SANTO DOMINGO - A contratação de mão de obra haitiana permite economizar até 60% do orçamento em etapas como a fase cinza, segundo o relatório "Mercado de Trabalho e Mão de Obra Estrangeira no Setor da Construção Civil na República Dominicana", elaborado pelo Instituto Nacional de Migração da República Dominicana (INMRD).
Segundo as conclusões da pesquisa liderada por Marina Ortiz e Rita Mena, um dos benefícios mais significativos da contratação de trabalhadores haitianos é o seu menor custo em comparação com os dominicanos. "Eles são mais baratos e fazem qualquer coisa", observou um dos engenheiros entrevistados na região de Bávaro-Punta Cana, referindo-se à disponibilidade e flexibilidade do trabalhador haitiano.
“Um dominicano que conhece seus direitos jamais trabalharia para você... carregando sacos de cimento, trabalhando sob o sol, por 1.000 pesos por dia. Você precisa entender isso, porque ele conhece seus direitos. É por isso que a construtora vai contratar trabalhadores sem documentos, porque eles gastam muito menos”, revelou outro dos depoimentos coletados no relatório.
Segundo o estudo, essa diferença salarial se justifica pela qualidade do trabalho realizado, reconhecendo que a mão de obra dominicana tende a apresentar melhores resultados, justificando, assim, seus salários mais altos. Mesmo assim, os dominicanos frequentemente recusam trabalhos mais exigentes fisicamente ou com salários mais baixos, especialmente em condições adversas, como as encontradas nas fases iniciais da construção.
Outra constatação do estudo é que alguns engenheiros afirmam não diferenciar os salários com base na nacionalidade do trabalhador, mas sim seguir orçamentos preestabelecidos. Nesses casos, o pagamento é baseado em valores fixos por tarefa, como assentar blocos, independentemente de quem a execute.
Em relação aos métodos de pagamento, foi identificada uma variabilidade significativa. Os trabalhadores haitianos podem ganhar entre RD$ 750 e RD$ 1.200 por dia, enquanto os trabalhadores mais especializados ou experientes podem ganhar entre RD$ 1.400 e RD$ 2.000 por dia. Em certos casos, aqueles com responsabilidades mais amplas dentro do projeto, como supervisores ou pessoal de segurança, podem receber até RD$ 3.000 por dia, pois são contratados diretamente pela empresa.
O relatório do INMRD oferece uma visão geral detalhada das condições de trabalho enfrentadas por dominicanos e haitianos no setor da construção civil, destacando não apenas as diferenças salariais, mas também a dinâmica de contratação e as percepções persistentes em relação à qualidade e disponibilidade da mão de obra estrangeira.
Não é mais barato
Durante sua participação, em junho passado, no programa “La Ventana de El Inmobiliario”, o ex-presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (Codia), Teodoro Tejada, negou que a mão de obra haitiana seja mais barata do que a contratação de dominicanos.
Ele comentou que existe uma ideia errada sobre a mão de obra haitiana, já que — ao contrário do que muitos pensam — “ela não é mais barata”.
Ele destacou que, atualmente, muitos haitianos trabalham como mestres de obras com um alto nível de experiência, resultado da dedicação que demonstraram ao aprender a profissão.
“Há ótimos profissionais que assentam pisos, instalam azulejos; eletricistas e encanadores. Esses haitianos se dedicaram e aprenderam muito, é verdade, e são boas pessoas”, explicou ele.




