SANTO DOMINGO – O presidente Luis Abinader declarou neste sábado, em mensagem à nação, que sempre foi fiel ao princípio de que em uma democracia tudo se conquista com o povo, mas nada contra o povo, e por isso está solicitando a retirada imediata do Projeto de Lei de Modernização Fiscal da pauta do Congresso Nacional.
Em mensagem ao povo dominicano, o presidente expressou que a voz do povo chegou aos seus ouvidos, que ouviu suas preocupações, suas reservas, suas angústias, e sentiu o pulsar da nação em cada canto, em cada conversa, em cada espaço onde sua voz ressoou, e compreende que a proposta de Lei de Modernização Fiscal não possui o consenso necessário para ser aprovada.
"Um governo verdadeiramente democrático não tem medo de mudar suas decisões quando ouve o povo, porque ouvir é sinal de força. E eu sou um presidente que ouve. Não estou isolado, não vivo numa bolha", declarou o presidente.
Ele acrescentou ainda: "Leio jornais, ouço rádio, assisto televisão, me reúno com todos os setores, verifico as redes sociais, viajo pelo país; e além de ser presidente, sou cidadão, filho, irmão, marido, pai, amigo, alguém que, como vocês, consegue sentir o ritmo coletivo do descontentamento.".
Ele afirmou que “no passado, ao ritmo dessas batidas, eu defendia a democracia. Agora eu também as sinto e as ouço. Ontem e hoje, eu as valorizo igualmente.”.
O presidente explicou que isso envolverá o ajuste do escopo dos planos de desenvolvimento que ele havia proposto e a construção de alternativas aceitáveis para alcançar a República Dominicana que desejamos.
Ele afirmou que, com essa decisão, confirma que o Governo está conectado à realidade de seu povo, age com responsabilidade e, sobretudo, com sensibilidade, buscando sempre o bem-estar da maioria.
"Estou convencido de que nossa democracia deve ser um diálogo constante, uma conversa em que cada voz conta e cada opinião tem peso. A democracia não é, e não deve ser, um monólogo ou uma prática que ocorre apenas a cada quatro anos", afirmou ele.
A democracia, insistiu ele, é e deve ser a troca contínua entre o povo e seus governantes. "Nesse sentido, nossa prática sempre foi consistente: propor, ouvir e, se necessário, corrigir o rumo. Corrigir o rumo é reconhecer que as decisões — mesmo as bem-intencionadas — devem ser mudadas quando não atendem às possibilidades e expectativas do povo.".
O presidente Abinader afirmou ter cumprido sua responsabilidade ao apresentar ao país um plano abrangente de mudanças estruturais, que inclui a aprovação de uma Lei de Responsabilidade Fiscal que, pela primeira vez na história, estabelece uma meta de dívida de médio prazo e um teto para os gastos do governo.
Ele acrescentou que uma proposta para fundir e eliminar ministérios, diretorias e instituições, o que representaria economias significativas e maior eficiência na administração pública, foi compartilhada há três semanas; e agora, seria complementada com a aprovação de uma Lei de Modernização Fiscal, mas esta última iniciativa, como se observou, não recebeu apoio da população.
Além disso, reiterou que a proposta de Lei de Modernização Fiscal, apresentada pela equipe econômica do governo ao Congresso para debate e consenso, não surgiu de improvisação ou de um capricho pessoal, mas sim do mais profundo senso de responsabilidade para com o país.
O chefe de Estado expressou que esta mensagem ao povo dominicano vai além de números, leis e tecnicismos; trata-se, antes, de uma mensagem de sinceridade, humildade e, acima de tudo, compromisso. Uma mensagem honesta, como ele sempre acreditou que todo ato de serviço público deveria ser.
Ele reafirmou sua convicção de que a transparência e a verdade são os pilares sobre os quais o futuro deve ser construído. Considerou este um momento crucial e disse ter aceitado este desafio com a convicção de que é preciso agir agora para garantir o bem-estar das gerações futuras.
“Esta obrigação, da qual outros se esquivaram para proteger sua popularidade política, nós assumimos com responsabilidade e coragem para garantir a sustentabilidade da economia dominicana. Fizemos isso convictos da necessidade de uma mudança estrutural que reduzisse a dependência da dívida externa e aumentasse nossa capacidade de financiar soluções para seus problemas de segurança, água potável, eletricidade, saúde e transporte; e de eliminar distorções e privilégios”, declarou o presidente.
Ele explicou que não será fácil resolver cada um desses problemas se a República Dominicana continuar sendo um dos países com menor arrecadação de impostos e menor gasto público na América Latina.
O presidente Abinader concluiu seu discurso reafirmando que, como sempre, continuará trabalhando ao lado do povo dominicanopara que a República Dominicana continue avançando com justiça, equidade e prosperidade para todos.




