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Milagros Concepción, uma avaliadora que ama a primavera e a felicidade

Por Amelia Cuesta

Equipe Editorial El Inmobiliario

SANTO DOMINGO – Engenheira civil, avaliadora, mãe, esposa, companheira, gestora de empresa: esses são apenas alguns dos papéis que Milagros Concepción desempenha diariamente, sorrindo para a vida e oferecendo o melhor de si para contribuir com seu grão de areia, a partir do palco que lhe foi dado para animar a vida.

Essa dominicana otimista estudou Engenharia Civil na Universidade Nacional Pedro Henríquez Ureña (UNPHU). Concentrada e disposta a dar o seu melhor, Concepción iniciou sua vida profissional antes mesmo de concluir a graduação. 

Concepción é uma mulher que aprecia a magia da vida: o brilho do pôr do sol, o perfume das flores na primavera, a imensa beleza da natureza. Ela se inspira no amor e nas risadas de seus entes queridos e gosta de dar o melhor de si, ajudando quem está ao seu redor, irradiando alegria e energia positiva.  

Milagres Conceição. (Fonte externa).

A filosofia que ela defende é a de que todas as partes se beneficiam, e isso a levou aonde está hoje, com mais de 35 anos de experiência como avaliadora e com sua própria empresa.

Em conversa com El Inmobiliario, essa mulher multifacetada nos conta sobre sua carreira e como a sinceridade, a ética profissional e a nobreza têm sido pilares essenciais em sua vida.  

Há quanto tempo você trabalha como avaliador? 

Comecei a trabalhar antes de me formar em Construção Urbana e Rural (CONURCA), sob a orientação do meu irmão, o engenheiro Jesús María Concepción, e do meu cunhado na época, o arquiteto Dionisio Sánchez. Com a ajuda, o apoio e, sobretudo, a confiança que depositaram em mim, tudo foi fácil.  

Foi assim que cresci profissionalmente. Passei 30 anos no Banco Nacional de Habitação (BNV), onde comecei a trabalhar como avaliador de imóveis. Lá, implementamos um programa fantástico que, durante muitos anos, foi referência para quem quisesse entrar na área de avaliações imobiliárias no país. Então, realizando o interessante trabalho de avaliações, supervisionando-as e agora atuando diretamente no setor novamente, estou na área há 35 a 40 anos  

Você trabalha para uma empresa ou tem sua própria empresa? 

Atualmente trabalho para a minha própria empresa, Lujoma Inmobiliaria, SRL. 

Qual a importância da avaliação imobiliária no mercado? 

Pode-se afirmar que é o ponto de partida consciente de qualquer transação comercial envolvendo imóveis. Sua importância é fundamental. 

É a certeza de estar comprando algo conscientemente, com pleno conhecimento dos fatos e com a tranquilidade de saber que seu dinheiro está sendo investido em um produto avaliado por um especialista imparcial. O mesmo se aplica ao proprietário do imóvel e, ainda mais, à instituição financeira que atua como intermediária, caso o imóvel seja adquirido por meio de um financiamento imobiliário garantido pelo próprio imóvel. 

Isso vai ainda mais longe, pois esses empréstimos baseados em garantias bem avaliadas, por sua vez, formam carteiras de hipotecas saudáveis, que apoiam instituições financeiras credenciadas e solventes, podendo inclusive utilizá-las como uma forma de capitalização ainda maior, adquirindo-as e gerenciando-as em um mercado secundário.   

Quantas avaliações você realiza por mês? 

Minha empresa ainda é pequena. Faço em média de 20 a 30 avaliações por mês. Às vezes, as instituições financeiras realizam feiras imobiliárias, e aí preciso sair e encontrar ajuda extra.  

Como lidar com a insatisfação de alguns clientes que esperam que seu imóvel valha mais do que a avaliação? 

Um dos meus mentores no BNV, meu amigo, o engenheiro José Cabral Reyes, sempre diz, em tom de brincadeira, que na área de avaliações imobiliárias geralmente existem três tipos de clientes: os agradecidos, os irritados e os surpresos. Portanto, como avaliador, você precisa saber lidar com os três, e mais, porque às vezes aparece um outro tipo de cliente: o decepcionado.  

A estes últimos, pergunto: "Por que você acha que o valor deveria ter sido maior?" Escuto atentamente, considero seus argumentos e reviso meu relatório. Se a alegação for válida, digo: "Você tem razão, cometi um erro na fórmula de padronização dos valores de mercado. Vou corrigi-lo imediatamente." Se não houver erro, explico a origem dos valores até que estejam satisfeitos com a explicação. 

Houve algum conflito de interesses com algum cliente no momento da elaboração do laudo de avaliação? 

Considerando os quatro perfis de clientes que mencionei anteriormente, um número igual de conflitos pode surgir. Um cliente que, no cenário de venda, espera que seu imóvel tenha um alto valor de avaliação, e a avaliação confirma isso, ficará grato. No entanto, se esse mesmo cliente precisar que o imóvel seja avaliado para fins tributários, ficará surpreso e, às vezes, até irritado justamente porque o valor foi alto.  

Às vezes acontece de a casa que nos enviam para avaliar ser a casa dos seus sonhos, aquela que construíram economizando cada centavo, e sim, ficou linda, mas está bem ao lado de uma mercearia, uma escola ou uma igreja. A avaliação fica baixa e eles se tornam clientes decepcionados. 

Às vezes, um cliente quer uma avaliação baixa porque está negociando com o vendedor, fazendo o possível para conseguir o melhor negócio, o que é perfeitamente legítimo. Mas se ele estiver comprando a casa com um financiamento, e o banco conceder o empréstimo com base em uma avaliação, muitas vezes ele precisa de um valor de empréstimo alto; nesses casos, acontece o oposto.  

Trabalhando com sinceridade e bom senso, a nobre tarefa de determinar o valor das coisas não pode ser contaminada por qualquer viés, contaminação ou má conduta. Ética profissional, conhecimento e experiência levam a avaliações imobiliárias precisas e confiáveis, possibilitando assim a situação vantajosa para todos, necessária para o funcionamento e desenvolvimento adequados do mercado.   

O que te faz rir?  

Muitas coisas me fazem rir. Eu rio com muita facilidade! O próprio riso me faz rir. Principalmente ver meus filhos rindo! É isso, o riso da minha família me faz rir! 

Qual é o horário do dia que você mais espera? 

Às 17h, esse momento do dia é mágico para mim: o sol brilha, mas não queima, a brisa é suave, a tarde se veste de cores radiantes, o trabalho termina, o corpo e a alma se encontram com Deus, com meu marido, com meus filhos, com meus cachorros, com os amigos. 

Qual é a sua estação do ano favorita? Por quê? 

Definitivamente a primavera, porque é como renascer. O inverno, quando nos aconchegávamos juntos para nos aquecermos, acabou; o outono, embora eu ame suas cores, nos envolve numa sensação de tristeza. Então, fico com a estação que tem tudo: a brisa fresca, a luz do sol quente e radiante, as flores desabrochando em harmonia, preenchendo o ar com seus aromas requintados, as árvores em completa transformação, as abelhas zumbindo por todos os lados, os animais correndo livres, acasalando, reproduzindo. É alegre, é melodiosa, é linda, é sublime. Eu amo a primavera! 

Você tem uma frase favorita? 

Tenho duas frases favoritas: "tudo o que você precisa é amor" e "a boca fala do que o coração está cheio". 

O que te inspira? 

Tudo que me motiva a servir às pessoas ao meu redor, de alguma forma, me inspira. Me inspira viver uma vida que, ao ser vista, inspira outras pessoas a viverem da mesma maneira. Me inspira a certeza de que, contribuindo pouco ou muito, minhas ações podem impactar alguém, ajudá-lo a alcançar um desejo, uma meta, um sonho. Me inspiram pessoas alegres, cultas, fortes, solidárias, inteligentes, nobres, simples, belas, gentis, autênticas, de carne e osso. A natureza me inspira, Deus me inspira!    

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