SANTO DOMINGO– Diversas associações empresariais e representantes do setor produtivo nacional alertaram que a nova Lei de Gestão Integrada e Coprocessamento de Resíduos representa um sério problema de sustentabilidade financeira para o país, ao estabelecer um modelo de financiamento que comprometeria mais de 75% dos recursos arrecadados sem garantir a capacidade de investimento em reciclagem, infraestrutura ou educação ambiental.
Segundo representantes da Ecored, da Adocem e do setor turístico, a reforma, aprovada em votação única em 23 de julho e aguardando promulgação pelo Poder Executivo, cria um regime de contribuição baseado na receita bruta das empresas, sem levar em consideração a quantidade de resíduos gerados ou os esforços realizados na recuperação e reciclagem.
Eles salientaram que isso penaliza particularmente empresas (MPMEs), com margens reduzidas, e pode levar muitas delas à informalidade ou à subdeclaração de rendimentos para sobreviver.
“Em relação ao valor, continuamos acreditando que quem polui mais deve pagar mais, e que o valor deve estar relacionado à quantidade de resíduos gerados, pois isso nos levará a reduzir, como incentivo, a quantidade de resíduos que trazemos para o país”, afirmou Aguie Lendor, vice-presidente executivo da Turismo da República DominicanaAsonahores).
No entanto, Christy Luciano , presidente interina da Ecored , alertou que a forma e o desenho da lei representam um sério problema para o setor empresarial da República Dominicana.
“Estamos profundamente preocupados com o fato de essa reforma ter sido aprovada em votação única em 23 de julho e enviada ao Poder Executivo para sua implementação, sem incorporar ajustes técnicos fundamentais ou abrir espaço para um diálogo real com os setores envolvidos”, disse ele.
Ele também destacou que a receita anual é estimada em mais de 8 bilhões de pesos, dos quais aproximadamente 4 bilhões seriam destinados ao aumento das taxas das empresas de cobrança, que atualmente recebem menos de 3 bilhões de pesos, e cerca de 2 bilhões de pesos seriam transferidos diretamente para os municípios.
Ele afirmou que a reforma enfraquece os princípios da boa governança e apresenta riscos de discricionariedade, ao permitir a inclusão de atores com interesses particulares em funções de tomada de decisão.
Além disso, ele indicou que isso dificulta a participação justa das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), ameaça o progresso do modelo de economia circular que “nos custou tanto para construir e nos levaria a retroceder nas garantias de rastreabilidade efetiva dos resíduos ou na integração dos gestores na cadeia, o que limitaria a transparência, o controle ambiental e o monitoramento da conformidade
Recomendações Ecored
- Que a contribuição especial seja respaldada por estudos fiscais ou financeiros e seja determinada com base na receita líquida, e não na receita bruta.
- Que sejam aplicados mecanismos de contratação abertos e competitivos, de acordo com a Lei de Compras e Contratos; e que os contratos operacionais entre o Fundo DO Sustentável e os gestores autorizados de estações de transferência, aterros sanitários e instalações de valorização tenham uma validade de três (3) a cinco (5) anos, e não de 10 anos, como é o caso atualmente.
- Que sejam criados órgãos de supervisão obrigatórios com a participação da academia, ONGs e do setor privado, para garantir a transparência na atribuição de licenças e contratos através dos municípios.
- Promover a valorização, a reciclagem e a utilização de resíduos como motores do desenvolvimento sustentável e da transformação industrial.
- Que um representante da Codopyme seja incluído no Conselho da Sustainable DO Trust, como forma de equilibrar a tomada de decisões.
"Nossa posição não é de confronto, mas de advertência responsável, porque para avançarmos com a reforma necessária, todos precisamos estar engajados", explicou Luciano.




