Ele anunciou a criação de um departamento para a supervisão especializada do mercado fiduciário.
SANTO DOMINGO– Na República Dominicana, existem 1.200 fundos fiduciários com ativos superiores a RD$ 311 bilhões, informou ontem o Superintendente de Bancos, Alejandro Fernández W., que considerou que "o setor fiduciário deve operar em conformidade com as melhores práticas de governança e transparência".
Em seu discurso na abertura do XXXII Congresso Latino-Americano de Fundos Fiduciários (COLAFI), realizado no país, o representante afirmou que "o setor fiduciário deve operar em conformidade com as melhores práticas de governança e transparência, aspectos de suma importância para a administração de fundos fiduciários".
Fernández W. anunciou a criação de um departamento para a supervisão especializada do mercado fiduciário. "Este projeto beneficiou-se de assessoria de alto nível, principalmente do apoio de especialistas colombianos com vasta experiência no setor, especialmente no que diz respeito à implementação do modelo de supervisão baseado em risco", explicou.
Ele acrescentou que a agência possui recursos suficientes, incluindo: treinamento de pessoal, emissão de diretrizes de supervisão, um manual de contabilidade fiduciária, requisitos de informação periódica, programas de supervisão e o desenvolvimento de uma plataforma de informações para análise interna e pública.
Ele afirmou que, das 29 empresas fiduciárias constituídas e registradas na Direção-Geral de Impostos Internos (DGII), quatro são supervisionadas pela Superintendência por serem subsidiárias de grupos bancários, excluindo uma associação de poupança e empréstimo que também presta serviços fiduciários.
Fernández W. observou que, em seus primeiros 12 anos de existência, o setor fiduciário "teve um impacto significativo no mercado de ações, no sistema financeiro e na economia real".
Ele informou que, no caso de fundos de investimento, a Superintendência do Mercado de Valores Mobiliários (SIMV) registrou doze Sociedades Gestoras de Fundos de Investimento (SAFI) que administravam 67 fundos, com um patrimônio líquido de 183.726 milhões de pesos.
Ele explicou que, em 31 de outubro, esses fundos contavam com 36.943 contribuintes, de acordo com os relatórios da SIMV.
Além disso, existem sete fundos de investimento oferecidos publicamente, divididos em três de renda fixa e quatro de renda variável. "Isso inclui o fundo RD Vial, com 24,6 milhões de pesos em circulação.".
Ele destacou a existência de um quadro regulatório, incluindo a Lei de Fundos Fiduciários Públicos, que contribuiu para o desenvolvimento do mercado de capitais, uma vez que regulamentou fundos de investimento, fundos fiduciários oferecidos publicamente e securitizações.
O Superintendente referiu-se ao compromisso com a integridade e a responsabilidade que recai sobre os curadores, especialmente na gestão dos projetos e recursos sob seus cuidados. "Esses valores impactam significativamente os riscos associados a essa função, sendo o risco reputacional particularmente importante. Da mesma forma, é crucial que haja comunicação adequada entre as partes ao estabelecer um fundo fiduciário, para que compreendam a estrutura e seu funcionamento, e avaliem corretamente os riscos inerentes", enfatizou Fernández W.
Ele afirmou que a Superintendência está trabalhando para trazer maior clareza aos aspectos normativos e regulamentares, acompanhando-os na implementação de novas ferramentas tecnológicas que permitam a correta administração dos ativos.
Eles avaliam o potencial para impulsionar os setores produtivos e promover o desenvolvimento econômico
Os fundos fiduciários são um instrumento ideal para promover setores produtivos e fornecer soluções destinadas a incentivar o crescimento econômico na República Dominicana e em outros países da América Latina, concordaram autoridades estatais e representantes do setor bancário local e regional, reunidos no encontro.
O evento é organizado pela Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA) e pela Federação Bancária Latino-Americana, cujos representantes refletiram sobre o papel que os trusts podem desempenhar como motor de desenvolvimento, aproveitando as novas tendências de negócios para esse fim.
Rosanna Ruiz, presidente da ABA, expressou que a intenção é unir forças entre bancos, instituições fiduciárias, empresas de tecnologia financeira e outros agentes econômicos para aproveitar o potencial que essa figura jurídica representa para a República Dominicana e outros países com recursos limitados para financiar infraestrutura e incentivar setores como turismo, agricultura e micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

Enquanto isso, Giorgio Trettenero, Secretário-Geral da FELABAN, enfatizou a necessidade de maior integração regional. Ele especificou que a renda per capita na região cresceu apenas 0,18% entre 2014 e 2022, o que "é insuficiente para enfrentar os desafios da desigualdade de renda, da pobreza e da vulnerabilidade que a grande maioria da população enfrenta. Sem crescimento econômico, sem renda, será difícil estimular a criação de novos negócios, gerar empregos e melhorar o bem-estar da população", afirmou.




