“Colega David, oramos ao Senhor para que você possa habitar com Ele, pois ouvimos dizer que existe um paraíso. Agora, o que imploramos e esperamos é que não haja lugar nele para agiotas, usurários, funcionários vaidosos e mentirosos, porque eles se consideram os melhores, negociantes de influência, de sonhos, que passaram a acreditar que são donos do dinheiro que administram, vindo do povo, pregando caridade e disfarçados de cordeiros enquanto aumentam suas fortunas”, explicam na declaração.
SANTO DOMINGO - No sétimo aniversário da morte do arquiteto David Rodríguez García, o CIC (Comitê Institucional Codiano) apelou à sensibilidade das organizações da sociedade civil para que os apoiem, dada a recusa do Governo em "honrar o pagamento" da dívida a 107 engenheiros contratados, que remonta a 1996.
Rodríguez García era o empreiteiro que cometeu suicídio em setembro de 2015 em um banheiro da então Supervisão de Obras Públicas (OISOE), e que havia ganhado uma loteria para a reforma da escola básica Francisco del Rosario Sánchez em Peralvillo, Monte Plata, sua cidade natal, e contraído dívidas externas com particulares no valor de cerca de seis milhões de pesos, cujos compromissos geraram tanta preocupação que ele decidiu tirar a própria vida.
“No sétimo aniversário da morte do arquiteto David Rodríguez García, que simboliza o sacrifício a que a profissão de engenharia da República Dominicana tem sido submetida, fica evidente que sua morte deve ser atribuída à corrupção e irresponsabilidade dos últimos membros do PLD (Partido da Libertação Dominicana), que contrataram projetos sem verbas suficientes, obrigando engenheiros e arquitetos a financiá-los por conta própria ou a recorrer ao suicídio, como vem acontecendo no país nos últimos 26 anos”, diz o comunicado de imprensa, lido durante uma missa realizada ontem em sua memória na Igreja Dominicana.
O documento afirma que dezenas de profissionais da construção civil optaram por tirar a própria vida ou morreram em decorrência do estresse a que foram submetidos por essas administrações, situação que levou todos os sobreviventes à falência.
“David, desde a sua trágica decisão, que hoje comemoramos há sete anos, nós, que hoje nos lembramos de você, formamos o Comitê Institucional da Codiano CIC para lutar em defesa dos interesses dos profissionais da engenharia, daqueles sem sobrenomes prestigiosos, os desfavorecidos, os comuns; para que casos como o seu não se repitam”, declararam.
Eles apelaram para a parte mais sensível da sociedade dominicana, como as igrejas e a mídia, a respeito da situação iminente que poderia se desenrolar em nosso país, dada a insensibilidade, a injustiça e a recusa do governo e de seus funcionários em honrar o pagamento da dívida aos engenheiros contratantes.
Disseram que se sentiram enganados e que os funcionários do governo atual "tornaram-se burgueses e embriagados pelo poder, esquecendo-se de que os governos não são eternos".

“Colega David, oramos ao Senhor para que você possa habitar com Ele, pois ouvimos dizer que existe um paraíso. Agora, o que imploramos e esperamos é que não haja lugar nele para agiotas, usurários, funcionários vaidosos e mentirosos, porque eles se consideram os melhores, negociantes de influência, de sonhos, que passaram a acreditar que são donos do dinheiro que administram, vindo do povo, pregando caridade e disfarçados de cordeiros enquanto aumentam suas fortunas”, explicam na declaração.
Eles solicitaram que o presidente Luis Abinader Corona ordenasse a seus funcionários que elaborassem um plano sensato para incluir no orçamento nacional o pagamento das dívidas dessas 12 instituições estatais dominicanas a aproximadamente 107 profissionais da construção civil.
O saldo devedor até o momento é de aproximadamente RD$ 385 milhões, resultante de trabalhos e projetos implementados em diferentes comunidades em todo o país, e a quantia está sob a custódia da Diretoria de Reconhecimento de Dívidas do Ministério das Finanças, explicam os demandantes.
“Senhor Presidente, esperamos dois anos para que sua promessa de campanha fosse cumprida. Perdemos nove colegas por causa dessa inconsistência. Queremos receber nossos salários enquanto ainda estamos vivos.”.
Sobre o CIC
O Comitê Institucional Codiano (CIC) é uma organização criada para lutar em defesa dos interesses dos profissionais de engenharia.
É composto por Emiliano Família, Aníbal Rincón, Nelson Núñez, Ovidio Rosario, Félix Miceli, Samuel Peña, Pedro Troncoso, Ana Cristina de los Santos, Elias Pérez, Manuel Reyes, Buenaventura García, Dominica Mojica, Isis Pérez, José Torres, Julio César Nin, Ricardo Mariñez, Anny Nadal, Diógenes Zapata e Martha Aponte.




