SANTO DOMINGO- Luis Carvajal, porta-vozda Coalizão para a Defesa das Áreas Protegidas, denunciou ontem, segunda-feira, que o terreno onde está previsto o desenvolvimento do complexo hoteleiro Bucanyé, em Pedernales, foi subavaliado a um preço de US$ 0,50 por metro quadrado.
Segundo dados divulgados no programa "El Día" da Telesistema, o preço por metro quadrado nessa área geográfica do Sul é de, em média, US$ 37 por metro quadrado.
Ele explicou que a transação abrangeria pelo menos 14 milhões de metros quadrados a um preço de 0,50 centavos de dólar, o que representaria uma grande quantia de dinheiro que o Estado Dominicano deixaria de receber.
"Ao multiplicar a diferença por 14 milhões e depois por 54, percebe-se a enorme quantia que uma pessoa pode apropriar-se numa simples operação irregular, semelhante à da máfia, como alguns diriam. São roubos significativos que estão a empobrecer a sociedade dominicana", afirmou Carvajal.
Ele também afirmou que transações imobiliárias desse tipo devem ser investigadas para verificar se os impostos foram pagos e se estão em conformidade com as leis do país.
"O importante é respeitar a natureza pública, a integridade ambiental, o caráter democrático, e o fundamental é que qualquer pessoa que viole o procedimento ambiental deve ser punida e levada à justiça", declarou ele.
Ele argumentou que o desenvolvimento não se trata de apropriação e que a infraestrutura pode ser construída na área, mas fora das áreas protegidas.
Ele não se opõe ao desenvolvimento do turismo
Carvajal afirmou que, como todas as áreas protegidas, a zona onde o complexo está planejado não pode ser privatizada. Ele acredita que é uma área que pode ser incorporada ao desenvolvimento turístico da região, mas sem expropriar terras estatais.
"O que interessa à coligação é que o sistema judicial dominicano investigue a fundo por que um indivíduo privado pode, de repente, aparecer com um título num espaço público onde a Constituição e duas leis afirmam especificamente que isso não pode acontecer... e se a Constituição diz isso, não há nada a discutir", acrescentou.
Ele afirmou que a "máfia" da distribuição de terras estatais tem sido passada de governo para governo e que o Ministro do Meio Ambiente não pode alegar desconhecimento porque visitou a área com o Grupo Jaragua, portanto não pode alegar desconhecimento, "além disso, desconhecimento não é argumento perante a lei".
Ele acrescentou que há bastante terreno disponível para hotéis e que um dos critérios que deve prevalecer na construção é não afetar áreas protegidas.
"Ninguém pode cercar uma área protegida; isso só acontece em um país sem governança adequada. O sistema judiciário deve investigar minuciosamente como uma entidade privada pode reivindicar a propriedade de uma área protegida", afirmou o defensor do meio ambiente.




