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Ancoragem profunda: por que os investimentos que resistem à volatilidade são aqueles que se comprometem com a base

SANTO DOMINGO – O Fórum de Investimentos das Américas (AIF) 2026, realizado de 1 a 3 de julho em Santo Domingo, sob a organização da ProDominicana e da Associação Mundial de Agências de Promoção de Investimentos (WAIPA), apresentou um número que domina as manchetes: mais de US$ 4.151,3 milhões em intenções de investimento para a região, dos quais 90% são direcionados a projetos na República Dominicana.

No mesmo cenário, Frank Elías Rainieri, presidente e CEO do Grupo Puntacana, anunciou uma carteira de investimentos de cerca de US$ 1 bilhão em destinos como Punta Cana, Miches, Uvero Alto, Punta Bergantín e Pedernales.

São anúncios que, à primeira vista, parecem todos iguais. Mas, na engenharia de fundações, nem todas as estruturas são ancoradas da mesma maneira, e essa diferença técnica também explica por que alguns investimentos sustentam uma economia enquanto outros a abandonam ao primeiro tremor.

Quando o solo superficial oferece capacidade de suporte suficiente, ou quando a carga da estrutura o exige, os engenheiros recorrem a fundações profundas: estacas ou tubulões que atravessam as camadas instáveis ​​até atingirem um estrato firme, transferindo o peso do edifício para uma profundidade onde o movimento sísmico ou a vibração da superfície deixam de comprometer a estabilidade.

Uma fundação rasa, por outro lado, distribui a carga perto da superfície e depende da estabilidade do solo; em caso de terremoto ou recalque diferencial, é a primeira a falhar.

O desenvolvimento de novos projetos reflete como o investimento estrangeiro se traduz em infraestrutura, emprego e crescimento econômico. (Fonte: Pexels).

Esse mesmo princípio explica os dados que, para o setor imobiliário e da construção civil, importam mais do que o valor total em si: a proporção do investimento estrangeiro direto que é reinvestida em vez de repatriada.

Segundo dados apresentados no âmbito do 40º aniversário da Associação Dominicana de Empresas de Investimento Estrangeiro (Asiex), 68,1% dos US$ 1.536,7 milhões captados no primeiro trimestre de 2026 corresponderam ao reinvestimento de lucros.

O presidente da Asiex, Alejandro Peña Prieto, afirmou que quando um investidor reinveste seus lucros em vez de retirá-los, ele está declarando um compromisso com a sustentabilidade a longo prazo do crescimento dominicano, um compromisso que transcende a lucratividade imediata.

Esse capital reinvestido é, em termos estruturais, a estaca que atinge a camada firme, enquanto o capital que entra apenas para buscar um retorno rápido e sai ao primeiro sinal de instabilidade comporta-se como a fundação rasa: útil enquanto o terreno se mantém firme, vulnerável assim que treme.

A construção civil continua sendo um dos principais destinos do investimento estrangeiro comprometido com o desenvolvimento da República Dominicana. (Fonte: Pexels).

Além disso, o cenário internacional não permaneceu estático. Ernesto Revilla, economista-chefe para a América Latina do Citigroup, destacou que a região se beneficiou de uma reestruturação das cadeias de suprimentos globais e que os investidores buscam se proteger da volatilidade global em mercados como o Caribe e a América Central.

Ao mesmo tempo, os economistas Bernardo Fuentes e Richard Medina alertaram que o país não está isento das pressões cambiais decorrentes do conflito no Oriente Médio e das decisões do Federal Reserve, embora concordem que as reservas internacionais acumuladas pelo Banco Central lhe conferem margem para amortecer episódios de instabilidade, o equivalente institucional a um amortecedor sísmico.

Para o incorporador ou investidor imobiliário que acompanha de perto os anúncios do AIF 2026, a leitura prática é clara: o número total de intenções de investimento mede o interesse, mas a proporção que decide se consolidar por meio de reinvestimento, expansão de operações ou compromissos de médio prazo, como os que o Grupo Puntacana distribuiu entre diversos polos turísticos do país, mede a resiliência real do projeto diante do próximo choque do cenário internacional.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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