O arquivo tem mais de 400 páginas e contém cerca de 200 provas
SANTO DOMINGO -O Ministério Público apurou que o esquema fraudulento praticado pela quadrilha desmantelada, chefiada por Enmanuel Rivera Ledesma, totaliza mais de 700 milhões de pesos, afetando mais de 300 vítimas que receberam a promessa de imóveis em supostos empreendimentos imobiliários, por meio de diversas manobras fraudulentas.
A audiência para determinar as medidas coercitivas contra o engenheiro Rivera Ledesma e outros seis envolvidos na alegada fraude multimilionária por meio de vendas imobiliárias será realizada neste sábado, às 9h.
Na manhã de sexta-feira, o Ministério Público apresentou o pedido de medidas coercitivas contra os réus da Operação Nido ao Gabinete Judicial dos Serviços de Atenção Permanente do Distrito Nacional.
No pedido de medidas coercitivas, o Ministério Público afirma que os membros da organização obtiveram RD$ 485.619.386,90 apenas de instituições financeiras. Afirma ainda que muitos clientes pagaram em dinheiro vivo.
A promotora Sourelly Jáquez disse à imprensa que a promotoria está solicitando a prisão preventiva e uma declaração da complexidade do caso nos autos.
“O Ministério Público solicitou a prisão preventiva neste caso de fraude que teve como alvo pessoas residentes no país e no exterior”, afirmou Jáquez, acrescentando que o processo tem mais de 400 páginas e contém cerca de 200 provas, incluindo depoimentos, laudos periciais e provas financeiras, entre outras.
O Ministério Público apurou que a fraude perpetrada pela quadrilha desmantelada ultrapassa os 700 milhões de pesos, afetando mais de 300 vítimas que receberam a promessa de imóveis em supostos empreendimentos imobiliários, por meio de diversas manobras fraudulentas.
Jáquez especificou que, para a preparação do processo, foram interrogados réus, vítimas e pessoas que venderam parte do terreno onde seriam construídos os alegados projetos fraudulentos.
Além de Jáquez, os procuradores Andrés Mena, Emmanuel Ramírez e Laura Vargas Toledo, da Procuradoria Distrital Nacional, participaram da apresentação do pedido de medidas coercitivas.
A investigação do órgão de acusação, na qual participam Emmanuel Rivera Ledesma, Emmanuel Eduardo Rivera Pichardo, María Gabriela Rivera Pichardo, Escarlet Mercedes Cruz Figueroa, Reilin Arismendy Rosario García, Mirna Catalina Rivera Ledesma, Juan Omar Rosario López e as pessoas jurídicas Inmobiliaria & Diseños Arquitectónicos, INDISARQ e CRD Equipos Pesados, SRL, RNC são cobrados, indica que a maioria dos afetados são trabalhadores que com sacrifícios contribuíram com quantias significativas de dinheiro para adquirir uma casa que nunca receberam.
Além disso, quando várias delas reclamaram, foram ameaçadas e intimidadas pelo chefe da rede, Emmanuel Rivera Ledesma, que as desafiou a recorrer à justiça, situação na qual, segundo ele, as vítimas sairiam sem conseguir nada.
“Entendemos que os acontecimentos são graves, que o impacto não é apenas econômico, mas também psicológico, emocional, familiar e até profissional para muitas dessas vítimas”, disse Jáquez, que indicou que muitas das pessoas lesadas enfrentam problemas de saúde delicados.
A rede criminosa utilizou as empresas Indisarq e SRL, CRD Equipos Pesados, SRL, através das quais criou um esquema imobiliário fraudulento para realizar golpes, falsificação, associação criminosa e lavagem de dinheiro em detrimento das vítimas às quais ofereceu imóveis em nove empreendimentos imobiliários.
Durante a investigação, foram apreendidas provas que demonstram que o acusado, Emmanuel Rivera Ledesma, usava nomes de pessoas conhecidas para enganar as vítimas, fazendo-as acreditar que ele estava sendo protegido por indivíduos que ele, na verdade, não conhecia. Também foram coletadas provas relativas ao estilo de vida luxuoso desfrutado por vários membros da rede, financiado com o dinheiro obtido das vítimas.
Em decorrência da investigação, o acusado Emmanuel Rivera Ledesma iniciou uma série de manobras com o objetivo de impedir que as vítimas apresentassem queixas contra ele ou retirassem queixas já apresentadas.
Ele também procurou fazer com que as vítimas assinassem novos contratos e tomassem outras medidas com o objetivo de obstruir o processo de investigação, o que demonstra que o acusado e outros membros da rede devem acatar uma medida coercitiva que os impeça de destruir provas e de representar uma ameaça clara às pessoas lesadas.
No âmbito da Operação Nido, que teve início nas primeiras horas da última quarta-feira, o Ministério Público e a Polícia Nacional realizaram vinte e cinco (25) batidas em San Cristóbal, Dajabón, Espaillat, Sánchez Ramírez e no Distrito Nacional.
Um total de 170 policiais e 28 promotores procederam ao cumprimento dos mandados de busca e apreensão e prisão contra os alvos da investigação, além de apreenderem provas relacionadas ao caso.
Foto da capa: Diario Libre.




