SANTO DOMINGO- Para a advogada Reyna Echenique, o projeto Hipoteca Centro-Americana é uma iniciativa transformadora que responde às necessidades de integração regional do setor imobiliário.
Ele afirmou que esse instrumento representa uma evolução natural do crescimento do mercado rumo à internacionalização, facilitando transações que atualmente enfrentam inúmeras barreiras burocráticas e financeiras.
“Participando do debate na minha qualidade de secretária do Conselho de Administração da AEI, representando o setor, e também na minha qualidade de advogada e corretora de imóveis, considero o projeto Hipoteca Centro-Americana uma iniciativa transformadora que responde às necessidades de integração regional do setor imobiliário. Este instrumento representa uma evolução natural do crescimento do mercado rumo à internacionalização, facilitando transações que atualmente enfrentam inúmeras barreiras burocráticas e financeiras”, declarou a empresária após participar do debate realizado na Câmara dos Deputados na segunda-feira, 28 de abril.
Ele afirmou que a interconexão dos registros imobiliários e a padronização dos processos de hipoteca entre os países membros do Sistema de Integração Centro-Americana (SICA) constituem um avanço significativo na modernização do setor.
“Do ponto de vista dos profissionais do setor imobiliário dominicano, este projeto nos permitirá expandir os horizontes operacionais, elevando os padrões de serviço a níveis internacionais”, afirmou Echenique, que participou do painel “Benefícios e oportunidades do financiamento imobiliário centro-americano no mercado imobiliário da República Dominicana”.

Reyna Echenique durante sua participação no painel. Fidel Pérez/El Inmobiliario.
Benefícios
O CEO do Grupo Echenique também destacou que, para os profissionais do setor imobiliário, o plano representa uma expansão estratégica de mercado e a possibilidade de estabelecer alianças regionais, aproveitando a participação na Confederação Latino-Americana de Imóveis (CILA), posicionando a República Dominicana como um polo de investimentos imobiliários entre a América Central e o restante da América Latina.
“Para os consumidores, isso significa acesso a melhores condições de crédito, com taxas potencialmente mais competitivas e prazos mais flexíveis, já que podem comparar ofertas de toda a região”, comentou.
Para o setor financeiro, acrescentou, isso implica a possibilidade de diversificar os riscos e expandir sua carteira de hipotecas para além das fronteiras nacionais.
“Além disso, a simplificação dos procedimentos, com a eliminação de requisitos como apostilas, e a significativa redução dos custos de transação representam vantagens práticas imediatas para todos os participantes do mercado.”.
Isso estimularia o mercado imobiliário e os investimentos?
Reyna Echenique considerou que, sem dúvida, a Hipoteca Centro-Americana atuaria como um catalisador para o mercado imobiliário dominicano por diversos motivos.
A primeira vantagem que ela mencionou foi que isso atrairia capital internacional para empreendimentos imobiliários, facilitando o financiamento transfronteiriço, não apenas para unidades residenciais, mas também para projetos comerciais, turísticos e de desenvolvimento imobiliário
Em segundo lugar, ele observou que isso diversificaria a oferta, permitindo que os investidores dominicanos incorporassem ativos regionais em seus portfólios, reduzindo os riscos por meio da diversificação geográfica.
Ele acrescentou, como terceiro atrativo, que isso geraria um efeito estabilizador nos preços dos imóveis e contribuiria para a valorização dos ativos, especialmente em áreas com potencial turístico.
“Em quarto lugar, surge num momento crucial para reativar o setor da construção, que, segundo dados recentes divulgados pelo Banco Central, registou uma queda de 7,7% nos dois primeiros meses de 2025. O acesso a novas linhas de crédito regionais poderá ser o impulso necessário para inverter esta tendência”, afirmou o representante da AEI.
Do ponto de vista dele, o projeto é viável e necessário, embora ele reconheça que sua implementação exigirá esforços coordenados.
“O apoio institucional da PARLACEN e do Conselho de Registro de Imóveis da América Central, Panamá e República Dominicana (CRICAP-RD) proporciona uma base sólida para o seu desenvolvimento e também fortalecerá a segurança jurídica nos investimentos imobiliários.”.
Ele especificou que dois países já ratificaram o Tratado, e a República Dominicana tem a oportunidade de ser o terceiro, ativando sua entrada em vigor.
Ele destacou que existe uma infraestrutura tecnológica em desenvolvimento para a interconexão de registros, o que facilitará o funcionamento do sistema.
“Acreditamos que, para maximizar sua viabilidade, é essencial promover a conscientização do setor por meio de diálogos com todos os atores do setor imobiliário, implementar um plano de treinamento avançado para todos os profissionais envolvidos, estabelecer uma comissão público-privada para monitorar sua implementação e realizar testes-piloto em províncias com alto potencial turístico antes de expandi-lo para todo o país”, sugeriu Echenique.
Ele observou que a experiência de parceria com a CILA mostrou que os mercados imobiliários da América Latina estão cada vez mais interconectados e que o projeto formaliza e reforça uma tendência já em curso, aumentando significativamente suas chances de sucesso.




