O HomeReal Estate MarketGroup adquire a RE/MAX Global e aposta na inteligência artificial.

O grupo que está adquirindo a RE/MAX global aposta na inteligência artificial

A aquisição de 880 milhões de dólares representa uma das movimentações corporativas mais significativas no setor imobiliário nos últimos anos e reflete como a tecnologia está começando a redefinir o mercado imobiliário global

SANTO DOMINGO– Por mais de cinco décadas, a RE/MAX construiu uma das maiores redes de franquias imobiliárias do mundo, baseada em um modelo de escritórios físicos, agentes independentes e presença local. Agora, essa história entra em uma nova fase: a empresa será adquirida pela The Real Brokerage por US$ 880 milhões, uma transação que vai além de uma simples mudança de propriedade e reflete a transformação tecnológica em curso no mercado imobiliário internacional.

A transação criará o Real REMAX Group, um conglomerado com operações em mais de 120 países, cerca de 180.000 agentes imobiliários, aproximadamente 8.500 franquias e projeções de receita próximas a US$ 2,3 bilhões anuais, de acordo com informações divulgadas pela própria empresa e pela mídia especializada.

Em vez de simplesmente adicionar escritórios, o objetivo é integrar uma rede imobiliária consolidada com plataformas digitais, automação e inteligência artificial desenvolvidas pela The Real Brokerage, uma empresa americana listada na Nasdaq cujo crescimento nos últimos anos foi impulsionado precisamente pela inovação tecnológica.

O setor imobiliário muda de proprietário e de modelo

A transação representa uma das maiores movimentações corporativas recentes no setor imobiliário global.

Enquanto a RE/MAX consolidou por décadas um modelo baseado em franquias e presença territorial, a The Real Brokerage nasceu com uma abordagem diferente: menos infraestrutura física e uma plataforma digital projetada para facilitar o trabalho dos agentes por meio de ferramentas de automação, análise de dados e inteligência artificial.

Conforme explicado pelo The Wall Street Journal, a integração busca alavancar a força comercial da RE/MAX com as soluções tecnológicas desenvolvidas pela Real para melhorar a produtividade dos consultores, otimizar processos e reduzir custos operacionais.

A nova empresa estima que irá gerar sinergias de cerca de US$ 30 milhões anualmente a partir de 2027, graças à integração tecnológica e administrativa.

A inteligência artificial entra no centro dos negócios

A compra ocorre em um momento complexo para o mercado imobiliário dos EUA.

O aumento das taxas de juros, a desaceleração das vendas e a pressão sobre as tarifas obrigaram muitas empresas do setor a repensar seus modelos de negócios.

Nesse contexto, a tecnologia deixou de ser um complemento e tornou-se um elemento estratégico.

A Real Brokerage desenvolveu ferramentas baseadas em IA para auxiliar os agentes na gestão de clientes, automação de processos, produtividade e operações comerciais, funcionalidades que agora podem ser progressivamente estendidas à rede global RE/MAX.

Conforme noticiado pelo Mundo Poder, a operação confirma uma tendência que já começava a ser observada no setor: o futuro das grandes redes imobiliárias dependerá tanto de sua capacidade tecnológica quanto de seu tamanho.

Miami substitui Denver como centro de tomada de decisões

Outra das mudanças mais significativas será a mudança da sede corporativa.

O novo grupo estabelecerá seu centro de operações em Miami, enquanto Denver, cidade onde a RE/MAX foi fundada em 1973, continuará a desempenhar funções operacionais.

A nova holding será liderada por Tamir Poleg, atual CEO da The Real Brokerage, que ficará responsável pela integração entre as duas empresas, o Yahoo.

Por sua vez, Dave Liniger, cofundador e uma das figuras mais emblemáticas da história da RE/MAX, expressou publicamente seu apoio à transação.

O que muda para a América Latina?

Embora a operação tenha alcance global, as franquias latino-americanas continuarão a operar sob o mesmo esquema.

Tanto a RE/MAX Argentina quanto a RE/MAX Uruguai informaram que não haverá mudanças imediatas nas operações dos escritórios, no modelo de franquia ou na identidade da marca.

"A curto e médio prazo, absolutamente nada muda", disse Sebastián Sosa, presidente e cofundador da RE/MAX Argentina e Uruguai, explicando que as franquias regionais operam por meio de contratos independentes, segundo o jornal El Clarín.

Na Argentina, a rede ultrapassa 180 escritórios e reúne cerca de 7.400 agentes imobiliários, enquanto no Uruguai mantém um processo contínuo de expansão territorial, com presença em diversos departamentos do país.

No entanto, Sosa considerou que a incorporação de uma empresa de tecnologia poderia se traduzir em maiores oportunidades de inovação para as franquias regionais a médio prazo.

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Luisa Saldaña
Luisa Saldaña
Jornalista com experiência em mídia digital e impressa. Estudante de Direito com interesse em desenvolvimento econômico e questões que conectam negócios, cidade e sociedade. Para mim, escrever é uma forma de investigar e compreender o mundo ao nosso redor.
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