SANTO DOMINGO - O novo valor proposto pelo Governo no Projeto de Modernização Fiscal para o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPI) representa um duro golpe para a classe média dominicana e para o setor da construção civil, afirmou nesta quarta-feira o engenheiro Teodoro Tejada, ex-presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA).
Ele explicou que, desde a sua criação em 2012, "este imposto abusivo" tem sido extremamente prejudicial e que o valor fixado na proposta afetará também as pessoas com rendimentos mais baixos que adquiriram uma casa sem recursos próprios, mas sim através, por exemplo, de uma herança.
Ele afirmou que, para este ano de 2024, o valor determinado pela Direção-Geral de Impostos Internos (DGII) foi de RD$ 9.860.649,00, e que, com a proposta de lei de modernização tributária apresentada pelo governo do presidente Luis Abinader, esse valor cai drasticamente para 5 milhões, 25 mil e 380 pesos, com 75 centavos de dólar.

Teodoro Tejada. (Fonte externa).
"É importante notar que a taxa de câmbio do dólar em 13 de novembro de 2012 era de 39,90. Ontem, os dólares estavam sendo comprados nos bancos nacionais a 60,25, o que significa que uma casa que antes custava 5 milhões a uma taxa de 39,90, agora está custando praticamente 10 ou 12 milhões.".
Tejada argumentou que os preços da construção aumentaram significativamente desde a pandemia. "Um terreno que custava 12 milhões antes da pandemia passou a custar 28 milhões depois, o que significa que os custos de construção se multiplicaram.".
“Um imóvel avaliado atualmente em 15 milhões de pesos tinha o equivalente a um de 6,5 milhões de pesos em 2012. Portanto, estamos diante de um dos impostos mais abusivos para o setor da construção civil e para a classe média”, disse ele El Inmobiliario.
Ele destacou que alguém que possui um apartamento avaliado em 10 milhões de pesos terá apenas 5 milhões de pesos isentos, o que significa que terá que pagar 1% do valor restante. “Isso significa 50.000 pesos divididos em 6 parcelas mensais. Significa que essa pessoa pobre terá que desembolsar 25.000 pesos a cada 6 meses, com o problema adicional de que a taxa de juros dos financiamentos imobiliários para um apartamento de 10 milhões de pesos subiu exorbitantemente”, enfatizou Tejada.
Ele acrescentou que, além dos impostos, há a taxa de manutenção do apartamento, que também aumentou. "Quando você paga 6.000 pesos de manutenção, já está pagando 10.000 pesos, porque não cobre a manutenção necessária do imóvel.".
O empresário pediu ao presidente Luis Abinader que "considerasse seriamente a redução desse percentual", recomendando que fosse diminuído para 0,5% e não para 1%, como consta na proposta.
“Não dá para continuar matando a classe média. Ei, esse é o imposto mais abusivo que existe.”.
Apoia o propósito do presidente
Tejada afirmou que apoia o objetivo do presidente Luis Abinader com a reforma, mas não em relação ao imposto sobre a habitação.
“Preciso ser coerente. Apoio o objetivo do presidente Luis Abinader. Mas, na verdade, é aí que discordo, porque ele está destruindo a classe média. Há pessoas que fazem empréstimos para dar entrada em um apartamento e, depois, suas esposas fazem outro empréstimo para pagar o imóvel.”.




