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Mais de 500 transações internacionais foram realizadas em suposta fraude imobiliária

Uma única família dominicana residente nos Estados Unidos depositou mais de US$ 55.000

Por Escarlin Pozo

El Inmobiliario

SANTO DOMINGO - De acordo com o processo que solicita a imposição de medidas coercitivas, preparado pelo Ministério Público (MP), mais de 500 transações foram realizadas nos Estados Unidos, Porto Rico, Canadá e Grã-Bretanha por pessoas afetadas pelo suposto golpe imobiliário, orquestrado desde 2021 pela empresa Novasco Real Estate SRL.

Das vítimas listadas no documento judicial, 79 transações referentes a "pagamentos para a compra ou adiantamento de apartamentos" tiveram origem em Porto Rico, e mais de 400 vieram dos Estados Unidos. Três transações foram registradas no Canadá, enquanto duas foram documentadas na Grã-Bretanha.

Segundo o comunicado do deputado, durante o período de 2021 a 2024, o montante total recebido através de transações, tanto a nível nacional como internacional, ascende a 18.851.583,12 dólares – 18 milhões –.

Do total movimentado, US$ 6.597.087,81 – seis milhões – correspondem a pagamentos internacionais recebidos após a suposta venda de apartamentos que estariam localizados nos empreendimentos Romana Victoriana Residences e Bávaro Victoriana Residences.

Caso: Víctor Andújar

Victor Andújar, um dominicano que vive com sua família nos Estados Unidos desde agosto de 2018, é um dos afetados, após ter pago 50% do preço de dois apartamentos no empreendimento imobiliário La Romana.

Tudo começou em abril de 2022, depois de ele ter tomado conhecimento deste projeto através das redes sociais. Ele, a esposa e uma das filhas, que estava trabalhando durante as férias da universidade, uniram forças para dar este grande passo e investir nesses imóveis.

Uma das famílias dominicanas afetadas pelo alegado caso imobiliário Novasco. (FONTE EXTERNA).

Todas as suas economias foram depositadas lá, impulsionado pelo sonho de adquirir duas propriedades com finalidades bem definidas: a primeira, destinada a desfrutar de suas estadias em seu amado país; e a segunda, concebida como um investimento para gerar renda através da plataforma de aluguel de curta duração Airbnb.

Ele enviou o dinheiro fielmente, sem ter a menor ideia de que se tratava de uma suposta rede criminosa, como indica o Ministério Público.

Em declarações ao El Inmobiliario, ele afirma que em junho de 2022 fez o pagamento da reserva e, posteriormente, pagou 10% do valor dos dois apartamentos, o primeiro de um quarto e o segundo uma cobertura.

No final de 2024, Andújar já havia pago mais de 50% dos dois apartamentos, pois costumava depositar três meses de antecedência, cerca de US$ 5.000 por transação.

A primeira a visitar o local onde os apartamentos seriam construídos foi sua esposa, que foi a La Romana com duas de suas filhas. Mas lá ela viu apenas um terreno baldio com um pequeno barracão à vista.

Essa cena ficou gravada na memória de sua esposa. Com o passar dos meses, ela começou a questionar Víctor sobre a falta de progresso no projeto imobiliário.

As respostas que ela recebeu dele foram uma réplica das justificativas dadas por Rocío del Alba Rodríguez de Moya, a corretora de imóveis que havia adquirido a franquia RE/MAX ONE para suas operações de vendas.

“Perguntei a ela o que estava acontecendo com o projeto, porque sei que às vezes podem ocorrer atrasos. Ela me disse que não, que um engenheiro havia falecido e que faltavam algumas licenças”, relatou ele.

Ao chegar ao país para o Dia das Mães, em maio de 2024, participou de uma reunião com uma gerente de um banco nacional, com quem havia financiado outro apartamento localizado na rua Jacobo Majluta, o que o levou, após algumas perguntas dela, a supor que algo suspeito estava acontecendo no projeto La Romana.

“Eu disse a ele que já havia pago mais de 50% e que eles não haviam entregado o produto. Então, ele me disse para não continuar pagando, abrir uma conta e depositar esse dinheiro”, explicou.

Seguindo esse conselho, ele relatou que decidiram entregar uma carta à Novasco Real Estate, informando-os de que não continuariam com os pagamentos até o início do projeto.

“Isso me afetou porque me desestabilizou, tanto financeira quanto emocionalmente. Minha esposa está muito hesitante em investir novamente”, disse ele com grande pesar.

No entanto, apesar dessa experiência difícil que afetou sua família, ela não perdeu a esperança de continuar lutando e buscando oportunidades para realizar seus planos.

Andújar, de 52 anos, envia uma mensagem à sociedade em geral: “Não percam a fé, mas sejam muito cautelosos, investiguem minuciosamente, e o Estado deve levar isso em consideração, pois afeta o turismo e o investimento.”. 

Segundo seu depoimento, ele adquiriu uma cobertura de 126 metros quadrados por aproximadamente US$ 100.000 e um apartamento de 45 metros quadrados por US$ 40.000, totalizando um investimento de mais de US$ 55.000.

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