Obras rodoviárias começam : acidentes de trânsito ameaçam a reputação do país.

Os acidentes de trânsito ameaçam a reputação do país

"Se conseguir transformar suas estradas em espaços seguros, o país não só salvará milhares de vidas, como também fortalecerá a confiança de quem o visita e de quem decide investir nele.".

SANTO DOMINGO.- De acordo com a Statista, empresa alemã especializada em estatísticas de mercado, estudos de consumo e relatórios setoriais que cita dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a República Dominicana ocupa o segundo lugar no ranking dos países mais perigosos da América Latina para se viajar, atrás apenas do Haiti, com um registro de 27,4 mortes por 100 mil habitantes.

Além do problema de saúde pública que representa, a insegurança nas estradas compromete a reputação internacional do país, num momento em que o turismo e o investimento estrangeiro são pilares da economia.

O estudo da Statista, publicado este ano, revela uma grave crise de segurança rodoviária e aponta que a República Dominicana está numa encruzilhada: reduzir a epidemia de acidentes de trânsito para diminuir as mortes e os elevados custos daí resultantes, e ao mesmo tempo elaborar uma estratégia para proteger a sua imagem e competitividade internacional.

A Statista indica que a redução das mortes no trânsito não é apenas um imperativo de saúde pública, mas também deve salvaguardar a reputação internacional.

Entre fevereiro e julho de 2025, ocorreram 4 acidentes graves envolvendo turistas, com 12 mortos e mais de 50.

Principais acidentes envolvendo turistas em 2025

Data/EventoTipo de incidenteVeículo envolvidoOs afetados
17 de abril de 2025 – El SeiboRolamentoÔnibus turístico4 ferimentos leves
1º de julho de 2025 – Rodovia CoralColisão com uma caminhoneteÔnibus com turistas2 mortos, 5 feridos
21 de julho de 2025 – Jamão al NorteRolamento na área de trilhasÔnibus turísticos/excursionistas6 mortos, +40 feridos
3 de fevereiro de 2025 – Punta CanaColisão com uma barcaçaÔnibus turísticoFeridos (número não confirmado)

Estradas, crise e reputação.

O turismo é uma das forças motrizes da economia da República Dominicana e baseia-se numa narrativa de marketing de segurança e hospitalidade, que contrasta com as estatísticas alarmantes.

Num mundo em que a reputação de um destino é medida não apenas pelas suas praias ou infraestrutura hoteleira, mas também pelos seus índices de segurança, cada acidente não é apenas uma tragédia pessoal: é um golpe para a credibilidade do país, uma vez que relatórios internacionais, como os da Statista, aparecem em pesquisas online por informações sobre o país e são lidos por organizações, investidores e potenciais visitantes.


Segundo estimativas do Provedor de Justiça e do Instituto Nacional de Trânsito e Transporte Terrestre (INTRANT), cerca de 3.000 pessoas morrem anualmente em acidentes rodoviários no país, com um padrão que afeta principalmente motociclistas e jovens com menos de 35 anos de idade.

O custo humano é incalculável, mas também existem consequências econômicas e sociais: perda de produtividade, um sistema hospitalar sobrecarregado e altos gastos com saúde pública. O Serviço Nacional de Saúde informou que, em 2023, 121.850 pessoas foram tratadas por lesões sofridas em acidentes de trânsito, a um custo total superior a RD$130 bilhões, aproximadamente 2,2% do PIB.


A elevada taxa de acidentes lança uma sombra que contradiz a "destino seguro" promovida pelo setor turístico. Segundo especialistas, os números projetam o país como um território de risco para a mobilidade, em comparação com os mercados internacionais, onde esse indicador é cada vez mais valorizado por turistas e investidores.

Todos nós temos nossa parcela de culpa.

Há diversos fatores que são frequentemente citados como a raiz do problema; dois apontam para os motoristas e os outros dois para as instituições estatais.


– Falta de educação em segurança rodoviária, especialmente entre os motociclistas, que representam mais de dois terços das fatalidades.

– Violações recorrentes das normas de trânsito, especialmente excesso de velocidade e condução sob o efeito do álcool.

– Fragilidade institucional na supervisão, com poucos controles eficazes.


– Infraestrutura deficiente, desde sinalização inexistente até travessias de pedestres inseguras.

O Pacto Nacional para a Segurança Viária, promovido pela Presidência com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), busca reverter essa tendência com um plano que inclui penalidades mais severas, campanhas de conscientização, instalação de radares de velocidade e um sistema de pontos para carteiras de habilitação, com o objetivo de reduzir as mortes em 15% ao ano até 2030.

Com uma média de 217 acidentes por dia, que impactam diretamente a segurança pública e sobrecarregam os serviços de emergência e médicos, os analistas aplaudem as iniciativas do Pacto Nacional, mas concordam que o verdadeiro desafio é cultural: mudar a percepção de que as regras de trânsito são opcionais e criar uma consciência coletiva do valor da vida nas estradas.

“O que precisamos neste país é de uma mudança cultural, na forma como todos os motoristas e pedestres se comportam e, no caso dos mototaxistas, eles devem passar por um processo completo de educação em segurança viária. É a maneira mais convincente e eficaz de alcançar a mudança”, disse Mario Holguín, especialista em segurança viária, em entrevista à televisão.


A implementação do Pacto Nacional para a Segurança Rodoviária, o fortalecimento institucional, a participação cidadã e as medidas estruturais oferecem uma réstia de esperança, e a chave para mudar essa realidade reside na verdadeira coordenação entre o Estado, a sociedade civil e o setor privado, para transformar a imprudência em responsabilidade rodoviária.

“Se o país conseguir transformar suas estradas em espaços seguros, não só salvará milhares de vidas, como também fortalecerá a confiança de quem o visita e de quem decide investir nele”, conclui o relatório.

A Statista, Inc. é uma empresa alemã fundada em 2007, com escritórios em Hamburgo (sede), Nova Iorque, Londres, Paris, Tóquio e outros centros globais. Sua plataforma online oferece dados de mais de 22.500 fontes e é utilizada por universidades, veículos de comunicação, empresas de consultoria e negócios em todo o mundo.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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