A República Dominicana possui força suficiente para responder com sucesso a fatores adversos na economia global, e um dos aspectos-chave para isso é a robustez do sistema financeiro nacional, afirmou Joel González, chefe do Departamento de Política Monetária do Banco Central.
Durante uma apresentação no XVIII Congresso Internacional de Finanças e Auditoria (CIFA) e no XXIII Seminário Latino-Americano de Contabilistas e Auditores (SELATCA), organizado pela Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA) e pela BDO Business School, González identificou, entre as fontes de incerteza, além das questões geopolíticas, o endurecimento das medidas comerciais e de imigração e o novo pacote fiscal promovido pelo governo de Donald Trump.
Nesse contexto, ele projetou uma perspectiva local positiva em termos de resiliência aos riscos e impactos negativos que já levaram a uma revisão em baixa das projeções de crescimento. No entanto, destacou as ações do Banco Central para mitigar esses efeitos, como medidas para estabilizar a taxa de câmbio e a liberação de RD$ 81 bilhões para estimular o crédito em setores produtivos-chave.
O economista destacou a solidez do sistema financeiro nacional, que descreveu como "rentável, com baixas taxas de inadimplência e níveis de solvência acima do mínimo regulamentar". Em sua opinião, essa solidez representa um suporte fundamental para a manutenção da estabilidade econômica e para o direcionamento de recursos para investimentos e consumo.
Diante desse cenário, ele explicou que o país possui fundamentos macroeconômicos sólidos e uma economia diversificada que lhe permitirá não apenas resistir a choques. "O que se pode esperar para o restante do ano são condições econômicas muito mais favoráveis e que (...) esse dinamismo previsto poderá até mesmo acelerar significativamente, tanto no lado do crédito quanto no lado da demanda interna", afirmou.
Desafios para a implementação da marcação a mercado
Em uma apresentação magistral, Yamileh García de Kuhnert, diretora executiva da Primma Advisors, destacou os benefícios, desafios e obstáculos para a implementação da avaliação a mercado (Mark to Market), levando em consideração a situação atual.
O especialista indicou que a importância da marcação a mercado reside não apenas na obrigação de transparência, mas também como uma ferramenta de gestão, em virtude da acessibilidade a dados de mercado precisos e atualizados, com uma visão holística e unificada entre intermediários financeiros, de valores mobiliários e de previdência.
García insistiu que, nesta questão de grande relevância, os reguladores, supervisores e entidades reguladas promovam os ajustes necessários que resultarão em maior liquidez de mercado, avaliação unificada de preços e mitigação dos riscos inerentes em um ambiente volátil e incerto.
Em seguida, o Congresso CIFA-SELATCA 2025 foi encerrado com palavras de agradecimento da presidente da ABA, Rosanna Ruiz, e com o relatório das apresentações, feito por Gustavo Ortega, da BDO Business School.
Durante quatro dias, cerca de 250 profissionais de diversas áreas reuniram-se no Live Aqua Beach Resort, localizado em Uvero Alto, província de La Altagracia, onde também abordaram aspectos regulatórios e normativos, inovação e outros temas relacionados a finanças e auditoria.




