SANTO DOMINGO -Durante sua participação no programa “La Ventana de El Inmobiliario”, o arquiteto Edgar Martínez refletiu sobre o estado atual do setor da construção civil na República Dominicana, marcado por recentes tragédias estruturais, questionamentos sobre a qualidade das obras e crescente pressão da opinião pública.
Em sua visão, o país está em um momento decisivo que exige repensar o modelo de supervisão técnica, conformidade regulatória e a responsabilidade dos atores envolvidos, tanto públicos quanto privados.
“Estamos passando por um processo de transição que a sociedade dominicana, tanto no setor público quanto no privado, ainda não compreendeu ou aceitou. Por quê? Bem, os resultados que estamos vendo, como no caso do Jet Set, demonstram a falta de manutenção e monitoramento contínuo das estruturas ao longo do tempo”, explicou o especialista.
Com base em sua experiência de mais de 35 anos na área, Martínez identificou padrões que, em sua opinião, limitam a qualidade das construções: ausência de controles especializados, execução delegada a pessoal sem formação técnica e resistência ao investimento em supervisão profissional.
O arquiteto explicou que sua empresa desenvolveu um sistema chamado STIC², baseado em unidades técnicas por especialidade, que permite a supervisão de acordo com as normas nacionais e internacionais.
Ele explicou que esse modelo se baseia em equipes especializadas para cada área do projeto. Em vez de designar um único supervisor geral, a empresa aloca profissionais para cada disciplina, garantindo um controle mais preciso durante a execução.
“Estou disponibilizando para vocês uma unidade técnica operacional, ou seja, profissionais de uma área técnica; há cinco profissionais em cada unidade. Em outras palavras, cinco que realizam a supervisão. Por exemplo, a área de água e saneamento tem cinco profissionais que realizam a supervisão, mesmo que apenas um esteja fisicamente presente, e assim por diante em cada uma das áreas”, explicou ele.
Além disso, o arquiteto especificou que muitos projetos de construção no país operam com sérios riscos, incluindo acidentes de trabalho que não são relatados, sendo os trabalhadores haitianos os mais afetados.
“Há muitos acidentes de construção aqui que não vêm à tona. Bem, equipamentos caem sobre os trabalhadores, e não vou mencionar empresas, mas a construtora aqui é grande, na área de Punta Cana, equipamentos pesados caem sobre os trabalhadores e eles ficam lá, muitos deles haitianos”, disse ele.
A especialista, entrevistada pela fundadora e diretora da El Inmobiliario, Ana María Ramos, lembrou que o quadro legal dominicano estabelece obrigações claras para os responsáveis pelas obras.
“O artigo 1646 do Código Civil estabelece uma responsabilidade civil de 10 anos para aqueles que executam as obras, mesmo que os construtores não sejam profissionais da área. Em outras palavras, vocês têm uma responsabilidade, e o projeto deve funcionar corretamente por pelo menos esses 10 anos”, enfatizou ele durante seu discurso.
Para saber mais sobre esta entrevista, convidamos você a assistir a este novo episódio do programa “La Ventana de El Inmobiliario” em nosso canal do YouTube.




