele mencionou casos como o do Hotel Montana, construído segundo os padrões americanos no Haiti, que mesmo assim desabou porque foi erguido em solo instável durante o terremoto. “Não foi a engenharia, foi o solo que causou o desabamento”, destacou.
O geólogo defendeu a implementação de estudos sísmicos em todo o país, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas, e a atualização dos códigos de construção, priorizando a prevenção contra terremotos e tsunamis.
A atividade faz parte de uma série de palestras sobre desastres naturais, com o objetivo de fortalecer a preparação para a temporada de furacões de 2025.Também participaram Marcelo Lagos, geógrafo e doutor em ciências ambientais, e Jhon Morales, cientista atmosférico e ambiental da ClimaData Corporation.
Foto: Paola Solis.




