SANTO DOMINGO- No processo preparado pelo Ministério Público referente à chamada Operação Camaleão, relativa ao contrato da rede de semáforos de Santo Domingo, alega-se que o principal suspeito, José Ángel Gómez Canaán (Jochi Gómez), introduziu no país equipamentos de espionagem durante as eleições em meio à pandemia de COVID-19, além de mercadorias ilícitas de alta tecnologia.
"A análise das provas recolhidas determinou que o acusado Jochi Gómez introduziu no território da República Dominicana bens tecnológicos de elevado valor económico e estratégico — incluindo veículos aéreos não tripulados (drones), plataformas de aterragem, estabilizadores de câmara (dispositivos para estabilizar câmaras), software de servidor especializado — sem cumprir os procedimentos aduaneiros e fiscais exigidos por lei, constituindo os crimes de contrabando e comércio ilícito", afirma o documento.
A investigação realizada pela Procuradoria Especializada em Combate à Corrupção Administrativa (Pepca) também indica que as ações ilegais foram realizadas para sabotar o sistema de semáforos da Grande Santo Domingo, com o objetivo de pressionar e desestabilizar o Estado dominicano após o início das investigações e auditorias contra os acusados.
O processo formal de denúncia revela que, entre março e agosto de 2024, a empresa Transcore Latam, SRL, acusada de sabotar a rede de semáforos de Santo Domingo, realizou noturnas e não autorizadas de novos reguladores de semáforos em diferentes pontos da Grande Santo Domingo, com o objetivo de se apropriar do sistema.
Segundo o Ministério Público, essas tarefas foram realizadas sob as ordens dos acusados (Jochi Gómez), Pedro Vinicio Padovani Báez e Carlos José Peguero Vargas, que supostamente dirigiram o trabalho fora do horário normal, sem a supervisão ou aprovação da Intrant.
Simultaneamente, o documento afirma que as fechaduras e as caixas de controle foram modificadas , impedindo que o pessoal da Intrant acessasse os nós principais.
"Essa ação significou o sequestro operacional da rede de semáforos da Grande Santo Domingo, que passou a depender exclusivamente do centro de controle da Transcore Latam, localizado sob o controle direto dos réus, tudo isso como retaliação pela suspensão do contrato pela Diretoria de Licitações e Intrantes", explicou ele.
Os defeitos
As novas tecnologias introduzidas de forma irregular impediram que os técnicos da Intrant reprogramassem, monitorassem ou controlassem remotamente o funcionamento dos dispositivos de tráfego, afetando a capacidade institucional de manter o fluxo de veículos e a segurança rodoviária.
O contrato suspenso com a empresa Transcore Latam devido a irregularidades no processo de licitação totalizava mais de 1,3 bilhão de pesos.
Após a suspensão, em 2024, o sistema de semáforos da Grande Santo Domingo apresentou falhas em diversas ocasiões, causando caos em várias avenidas. As autoridades culparam Gómez Canaán, que possuía diversos contratos com o governo, incluindo um para a emissão de carteiras de habilitação por meio da Dekolor.
Hugo Veras, aliado fundamental
A acusação formal contra os envolvidos na Operação Camaleão concluiu que Hugo Beras Goico, ex-diretor executivo da Intrant, "é o principal facilitador da corrupção na gestão da rede de semáforos e do sistema de videovigilância" e que "facilitou a concessão fraudulenta de subsídios a empresas sem capacidade técnica".
Segundo o processo apresentado pela Procuradoria Especializada em Combate à Corrupção Administrativa (Pepca), Hugo Beras, enquanto principal autoridade da Intrant entre agosto de 2022 e novembro de 2023, "foi fundamental na integração de novas autoridades ao projeto manipulado e facilitou a participação de empresas de fachada que desviaram recursos do Estado".
Ele é acusado de ser coautor dos crimes de associação criminosa, fraude contra o Estado, falsidade ideológica, coligação de funcionários, entre outros.
O caso também inclui três novos réus: Manuel Eduardo Mora, gerente geral da Pago RD Exchange, Mariano Gustini e Henry Darío Féliz Casso.
Além de Beras, Gómez, Mora Gustini e Féliz, Pedro Vinicio Padovani Centro de Controle de Tráfego Intrant; Samuel Gregorio Baquero Sepúlveda, ex-diretor de Tecnologia; Frank Díaz Warden, ex-Coordenador de Despacho e representante de Beras no Comitê de Compras; Juan Francisco Álvarez Carbuccia, diretor administrativo e financeiro; e Carlos José Peguero Vargas enfrentam acusações.
Com informações do Diario Libre.




