A construção começa . Os fundos liberados das reservas legais estarão sujeitos a mecanismos de supervisão mais rigorosos...

Economista afirma que os fundos liberados das reservas obrigatórias estarão sujeitos a mecanismos de supervisão mais rigorosos

Os representantes dos bancos expressaram sua satisfação com a medida, cuja taxa de juros anual chega a 10%.

SANTO DOMINGO.-Os 35 bilhões de pesos que o Conselho Monetário (CM) autorizou a liberação para o Banco Central da República Dominicana (BCRD) oferecem maiores garantias de que se tratam de novos empréstimos, pois contarão com mecanismos de supervisão mais rigorosos.

A proposta foi feita pelo economista Francisco Taveras, professor da Universidade Autônoma de Santo Domingo (UASD), que enfatiza que a medida ajudará a aliviar o déficit habitacional do país, o qual é uma prioridade de desenvolvimento e política pública.

O governador do Banco Central da República Dominicana (BCRD), Héctor Valdez Albizu, reuniu-se ontem com os presidentes de diversos bancos para anunciar que o Conselho Monetário (CM) autorizou a liberação de cerca de RD$ 35 bilhões, equivalente a 1,75% da exigência legal de reservas, para que as instituições financeiras possam direcionar esses recursos a novos empréstimos para aquisição de imóveis, empréstimos provisórios e construção de casas, com taxa de juros anual de até 10%.

“A novidade é que esses fundos liberados estarão sujeitos a mecanismos de supervisão mais rigorosos para garantir que se destinem a novos empréstimos e a compradores de primeira habitação. Isso impede que investidores imobiliários comprem casas para aluguel individual em vez de para uso próprio”, explicou Taveras ao El Inmobiliario.

Ele considerou a medida necessária, uma vez que, se aplicada segundo os critérios de controlo indicados, contribui para a redução do défice habitacional do país, o que constitui uma prioridade de desenvolvimento e de política pública

“Ter uma casa própria é um patrimônio importante para o futuro; é uma garantia de uma vida melhor, já que é uma aspiração familiar que se torna cada vez mais difícil devido aos custos de construção e aos preços dos imóveis na cidade”, disse ele.

Ele afirmou que esta é uma boa notícia para o setor e para quem compra casa pela primeira vez, porque 40% do total dos fundos a serem liberados da Reserva Legal serão destinados a habitações de baixo custo e 60% serão destinados a imóveis que não se enquadram na faixa de baixo custo, mas custam menos de RD$ 15 milhões em pesos.

Francisco Taveras. (FONTE EXTERNA).

A medida

Durante a reunião com representantes bancários, Valdez Albizu indicou que “40% do montante autorizado, equivalente a aproximadamente RD$ 14 bilhões, serão destinados a empréstimos para a compra de novas moradias populares, ou seja, imóveis avaliados em até RD$ 5.025.380,75, de acordo com a legislação vigente. As famílias que receberem esses empréstimos se beneficiarão das condições do programa por até sete anos”.

Valdez Albizu explicou ainda que “os 60% restantes, aproximadamente RD$ 21 bilhões, serão direcionados a empréstimos provisórios e financiamentos para construção de moradias, com prazos de até dois anos a partir da data de liberação pela instituição financeira ao beneficiário final, bem como para a compra de imóveis com valor avaliado em até RD$ 15 milhões, com prazos de até sete anos a partir da data de liberação”.

O governador destacou que “esta medida soma-se a outras ações tomadas pelo Banco Central para aumentar a liquidez bancária, entre as quais se destaca o resgate no vencimento de letras e notas do Banco Central, que totalizará RD$ 140 bilhões durante o último trimestre de 2024, o que, somado à nova medida de liberação de reservas legais, resultaria em um montante total de liquidez de cerca de RD$ 175 bilhões disponível para as entidades financeiras antes do final do ano”.

Além disso, Valdez Albizu observou que “o Banco Central prorrogou os prazos dos acordos de recompra para vários bancos em até 28 dias, e as provisões para cobrir transações interbancárias utilizando títulos emitidos pelo Banco Central e pelo Ministério das Finanças como garantia foram eliminadas. Da mesma forma, foi aprovada uma prorrogação de um ano para o vencimento de aproximadamente RD$ 68 bilhões em linhas de crédito de liquidez rápida (FLR), a fim de neutralizar o efeito contracionista do retorno desses pagamentos ao Banco Central.

Ele enfatizou que, com essa prorrogação, as entidades de intermediação financeira terão recursos adicionais disponíveis, além dos RD$ 175 bilhões provenientes do resgate de títulos do Banco Central e da nova liberação de reservas compulsórias.”

Programa de Afrouxamento Monetário

Essas medidas fazem parte de um programa de afrouxamento monetário do Banco Central, em um ambiente onde a inflação se manteve próxima ao limite inferior da meta de 4% ± 1%. Essas providências, juntamente com as reduções de 75 pontos-base na taxa básica de juros acumuladas desde agosto deste ano, devem ajudar a acelerar a transmissão da política monetária e a reduzir as taxas de juros dos empréstimos aos setores produtivos e às famílias, contribuindo para o crescimento sustentado do crédito a esses setores e fomentando condições favoráveis ​​para manter o dinamismo do consumo, do investimento e da demanda agregada.

Os presidentes dos diversos bancos e a presidente executiva da Associação de Bancos Múltiplos da República Dominicana (ABA), Rosanna Ruiz, expressaram sua satisfação com a medida tomada pelo Conselho Monetário, enfatizando que ela representa um avanço significativo para a liberação de empréstimos a clientes que buscam adquirir moradias populares.

Durante a reunião, estiveram presentes os seguintes executivos: Samuel Pereyra, administrador do Banreservas; Manuel E. Jiménez, CEO do Grupo Popular; Christopher Paniagua, CEO do Banco Popular; Luis Molina Achécar, Presidente do Conselho de Administração do Banco BHD; Steven Puig, CEO do Banco BHD; Fausto Pimentel, CEO do Banco Santa Cruz; Fabio Restrepo, Diretor Comercial do Citibank; Gonzalo Gil, Vice-Presidente Sênior e Diretor Nacional do Scotiabank; Juan Carlos Rodríguez Copello, CEO do BDI; Roberto Despradel, Presidente do Conselho de Administração do Banesco; e Víctor Virgilio Mendez Saba, Presidente do Banco Vimenca, entre outros.

Representando o Banco Central da República Dominicana (BCRD), juntamente com o Governador, estavam a Vice-Governadora Clarissa de la Rocha de Torres; o Diretor-Geral Ervin Novas Bello; Joel Tejada Comprés, Subgerente de Políticas Monetária, Cambial e Financeira; e Máximo Rodríguez, Subgerente de Regulação e Estabilidade Financeira. Joel González, Subgerente de Programação Monetária e Estudos Econômicos; e Carlos Delgado, Diretor do Departamento de Regulação e Estabilidade Financeira.

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