Iníciodas obras de construção civileconomistas alertam que as taxas de juros cairão apenas temporariamente devido às exigências de reservas.

Economistas alertam que as taxas de juros cairão apenas temporariamente devido às exigências de reservas

Raúl Ovalle afirmou que o setor da construção civil é o mais importante em termos de contribuição para o crescimento do país e um dos maiores em toda a região.

SANTIAGO– Os economistas Magín Díaz e Raúl Ovalle alertaram ontem que a liberação dos 35 bilhões de pesos autorizados pelo Conselho Monetário para a construção e aquisição de moradias resultará apenas em uma redução temporária das taxas de juros, e não em longo prazo.

“As taxas no setor vão cair, pelo menos por um tempo, mas em 2023, em junho, o programa anunciado não era de RD$ 35 bilhões, e sim de RD$ 94 bilhões, mais que o dobro, e naquela época as taxas caíram por 6 meses e depois tiveram que retirar o aumento”, explicou Ovalle durante a palestra “Perspectivas de uma economia sem reforma: Principais desafios do setor da construção”, organizada pela Associação de Promotores e Construtores da Cibao (Aprocovici).

Ele opinou que, para que ocorra uma diminuição, o Banco Central da República Dominicana precisará ampliar o escopo do programa recém-anunciado, que consiste na liberação de recursos da reserva legal para impulsionar o crescimento do setor da construção civil.

Magin Díaz, Sandy Rodríguez e Raúl Ovalle. Fidel Pérez/El Inmobiliario.

Por sua vez, Magín Díaz considerou que, dado o cenário econômico atual, as taxas de juros só poderiam cair por seis meses. “As taxas de juros não vão cair. Elas vão cair por seis meses agora, e depois terão que subir porque o Banco Central precisa equilibrar uma economia com um déficit de RD$ 300 bilhões por ano”, afirmou o economista.

Ele acrescentou que as taxas podem cair temporariamente quando o Banco Central intervém, mas depois têm de retornar a um equilíbrio de taxas de juro elevadas.

Ao analisar as perspectivas econômicas do país na ausência de uma reforma tributária, Díaz afirmou que "existe o risco de o investimento público continuar a diminuir. Em outras palavras, haverá consequências", disse ele.

Boas perspectivas

Ovalle explicou que a boa notícia para o país é a previsão do FMI de que o crescimento da República Dominicana atingirá cerca de 5,1%, o que lhe permitirá manter a posição de sétima maior economia da região. 

Com relação ao setor da construção civil, ele explicou que um aspecto positivo é que, segundo relatórios do Banco Central, este continua sendo o terceiro setor de crescimento mais rápido durante os primeiros meses do ano.

“E está quase retomando sua tendência de crescimento, mas sem dúvida, ao avaliar os dados mês a mês, começa-se a perceber uma certa desaceleração”, comentou ele.

Ele afirmou que, no final do ano passado, o setor da construção civil da República Dominicana representava 14,7% do Produto Interno Bruto (PIB). "Depois do Panamá, é o maior da América Latina e, se considerarmos os valores nominais, que se aproximam de 17 bilhões de dólares, isso é mais do que todo o PIB da Jamaica e mais do que o PIB combinado dos setores da construção civil do Panamá, Costa Rica e Nicarágua. Em outras palavras, é o setor mais importante em termos de contribuição para o crescimento do nosso país e um dos maiores de toda a região.".

O potencial de Santiago

Ele destacou que a região de Cibao representa quase 40% de todo o PIB da construção civil da República Dominicana, enquanto o crédito imobiliário está crescendo a uma taxa de 14% na região norte e a taxa de inadimplência está próxima de mínimas históricas.

“No caso de empréstimos para construtoras, estamos vendo que os empréstimos para compradores na região de Cibao estão crescendo quase 67%. Em nível nacional, o crescimento é de cerca de 30%, o que significa que na região de Cibao o crescimento é duas vezes maior”, destacou o especialista.

Ele afirmou que existe uma demanda que justifica esse enorme crescimento que está ocorrendo na região de Cibao. 

O evento, realizado no Centro de Convenções da UTESA, contou com a presença de mais de 200 empresários e representantes do setor da construção civil da região Norte.

Foi patrocinado pelo Banco Popular, Banreservas, Asociación Popular de Ahorros y Préstamos, Asociación La Nacional de Ahorros y Préstamos, Grupo Therrestra, Asociación Cibao de Ahorros y Préstamos, Grupo Estrella, entre outros.

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