SANTO DOMINGO –A espera parece interminável. O sofrimento continua para centenas de engenheiros e pequenos empreiteiros na República Dominicana. Quase três décadas depois, a situação que enfrentam permanece sem solução.
Esses profissionais têm travado uma luta constante para recuperar os RD$ 1,55 bilhão que o Estado lhes deve, correspondentes a obras contratadas, executadas e entregues em todo o país desde 1996.
Hoje, eles estão novamente erguendo suas vozes com firmeza para insistir em sua reivindicação, pedindo ao Governo que pague essas dívidas que levaram muitos à beira do colapso financeiro.

Os profissionais apresentaram inúmeras queixas sem que seus casos fossem resolvidos. (Fonte externa).
O ponto de ruptura para esse grupo de trabalhadores foi a trágica morte do arquiteto David Rodríguez, ocorrida há quase nove anos, que, sobrecarregado por dívidas acumuladas devido à falta de pagamentos do Estado, tirou a própria vida num ato de desespero que abalou a comunidade profissional e o país.
Após essa tragédia, 302 membros do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA) se uniram para formar o Comitê Institucional da Codia (CIC) com o objetivo de reivindicar o dinheiro que o Estado lhes deve.

A dívida acumulada inclui contratos com diversas instituições estatais. (Fonte externa).
Desde a sua formação, há mais de oito anos, este comitê enfrentou uma série de desafios e obstáculos, com resultados decepcionantes até o momento.
A dívida acumulada pelo Governo abrange contratos firmados com diversas instituições governamentais, incluindo o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), o Escritório de Engenheiros Supervisores de Obras Estaduais (OISOE) e o Ministério da Educação (MINERD).
Por outro lado, existem o Instituto Nacional de Água Potável e Esgoto (INAPA), o Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos (INDRHI), o Instituto Nacional de Habitação (INVI), a Corporação de Aquedutos e Esgotos de Santo Domingo (CAASD), entre outras entidades.

Diversas reuniões com representantes do governo não produziram resultados. (Fonte externa).
“Fomos prejudicados, pois, para cumprir nossas obrigações contratuais com diversas instituições estatais e para honrar nossos compromissos com trabalhadores e fornecedores, tivemos que investir nossas economias, contrair dívidas bancárias e, na maioria dos casos, hipotecar nossas casas, tendo que vender imóveis, máquinas e equipamentos de construção, caminhões, vans, entre outros”, explicaram em carta entregue ao El Inmobiliario.
Por meio deste documento, especificaram que, com a assinatura do acordo comercial DR-CAFTA, que envolveu a República Dominicana, os Estados Unidos e vários países da América Central, o país adotou a Lei 340-06 para regulamentar a compra de mercadorias e a contratação de obras.
A expectativa inicial era de que essa legislação promovesse a transparência e uma distribuição justa dos contratos. No entanto, constataram que apenas os empreiteiros locais se beneficiavam.
A CIC, juntamente com a Junta de Cobrança e a Comissão Técnica Oficial, trabalhou durante seis meses para atualizar as certidões de dívida, embora algumas instituições, como o Ministério das Obras Públicas (MOPC) e a Junta Eleitoral Central (JCE), se recusassem a fornecer os documentos atualizados.
Durante as campanhas de 2016 e 2020, o presidente Luis Abinader prometeu resolver a dívida assim que assumisse o cargo. Em outubro de 2020, foi formada uma comissão técnica sob a direção de Geanilda Vásquez Almanzar para coordenar os pagamentos, mas o processo estagnou após a mudança nas atribuições da ministra. Reuniões com autoridades de alto escalão, incluindo o assessor presidencial Miguel Vásquez, também se mostraram infrutíferas.
Em dezembro passado, foi formada uma nova comissão que propôs uma lei transitória para o pagamento de dívidas, mas o projeto não avançou, especificaram.
O grupo de credores, composto por engenheiros e empreiteiros, enfrenta agora dificuldades adicionais devido à incapacidade de cumprir suas obrigações fiscais, o que os impede de participar de novas licitações.
Em sua declaração, os representantes da CIC expressaram firmemente sua exigência de que o presidente Abinader ofereça uma solução eficaz para essa situação maliciosa.
Eles também destacaram que, nos últimos sete anos, após a criação do Comitê Institucional Codiano, essa situação levou à perda de quatorze colegas em circunstâncias econômicas extremas.
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