Durante muitos anos, a conversa no mercado imobiliário corporativo foi dominada por localização e preço. Mas essa conversa já não basta. Hoje, o verdadeiro risco para muitos ativos imobiliários não é apenas a vacância. É a obsolescência. E essa diferença é enorme.
Porque um edifício pode estar ocupado hoje e ainda assim começar a ficar para trás em relação à forma como os negócios, a tecnologia e a maneira como trabalhamos estão evoluindo.
Tenho observado esse fenômeno começar a se acelerar em diversos mercados internacionais e, lentamente, também na República Dominicana.
Edifícios que eram considerados competitivos há dez ou quinze anos agora começam a enfrentar desafios significativos:
estacionamento insuficiente,
instalações ineficientes,
baixa flexibilidade,
sistemas elétricos limitados,
dificuldades tecnológicas,
altos custos operacionais,
má experiência dos funcionários
e limitações na adaptação a novas formas de trabalho.
O problema é que muitos proprietários ainda pensam que o mercado corporativo funciona da mesma forma que antes.
E não funciona da mesma maneira. As empresas hoje são muito mais exigentes porque também estão evoluindo.
Inteligência artificial.
Automação.
Modelos híbridos.
Pressão por eficiência.
Sustentabilidade.
Experiência do colaborador.
Análise operacional.
Tudo isso está silenciosamente redefinindo quais tipos de ativos permanecerão competitivos nos próximos anos.
Recentemente, conversei com executivos de uma empresa internacional que estavam avaliando diferentes escritórios corporativos. Algo me chamou muito a atenção: em nenhum momento a conversa começou com o tema de acabamentos luxuosos.
A conversa começou com os seguintes tópicos:
– eficiência operacional,
– flexibilidade futura,
– capacidades tecnológicas,
– consumo de energia,
– experiência do funcionário,
– e potencial de crescimento.
Em outras palavras, a conversa não se limita mais ao setor imobiliário. É estratégica. Porque hoje, muitas empresas entendem que um imóvel impacta:
produtividade,
cultura,
retenção de talentos,
custos ocultos,
eficiência operacional
e percepção da marca.
E isso muda completamente a forma como os ativos são avaliados. Aliás, uma das questões mais interessantes que veremos nos próximos anos será a diferença entre:
– edifícios que evoluem,
– e edifícios que permanecem estáticos.
Porque nem todos os ativos envelhecem da mesma forma.
Proprietários que continuam a investir em:
– modernização,
– tecnologia,
– sustentabilidade,
– eficiência energética,
– experiência do usuário,
– e flexibilidade operacional,
É provável que mantenham ativos muito mais competitivos e resilientes, enquanto outros edifícios poderão começar a perder relevância no mercado corporativo. E aqui está algo importante: isso não se aplica apenas a escritórios.
Aplica-se também a:
– edifícios industriais,
– centros logísticos,
– comércio a retalho,
– hotelaria,
– e empreendimentos de uso misto.
Porque o mercado imobiliário moderno já não recompensa apenas a localização. Está a começar a recompensar a adaptabilidade. Nos mercados mais desenvolvidos, esta conversa já é completamente normal. Muitos fundos e investidores institucionais até avaliam o "risco de obsolescência" antes de adquirirem um ativo.
Em outras palavras: quão preparado está um edifício para se manter competitivo daqui a 10 ou 15 anos? E, honestamente, acho que essa discussão está apenas começando na República Dominicana.
Conclusão
Os próximos anos provavelmente dividirão o mercado corporativo em dois tipos de ativos:
Aqueles que evoluem.
E aqueles que ficam para trás.
Porque, nesta nova fase do mercado imobiliário, o verdadeiro valor não estará apenas na metragem quadrada. Estará em possuir ativos capazes de se adaptar ao futuro.
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