SANTO DOMINGO - O economista Alejandro Arredondo afirmou que o setor da construção civil enfrentou tempos muito desafiadores durante o primeiro semestre de 2023, embora preveja que o segundo semestre será mais dinâmico devido às medidas tomadas pelas autoridades.
Ele enfatizou que um elemento intangível que deve ser destacado, apesar da difícil situação pela qual o setor teve que passar, tanto no setor privado quanto no público, foi a confiança que os investidores imobiliários depositaram no governo.
Ele citou, entre os fatores adotados pelo Banco Central, a Taxa Básica de Juros, que caiu de 8,5% para 7,75%; a liberação de recursos da reserva legal para empréstimos hipotecários e para construtoras de novos projetos habitacionais; além da redução nos preços do frete, que ele acredita que impactará os preços de cerâmica, torneiras e materiais elétricos.
A isso, Arredondo acrescentou o dinamismo no aumento das licenças de construção através do Balcão Único do Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (MIVHED) e o aumento dos investimentos governamentais, que, segundo ele, são os principais motores do setor da construção civil.
“No entanto, ainda existem “obstáculos” a superar. É sabido que entre 40% e 50% dos materiais no custo total de uma casa, os chamados materiais de construção “cinzentos”, como aço (vergalhões e cercas eletrosoldadas, etc.), cimento, concreto, blocos, não tiveram redução de preço; pelo contrário, desde o período pré-pandemia, seus preços aumentaram entre 50% e 70%”, afirmou o economista.
Ele afirmou que as reduções ocorridas na época foram mínimas, o que ele atribui ao tipo de mercado oligopolista e às barreiras comerciais que impediam a entrada de outros concorrentes.
Arredondo destacou que o setor da construção civil tem um grande impacto na economia nacional, em termos de criação de empregos e atividades relacionadas.
Ele explicou que, durante 2022, o setor teve que fazer uma aterrissagem brusca, com sua taxa de crescimento caindo para 0,6%, o pior desempenho da economia, devido a dois fatores:
-Os aumentos nas taxas de juros da Política Monetária implementada pelo Banco Central para controlar a inflação, que se traduzem em aumentos nas prestações dos empréstimos hipotecários.
-Aumento das importações de materiais de construção devido ao aumento dos custos de frete e à guerra entre Rússia e Ucrânia.
Ele explicou que no primeiro trimestre de 2023 a situação do setor foi pior, pois registrou um crescimento negativo de 3,5%.
“Esse colapso no crescimento do setor da construção civil se deveu ao aumento de aproximadamente 12% no custo da habitação e aos aumentos contínuos, desde novembro de 2021, das taxas de política monetária (taxas de juros ativas), que chegaram a 8,5%, implementados pelo Banco Central para conter a inflação”, afirmou Arredondo.
Ele afirmou que, para combater o declínio do setor, as autoridades monetárias (Conselho Monetário e Banco Central) autorizaram o uso de reservas legais para empréstimos destinados à construção e aquisição de moradias populares (que atualmente têm um valor de até RD$ 4,8 milhões), no montante de RD$ 21.424,4 milhões, uma medida que “melhorou muito as condições de acesso à aquisição de uma casa, além de representar um grande alívio para o setor”.
As taxas de juros vão cair
Segundo a projeção de Alejandro Arredondo, as taxas de juros tenderão a diminuir nos próximos meses e "veremos taxas de juros competitivas, que de fato foram promovidas, como no caso do Banco de Reservas".




