SANTO DOMINGO – A Fundação Justiça e Transparência (FJT) pediu ontem a intervenção urgente do presidente Luis Abinader para interromper a “maratona” de contratos de aluguel de imóveis multimilionários que funcionários do governo estão realizando de forma “irracional, desproporcional e em violação à Constituição”.
“Os funcionários públicos vêm fazendo isso há anos, e agora a prática foi ampliada e intensificada pela atual administração governamental, com gastos de dezenas de milhares e bilhões de pesos, em detrimento do patrimônio público”, afirmou o vice-presidente da entidade, Máximo Calzado Reyes.
O jurista alertou que isso representa uma ilegalidade por parte do Governo, uma vez que contratos de aluguel ou outros que excedam 200 salários mínimos no setor público não podem ser assinados pelo presidente Luis Abinader e devem, obrigatoriamente, ser do conhecimento do Congresso Nacional.
Reyes se referiu ao Artigo 128 da Magna Carta, que estabelece e especifica os poderes do primeiro presidente para alienar ou afetar receitas nacionais, em um bem ou recurso público, como um controle que mesmo o presidente da república deve ratificar e aprovar pelo Congresso Nacional, do qual se pode inferir a inconstitucionalidade e ilegalidade dos contratos mencionados
"Tem competência para celebrar contratos, submetendo-os à aprovação do Congresso Nacional quando contiverem disposições relativas à distribuição de receitas nacionais, à alienação de bens do Estado, à contração de empréstimos ou quando estipularem isenções fiscais em geral, de acordo com a Constituição.".
O valor máximo para o qual tais contratos e isenções podem ser assinados pelo Presidente da República sem aprovação do Congresso será de 200 salários mínimos do setor público”, diz o parágrafo segundo.
Calzado Reyes condenou a prática generalizada deste e de outros governos, com aluguéis exorbitantes por vários períodos constitucionais e fora do planejamento anual ordinário do Orçamento Geral do Estado.
Ele afirmou que isso foi comprovado pelos escândalos registrados no Escritório Governamental de Tecnologias da Informação e Comunicação (Ogitc), que está sendo questionado por finalizar um processo de licitação para alugar um prédio por 10 anos no valor de RD$ 1,4 bilhão.
O chefe da instituição, Bartolomé Pujols, assegurou que este procedimento realizado com a Inmobiliaria Reservas e a AFI Reservas, uma empresa estatal, se justifica porque evita ter de dispor de todo o dinheiro para a compra de imóveis.
Duas vezes
Esta é a segunda vez, desde sua posse como diretor da OGTIC em 2023, que Bartolomé Pujals é questionado sobre suposto desvio de verbas durante o processo licitatório. No final daquele ano, ele enviou uma carta negando uma suposta ameaça feita contra o jornalista Kelvin Faña, que o denunciou repetidamente por violar a Lei 340-06 sobre Licitações Públicas.
Fonte: Listín Diario.




