SANTO DOMINGO- O Banco Central da República Dominicana (BCRD) explicou ontem que o processo de venda do lote 102-B, do Distrito Cadastral número 4, do Distrito Nacional, terreno onde se localizava o antigo Canódromo "El Coco", foi uma transação realizada por meio de um "processo transparente e competitivo".
A declaração foi feita por meio da Estrutura de Apoio do Comitê para a Implementação de Políticas (Copra).
No documento divulgado após a publicação da informação sobre a venda pelo jornal Diario Libre, o BCRD explicou que adquiriu, entre outros bens, o referido terreno da entidade Financiera Hipotecas y Pagarés, C. por A., então em processo de liquidação, representada pela Superintendência de Bancos, por meio de um contrato de compra e venda datado de 18 de março de 1994.
“Cabe ressaltar que o recebimento deste e de outros ativos foi motivado por uma decisão do Conselho Monetário, como contrapartida aos pagamentos feitos pelo Banco Central aos depositantes das instituições financeiras que faliram na década de 1980”, afirma a instituição.
Ele acrescentou que esses ativos, recebidos de entidades em liquidação, “estão sendo vendidos pela COPRA, um departamento criado pelo Conselho Monetário, para a liquidação dos ativos transferidos dessas entidades”.
Afirma que, como parte do seu procedimento, “a COPRA publica sempre em jornais de circulação nacional e no sítio web do Banco Central, todos os ativos à venda (...) procedendo à fixação do preço de acordo com a avaliação realizada por avaliadores independentes.
O Banco Central especifica que, em consequência da publicação feita em 22 de novembro de 2019, “diversas incorporadoras imobiliárias demonstraram interesse na aquisição, incluindo aquela que ganhou a licitação”.
Este último, especifica ele, “fez uma oferta em dinheiro em 21 de fevereiro de 2020, de acordo com o montante publicado pelo Banco Central para fins de venda”.
Segundo o BC, as primeiras publicações, que ocorreram entre 2017 e julho de 2020, resultaram em ofertas de compra que não atendiam aos requisitos do banco, seja por problemas com o preço de compra ou por falta da documentação necessária.
O documento afirma que, em 6 de agosto de 2020, a COPRA aprovou a oferta de compra e o Banco Central procedeu à aceitação e adjudicação do referido terreno à empresa CBS Developments Nuevas Terrazas, SRL, concluindo assim a venda.
A instituição destacou que “a empresa CBS Developments Nuevas Terrazas, SRL, por meio de comunicação datada de 19 de agosto de 2021, solicitou à COPRA a alteração da pessoa jurídica subscrita para substituí-la pela empresa CBS Developments, SRL, a fim de formalizar a transação de compra e venda perante o Registro de Títulos, solicitação que foi aceita, após avaliação, e o contrato de compra e venda foi assinado em 8 de outubro de 2021”.
O que Bonilla disse
Em sua edição de ontem, o Diario Libre noticiou a venda desses terrenos para uma empresa da qual o Ministro da Habitação, Habitat e Edificações (MIVED), Carlos Bonilla Sánchez, é sócio
Questionado ontem sobre a compra do terreno para o canódromo, Bonilla Sánchez sugeriu que os jornalistas contatassem a empresa diretamente, uma vez que ele não é mais funcionário de nenhuma empresa privada.
O terreno em questão possui uma área de 154.218 metros quadrados e foi vendido por 298 milhões de pesos à empresa CBS Developments em 8 de outubro de 2021, data da assinatura do contrato.
Sobre a CBS Development
A CBS Developments foi fundada em 2000 por Bonilla, cuja declaração juramentada de bens, apresentada em 2020, indica que ele era o principal acionista da empresa, com 99 ações. Ele também afirma que ingressou na empresa em janeiro de 2000 e saiu em setembro de 2020, embora continue participando das assembleias de acionistas.




