Em fevereiro, as remessas totalizaram aproximadamente US$ 917 milhões, um aumento de 9,7% em comparação com fevereiro de 2024.
SANTO DOMINGO – A entrada de moeda estrangeira continuará a sustentar a relativa estabilidade da taxa de câmbio, afirmou ontem o Banco Central da República Dominicana, observando que, durante os dois primeiros meses de 2025, houve uma depreciação acumulada de 1,9%, impulsionada pela demanda sazonal de moeda estrangeira por parte de empresas que importam mercadorias para repor estoques e pagar fornecedores, bem como pela demanda preventiva de agentes econômicos diante da maior incerteza nos mercados globais.
A agência afirmou que, apesar disso, no final de fevereiro a desvalorização anual do peso dominicano foi menor do que a de países como Argentina, México, Brasil, Uruguai e Paraguai.
O Banco Central da República Dominicana (BCRD) informou que as remessas recebidas nos dois primeiros meses de 2025 atingiram US$ 1.852,6 milhões, representando um aumento de 8,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Especificamente, em fevereiro, as remessas totalizaram aproximadamente US$ 917,0 milhões, um aumento de 9,7% em relação a fevereiro de 2024.
Ele explicou que, apesar da incerteza em torno da economia dos EUA, um dos principais fatores que influenciaram o fluxo de remessas foi o desempenho de vários indicadores econômicos importantes dos EUA durante fevereiro, já que os Estados Unidos representaram 83,6% do fluxo formal de remessas no mês, totalizando aproximadamente US$ 710 milhões. Por um lado, a taxa geral de desemprego nos EUA ficou em 4,1% em fevereiro, uma leve queda em relação aos 4,0% registrados em janeiro, permanecendo próxima aos níveis de pleno emprego.
Ele também destacou o recebimento de remessas por meio de canais formais de outros países em fevereiro, como a Espanha, que recebeu US$ 53,5 milhões, representando 6,3% do total. A Espanha é o segundo maior receptor de remessas da diáspora dominicana no exterior. Haiti, Itália e Suíça também receberam remessas, representando 1,1%, 1,0% e 1,0% do total recebido, respectivamente. Outros países que receberam remessas incluem Canadá e França.
"Esses maiores fluxos de renda externa também contribuem para a manutenção de um nível adequado de reservas internacionais, que atingiram US$ 14.904,6 milhões no final de fevereiro, o equivalente a 11,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e cerca de 5,4 meses de importações, acima dos limites recomendados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).".
A mais recente projeção do Banco Central da República Dominicana (BCRD) para o setor externo do país prevê crescimento positivo nas receitas cambiais até 2025. A receita do turismo deverá atingir aproximadamente US$ 11,4 bilhões, enquanto as remessas deverão chegar a cerca de US$ 10,9 bilhões. As exportações totais são estimadas em aproximadamente US$ 14,8 bilhões, e o investimento estrangeiro direto (IED) deverá ultrapassar US$ 4 bilhões pelo quarto ano consecutivo, atingindo cerca de US$ 4,7 bilhões até o final do ano. Esses fluxos, combinados com outros serviços exportados, deverão gerar receitas cambiais totais superiores a US$ 45,6 bilhões até o final de 2025.
“Essas entradas de moeda estrangeira continuarão a sustentar a relativa estabilidade atual da taxa de câmbio, de modo que, durante os dois primeiros meses de 2025, foi registrada uma depreciação acumulada de 1,9%. Isso foi impulsionado pela demanda sazonal por moeda estrangeira por parte de empresas que importam mercadorias para repor estoques e pagar fornecedores, bem como pela demanda preventiva de agentes econômicos diante do aumento da incerteza nos mercados globais. No entanto, ao final de fevereiro, a depreciação anual do peso dominicano era menor do que a de países como Argentina, México, Brasil, Uruguai e Paraguai”, afirma o comunicado da organização.
Ele acrescentou que fluxos de renda externa mais elevados também contribuem para a manutenção de um nível adequado de reservas internacionais, que atingiram US$ 14.904,6 milhões no final de fevereiro, o equivalente a 11,6% do produto interno bruto (PIB) e cerca de 5,4 meses de importações, acima dos limites recomendados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
A declaração da organização destacou que as remessas enviadas pela diáspora dominicana no exterior são cruciais para o desenvolvimento, pois geram um efeito multiplicador no consumo, investimento e financiamento dos setores mais vulneráveis do país.
Além disso, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor não manufatureiro do Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM) registrou um valor de 53,5 em fevereiro, indicando a expansão do setor de serviços na América do Norte, onde a maioria da diáspora dominicana está empregada. Ademais, essas remessas demonstram que, apesar da complexa situação enfrentada pelos migrantes nos Estados Unidos, os dominicanos conseguiram continuar enviando dinheiro para suas famílias em seu país de origem.
Em relação à distribuição das remessas recebidas por província, a agência indica que o Distrito Nacional recebeu 44,6% em fevereiro, seguido pelas províncias de Santiago e Santo Domingo, com 11,5% e 7,2%, respectivamente. Isso revela que quase dois terços (63,3%) das remessas são recebidas nas áreas metropolitanas do país.
O Banco Central reafirma seu compromisso de monitorar o atual ambiente econômico, a fim de continuar tomando as medidas necessárias para neutralizar o impacto do desafiador cenário internacional sobre a economia dominicana, visando garantir a estabilidade dos preços e do mercado cambial.




