“Devemos estar em alerta, pois a Maersk, a segunda maior empresa de transporte marítimo, anunciará a suspensão de seus serviços nos portos russos, uma ação que enfraqueceria ainda mais a cadeia de suprimentos global, gerando atrasos significativos em projetos de construção em andamento e aumentando seus custos”, declarou o presidente da ACOPROVI.
SANTO DOMINGO – Apesar da situação especial enfrentada pelo setor da construção civil devido à guerra na Ucrânia, o presidente Luis Abinader, em seu discurso na última segunda-feira, não anunciou nenhuma medida de alívio que impacte diretamente esse setor, que já sofreu aumentos de preços devido ao conflito que mantém a economia mundial em estado de incerteza.
“Fiquei com expectativas; não notei nada que favorecesse diretamente a construção, exceto a questão do combustível”, disse Jochimin Pérez Iglesias, da Constructora Jprez SRL.
Na semana passada, o preço de um fardo de aço aumentou em três mil pesos no mercado local, devido à guerra na Ucrânia, de onde o país importa mais de 30% de seu ferro e aço fundido.
“Mais medidas eram necessárias; acho que o setor da construção deveria ter sido impactado de forma mais direta”, declarou Rafael Durán, da Inversiones SBDS; embora compreenda que o congelamento do preço dos combustíveis manterá o transporte de materiais e equipamentos estável.
No entanto, ele esclarece que, em relação ao preço do aço, essas medidas não impedirão sua alta, uma vez que este não depende do mercado nacional.
Em relação aos preços das casas, o representante da SBDS explicou que eles sempre subirão quando os custos dos materiais aumentarem, porque quando as construtoras calculam os custos reais, elas precisam ajustá-los para manter suas margens de lucro iniciais. "Não estamos falando de preços abusivos porque algo subiu", esclareceu ele, "mas sim de repassar o impacto do aumento real do custo, que o cliente obviamente tem que pagar, porque é ele quem se beneficia desse valor agregado.".
Landy Colón, presidente da Associação Cibao de Incorporadoras e Construtoras (Aprocovici), afirmou que as medidas anunciadas pelo presidente são apenas promessas políticas e reconheceu a situação vulnerável em que o setor da construção civil se encontra atualmente, devido ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia
A ACOPROVI afirma que se trata de uma situação especial
Jorge Montalvo, presidente da Associação de Construtores de Habitações (ACOPROVI), compreende que os desafios internacionais decorrentes das disputas entre a Rússia e a Ucrânia impactam o mundo inteiro, e a República Dominicana não é exceção.
“Levando em consideração que nosso país importa 36,5% do ferro e aço fundido que consumimos da Ucrânia, segundo o porta-voz e diretor de Estratégia e Comunicação Governamental, Homero Figueroa.”.

Ele afirmou que nas últimas semanas “observamos um grande aumento no custo de diferentes materiais de construção internacionalmente, como alumínio e níquel, metais que dependem fortemente das exportações russas, chegando a um preço aproximado de US$ 4 no caso do alumínio e ultrapassando US$ 26 por tonelada de níquel, o que representa aumentos históricos em ambos os casos, um fato que pode contribuir para a desaceleração de todos os processos de construção nos próximos meses”.
Montalvo observou que o aumento dos preços das matérias-primas é uma realidade que persiste desde o início da pandemia, a qual, combinada com os atuais acontecimentos internacionais, poderá ter um impacto ainda maior na logística do transporte marítimo e no aumento dos preços das mercadorias nível internacional, situação que afeta diretamente o comércio entre países.
“Isso aumentaria o custo de produtos importados da Rússia e da Ucrânia, como milho, gás natural, petróleo, aço, entre outros. No caso do aço, vemos que na primeira semana do conflito seu preço aumentou em RD$ 2.000,00; um feixe de vergalhões passou de RD$ 72.000,00 para RD$ 74.000,00.”.
Ele argumentou que, dado o cenário atual, "estamos em meio a uma situação especial que exige medidas especiais em caráter temporário para que possamos encarar esses momentos de uma perspectiva estratégica".
“Devemos estar em alerta, pois a Maersk, a segunda maior empresa de transporte marítimo, anunciará a suspensão de seus serviços nos portos russos, uma ação que enfraqueceria ainda mais a cadeia de suprimentos global, gerando atrasos significativos em projetos de construção em andamento e aumentando seus custos”, declarou o presidente da ACOPROVI.




