SANTO DOMINGO – O projeto de lei sobre aluguéis e despejosdespertou o interesse do setor jurídico dominicano, particularmente daqueles especializados em direito imobiliário. Embora reconheçam o objetivo de modernizar o sistema de locação na República Dominicana, os advogados Israel López e Luz Del Alba Rodríguez concordam que o projeto ainda precisa de melhorias substanciais antes de se tornar lei.
Para López, a legislação proposta representa um passo positivo. “De modo geral, considero este projeto de lei um avanço em nossa legislação para o mercado de imóveis para locação na República Dominicana”, afirmou o advogado, que valorizou o fato de a iniciativa buscar “eliminar a burocracia, os litígios frívolos e as demoras judiciais” que afetam tanto proprietários quanto inquilinos.
Por sua vez, Rodríguez, que também é agrimensor, vê com preocupação diversas disposições. Por exemplo, em relação às penas criminais de 3 a 5 anos de prisão para proprietários que despejam sem esgotar os recursos legais, ela opinou que "a pena é excessiva".
Segundo a profissional, essa é uma medida desproporcional. “Não se trata de um ato violento ou agressão física; estamos falando de omissões processuais, ações tomadas por desespero”, afirmou, alertando que nenhuma punição está prevista para os inquilinos que não entregarem o imóvel.
López, por outro lado, considerou que essas penalidades não são novas e têm fundamento: “Isso não é algo novo, é algo que foi imposto por lei desde 2019. E isso significa que ninguém tem autoridade para fazer justiça com as próprias mãos”, declarou.
Outro ponto de discórdia é o tratamento dado pela lei aos corretores de imóveis. López defendeu o artigo que estipula que a comissão de corretagem deve ser paga pela parte que contrata o corretor: “Acho justo… quem precisa é quem contrata”. Rodríguez, por outro lado, lamentou que o projeto de lei diminua o papel do corretor: “Perdeu-se uma grande oportunidade de regulamentar seu papel, sua formação e sua remuneração. O corretor de imóveis é um elo fundamental no processo legal de locação”.
Eles também expressaram opiniões divergentes sobre a criação de um tribunal especial para questões de aluguel. López acolheu bem a proposta: “Acho fantástico… Espero que este projeto seja aprovado para que a confusão e as demoras nesses processos finalmente terminem”. Por outro lado, Rodríguez rejeitou-a enfaticamente: “Discordo. As demoras processuais não se combatem com mais estruturas, mas sim com um verdadeiro fortalecimento do sistema existente”.
O projeto de lei continua seu processo legislativo no Congresso Nacional, em meio a discussões técnicas e jurídicas que destacam a necessidade de uma legislação mais clara, justa e funcional para o atual mercado de locação na República Dominicana.




