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Especialistas desaconselham o uso da sua conta bancária para transações que envolvam dinheiro de terceiros

SANTO DOMINGO- O sistema financeiro dominicano é um ator fundamental na preservação da segurança do país em transações comerciais internacionais, graças ao fortalecimento dos processos de prevenção à lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas, indicaram especialistas que participaram de um workshop realizado pela Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA).

Juan Pablo Rodríguez, advogado criminalista especializado em prevenção à lavagem de dinheiro, e Ramón Guzmán, consultor e especialista em prevenção à lavagem de dinheiro, falaram a comunicadores e jornalistas convidados para o workshop "Comunicação sobre lavagem de dinheiro: uma perspectiva do setor bancário e da mídia".

"As instituições financeiras fizeram progressos significativos em termos de crescimento, maturidade e investimento no fortalecimento de seus processos de conformidade" com relação às leis e procedimentos de combate à lavagem de dinheiro, afirmou Ramón Guzmán, ex-diretor de conformidade de diversos bancos no país.

Portanto, os bancos também têm se esforçado para conscientizar e incentivar a colaboração de outros setores da economia, para que o país mantenha sua classificação favorável em relatórios internacionais e nas rodadas de avaliação do Grupo de Ação Financeira Internacional para a América Latina (GAFILAT), explicou ele.

Juan Pablo Rodríguez explicou que estar na lista cinza da GAFI acarreta riscos reputacionais, o potencial encerramento de relações bancárias de correspondência (vínculos com bancos correspondentes no exterior), entre outros efeitos indesejáveis. "Portanto, fazer negócios se tornará muito mais difícil", acrescentou, sugerindo que o caminho para um país ser removido da lista é muito complexo.

A atividade foi liderada pela presidente da ABA, Rosanna Ruiz, que comentou que "o setor bancário múltiplo não apenas acumulou maturidade como sujeito financeiro obrigado, mas também se comprometeu a contribuir para o conhecimento e a identificação do alcance de um tema de tamanha prioridade para todos nós que atuamos nesse ecossistema, de modo que isso ajude a identificar e mitigar da melhor forma possível um risco que tem repercussões não apenas no nível local, mas também transcende para o nível internacional".

O workshop com jornalistas da imprensa escrita, televisiva e digital, realizado por ocasião do Dia Mundial de Combate à Lavagem de Dinheiro, abordou os crimes que precedem a lavagem de dinheiro, as ameaças ao país nessa área, os riscos para a economia nacional em caso de denúncias e os procedimentos adotados por diversos bancos para cumprir toda a legislação local e as melhores práticas internacionais.

Nessa ordem, Ramón Guzmán explicou que, em seu sistema de prevenção, cada entidade bancária possui três linhas hierárquicas de defesa que atuam em diferentes níveis, incluindo processos de integração de clientes, monitoramento e gestão de riscos de transações incomuns, bem como relatórios à Unidade de Análise Financeira (UAF) de operações suspeitas.

Ambos os especialistas concordaram em destacar o papel da mídia na prevenção desse problema, por meio de uma cobertura jornalística responsável, baseada em informações verídicas e em conformidade com os termos legais, bem como pela denúncia de situações irregulares, como no caso do jornalismo investigativo. 

Evite usar sua conta bancária para transações que envolvam dinheiro de outras pessoas

A conversa começou com uma recomendação que se aplica a todos os cidadãos: não empreste sua conta bancária para qualquer transação com dinheiro de terceiros, pois, além do risco de ser classificado como laranja, que é um dos crimes que precedem a lavagem de dinheiro, segundo a legislação dominicana, o empréstimo pode ser usado para financiar ou lavar dinheiro obtido ilicitamente. 

Além disso, utilizando diversos exemplos internacionalmente conhecidos, Juan Pablo Rodríguez explicou como a natureza transnacional do comércio permite que qualquer território fique exposto a ameaças de crimes que parecem muito distantes da realidade dominicana, como o terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa.

Um ponto de concordância entre anfitriões e expositores foi a constatação de que a tarefa de prevenir a lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas é responsabilidade de múltiplos atores, incluindo o setor financeiro, entidades obrigadas e não obrigadas, as autoridades e a população em geral.

Entre os presentes no evento estavam Michelle Cruz, presidente do Comitê de Combate à Lavagem de Dinheiro da ABA; Lidia Ureña, gerente sênior de Regulação da ABA e presidente do Comitê de Combate à Lavagem de Dinheiro da Federação Latino-Americana de Bancos; Pamela Castillo, diretora de Comunicação e Marketing; Susana Flete, gerente de Imprensa e Relações Públicas, entre outros executivos do setor bancário.

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