Ele alertou, no entanto, que um conflito prolongado poderia pressionar ainda mais os preços internacionais dos combustíveis, especialmente no transporte aéreo
SANTO DOMINGO – Enquanto o conflito no Oriente Médio continua a perturbar o comércio internacional e a aumentar os custos de transporte em várias regiões do mundo, a República Dominicana mantém uma relativa estabilidade nas suas operações logísticas, particularmente no transporte marítimo, graças ao facto de as suas principais rotas comerciais não atravessarem as áreas afetadas pela crise, afirmou a Associação Dominicana de Transitários Aéreos e Marítimos (Adacam).
As declarações foram feitas durante a conferência "A Nova Era da Terceirização Logística: Tendências Globais e Oportunidades para a República Dominicana", organizada pela Adacam, onde representantes do setor analisaram como as tensões geopolíticas estão mudando as cadeias de suprimentos globais e os desafios enfrentados pelo comércio internacional.
O presidente da entidade, Jean Louis de Boyrie, explicou que, embora o conflito tenha provocado aumentos nos custos do transporte internacional, especialmente devido à volatilidade dos combustíveis, o impacto no transporte marítimo de mercadorias com ligação à República Dominicana tem sido limitado.
Segundo ele, essa situação impediu que as variações nas tarifas marítimas gerassem uma série de aumentos nos custos logísticos nacionais ou afetassem significativamente a competitividade das exportações dominicanas.
"Na primeira fase do conflito, o maior impacto foi sentido no transporte aéreo, particularmente na entrega de encomendas e em algumas exportações agrícolas. No transporte marítimo, o aumento foi proporcionalmente baixo", afirmou.
No entanto, ele alertou que um conflito prolongado poderia pressionar ainda mais os preços internacionais dos combustíveis, especialmente no transporte aéreo, onde o combustível representa um dos principais componentes dos custos operacionais.
Transporte aéreo, o segmento mais exposto
De Boyrie explicou que, ao contrário do transporte marítimo, o setor de transporte aéreo é muito mais sensível às flutuações do petróleo, de modo que qualquer aumento nos preços dos combustíveis pode se refletir nos custos de entrega de encomendas, exportações e outros serviços de carga.
Ele também observou que os agentes de carga atuam como intermediários na cadeia logística, portanto, quaisquer ajustes feitos pelas companhias de navegação ou aéreas acabam sendo repassados aos clientes finais.
Zonas de livre comércio mantêm a competitividade
Também participou da reunião o diretor executivo do Conselho Nacional de Zonas Francas de Exportação (CNZFE), Johannes Kelner, que concordou que os custos do transporte marítimo têm apresentado um comportamento instável nos últimos meses, embora sem comprometer a competitividade do setor exportador.
Ele explicou que, após registrarem níveis elevados meses atrás, as taxas de frete começaram a se estabilizar.
Kelner salientou que, nas zonas de livre comércio, a indústria têxtil continua a ser uma das atividades mais expostas a qualquer aumento do custo do transporte marítimo, devido ao volume de mercadorias que movimenta em contentores.
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