SANTO DOMINGO - De dezembro do ano passado até este mês de outubro, a Pro Consumidor recebeu 618 reclamações de compradores de imóveis residenciais, rejeitando os aumentos impostos pelas construtoras.
Além da oposição aos aumentos no preço acordado, há protestos devido a atrasos na entrega e defeitos de construção, revelou a jornalista Alicia Ortega ontem à noite em seu programa El Informe, que vai ao ar todas as segundas-feiras na Color Visión.
Segundo documentos obtidos pela investigação, os casos correspondem a 156 empresas de construção dominicanas, com as quais a Pro Consumidor está tentando chegar a um acordo com o demandante.
Caso não seja possível chegar a um acordo entre as partes envolvidas, o órgão estatal encaminha os casos aos tribunais da República para que resolvam o desacordo.
“O que fazemos aqui é tentar conciliar as aspirações das empresas imobiliárias com os direitos do consumidor”, explicou Geraldo Rivas, diretor de contencioso da entidade governamental, em entrevista ao El Informe.
Ele citou o caso de uma jovem que, após pagar o valor inicial para a compra de um apartamento, teve seu pedido de financiamento imobiliário negado pelo banco. Assim, ela retornou à construtora para reaver seu dinheiro ou o que lhe era devido e, ao encontrar resistência, procurou o órgão de defesa do consumidor para que seu caso fosse analisado.
“Outra situação foi o aumento de um imóvel, cujo processo, após avaliação, concluímos que um aumento de 12% era apropriado”, afirma o executivo.
Segundo dados apresentados por El Informe con Alicia Ortega, cerca de 35% das reclamações que chegam à Pro Consumidor estão relacionadas a queixas de compradores de imóveis contra construtoras.
O diretor de contencioso afirmou que, após a avalanche de casos acumulados, um grupo de trabalho foi criado em julho e a área de supervisão foi ativada para visitar os locais e coletar as informações necessárias, citando o caso do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), onde a equipe de trabalho esteve presente para realizar o levantamento e poder oferecer respostas aos usuários e suas reclamações.
“A área de investimento, por exemplo, desloca-se com bastante frequência para locais onde existem situações de conflito e, por vezes, também dependemos de relatórios técnicos que temos de obter de outras agências estatais.”.
332 casos resolvidos nos últimos meses, 159 em processo de resolução e 62 arquivados devido à desistência de consumidores que chegaram a acordos amigáveis com as construtoras: esse é o panorama atual enfrentado pela entidade que garante preços justos aos consumidores dominicanos.
A Pro Consumidor conta com 40 advogados distribuídos em 11 escritórios por todo o país, cuja missão, segundo Rivas, é mediar, mas, caso não se chegue a um acordo, os casos são encaminhados aos tribunais.
“Os problemas com as construtoras aumentaram como resultado da pandemia porque, de acordo com as reclamações que recebemos de empresas imobiliárias, as construtoras têm se aproveitado da situação da pandemia para propor aumentos de preços aos compradores.”.
Ele acrescentou que somente no último mês, "poderíamos falar de um número significativo de 15 a 30 casos".
“Em alguns casos, os contratos não incluem necessariamente esses aumentos, embora tenhamos observado que a situação da pandemia e os aumentos que ela gerou foram significativamente impactados”, explicou Rivas.




