SANTO DOMINGO— Por mais de oito décadas, o Tribunal de Bolzano permaneceu imponente enquanto a Itália enfrentava guerras, reconstrução e profundas transformações políticas. Nesta quinta-feira de manhã, porém, bastaram segundos para que parte dessa história fosse reduzida a escombros. O desabamento da seção central do edifício não só paralisou as atividades judiciais da cidade, como também desencadeou um debate nacional sobre a segurança de intervenções estruturais em prédios públicos que permanecem em uso.
Segundo a Rádio NBC Rete Regione, o desabamento ocorreu pouco depois das 6h da manhã, antes do início do expediente. Essa circunstância evitou uma tragédia maior. Apenas a equipe de limpeza estava no prédio naquele momento. Horas depois, juízes, advogados, funcionários e membros do público teriam ocupado os mesmos corredores que acabaram soterrados sob concreto e aço.
As autoridades judiciais suspenderam todas as audiências cíveis e criminais até segunda ordem, exceto aquelas cuja natureza impossibilite o adiamento. A decisão foi tomada pela presidente do Tribunal de Bolzano, Francesca Bortolotti, e pelo procurador Axel Bisignano, após declararem o prédio totalmente inacessível.
Um quarto do edifício desapareceu
As inspeções iniciais revelam a extensão dos danos.
Segundo o site especializado Ingenio, o desabamento destruiu aproximadamente um quarto do Palácio da Justiça. Salas de audiências, escritórios administrativos, a Procuradoria e espaços utilizados pela Ordem dos Advogados foram reduzidos a uma enorme cavidade no centro do edifício.
Imagens divulgadas de Bolzano mostram um espaço vazio onde, poucas horas antes, havia andares inteiros. A estrutura central desabou, revelando colunas fraturadas, lajes quebradas e toneladas de entulho que agora serão analisadas por especialistas.
"Toda a parte central do Palácio da Justiça está completamente inutilizável", declarou o procurador Axel Bisignano, citado pelo jornal Ingenio.
O prédio estava sendo reforçado quando desabou
O paradoxo despertou a atenção de engenheiros e especialistas.
O tribunal não estava abandonado nem apresentava sinais públicos de ruína. Pelo contrário, estava passando por um projeto de reabilitação justamente para prolongar sua vida útil e modernizar suas instalações.
Segundo o jornal Ingenio, a obra incluiu a substituição de pilares estruturais na área onde o desabamento ocorreu posteriormente. Mesmo assim, as autoridades insistem que ainda não há provas suficientes para determinar se a obra está relacionada ao incidente.
Segundo os especialistas, as investigações devem agora concentrar-se na reconstrução da sequência de execução da obra, na verificação do comportamento do escoramento temporário e na determinação de se a estrutura perdeu estabilidade durante a intervenção.
Justiça ficou sem lar
Além dos danos materiais, o desabamento deixou um dos principais órgãos judiciais do norte da Itália sem sede.
O jornal Il Sole 24 Ore noticiou que as autoridades estão considerando a implementação do trabalho remoto para garantir a continuidade dos processos enquanto espaços temporários estão sendo instalados.
Entretanto, o Ministério da Justiça italiano, citado pelo Quotidiano del Ministero della Giustizia, anunciou o envio de equipamentos informáticos aos funcionários e a transferência de um engenheiro de Roma para avaliar o estado da infraestrutura tecnológica do edifício.
Está também em estudo uma regulamentação especial que permita a reorganização dos procedimentos judiciais afetados pela indisponibilidade do imóvel, seguindo precedentes utilizados após outras emergências nacionais.
"Não podemos esperar por outro colapso"
O desabamento trouxe à tona um problema sobre o qual juízes e funcionários do tribunal vinham alertando há anos.
Em comunicado, o Conselho Regional da Associação Nacional de Magistrados (ANM) expressou alívio pelo desabamento ter ocorrido antes do início das obras, mas alertou que o incidente serve de alerta e não pode ser ignorado.
"Qualquer pessoa que entre em um tribunal deve fazê-lo com a certeza de estar em um local seguro e digno", afirmou a organização.
A ANM lembrou que há anos denuncia a deterioração de numerosos edifícios judiciais italianos e exige um plano de investimento verificável que priorize a segurança de magistrados, trabalhadores e cidadãos.
Um símbolo transformado em cenário de investigação
Construído entre 1939 e 1956, o Tribunal de Bolzano é um dos edifícios públicos mais emblemáticos desta cidade do norte da Itália. Concebido como parte do projeto de expansão urbana empreendido durante o período fascista, sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e, durante décadas, foi um dos principais marcos institucionais da região.
A área permanece isolada até hoje.
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