SANTO DOMINGO - Duas iniciativas legislativas estão atualmente em tramitação no Congresso Nacional que, se aprovadas, fortalecerão os setores imobiliário e da construção civil na República Dominicana e que representarão parte dos desafios para ambos os setores em 2023, devido à sua importância.
Isso se refere à lei de locação, que proporcionaria ao país um instrumento atualizado, visto que a atual data de 1955, tendo sido posteriormente modificada em 1988; a segunda parte é a que daria ao país, pela primeira vez, uma norma para regular o mercado imobiliário na República Dominicana.
Em ambos os casos, o foco deve ser o de dotar o país de dois instrumentos modernos que se adaptem aos novos modelos de mercado e atendam às suas necessidades atuais.
Alfredo Pacheco, presidente da Câmara dos Deputados, apresentou o projeto de lei sobre aluguéis e despejos de imóveis em agosto do ano passado; enquanto a segunda proposta é um projeto de lei apresentado pela deputada Lourdes Aybar de Serulle e busca regulamentar os serviços imobiliários e o trabalho dos corretores, por meio da emissão de uma licença que autentica o trabalho que realizam no país.
Ao apresentar o artigo sobre arrendamento, Pacheco incentivou seus colegas a darem importância ao tema, argumentando que atualmente não existe no país um regime que regule aluguéis e despejos, e comentando ainda que "essa questão está em aberto na República Dominicana".
“A ACOPROVI solicitou recentemente que o Congresso Nacional aprove um projeto de lei que defina um sistema de locação de imóveis, e este é um projeto de lei necessário para a República Dominicana”, afirmou Alfredo Pacheco
Ele explicou que submeteu o projeto por conta própria, mas que se trata de uma iniciativa que teve vários autores ao longo dos anos. A Lei 4314 de 1955 regulamenta a previsão e a aplicação de valores em contratos de arrendamento no país, conforme alterada pela Lei 17-88 de 5 de fevereiro de 1988.
“O ex-congressista Henry Merán, Demóstenes Martínez e nós temos trabalhado nessa iniciativa há muitos anos, mas Mateo Espaillat também se interessou e está trabalhando nesse projeto”, explicou Pacheco.
Em ambos os casos, a ACOPROVI, Associação de Construtores e Incorporadores Imobiliários, levou suas contribuições para a câmara baixa.

“Estávamos trabalhando em um projeto de lei do zero, mas depois de vermos o de Pacheco, percebemos que ele havia adotado muitas das propostas que havíamos apresentado antes do projeto anterior expirar. Então, nos reunimos com ele e demos algumas sugestões adicionais para incluir no projeto, mas basicamente concordamos com as dele; seria apenas uma questão de aprimorá-lo um pouco, e é por isso que preferimos apresentar um que já estava no Congresso”, explicou Jorge Montalvo, presidente da associação de construtores, ao El Inmobiliario .
AEI e três aspectos

Embora compreenda que o projeto de lei para regulamentar os serviços imobiliários e os contratos de corretagem no país seja bastante abrangente, a AEI, Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias, destacou três aspectos da proposta de Serulle.
Alberto Bogaert, o presidente, declarou no ano passado que essas sugestões, apresentadas por uma delegação da entidade que visitou a comissão de justiça da Câmara dos Deputados, não alteram de forma alguma a natureza do original, pois afirma que se trata de um documento que atende às necessidades do setor imobiliário.
“Onde se fala das disposições gerais, o artigo 3º deveria estipular a promoção do desenvolvimento das atividades de corretagem imobiliária por associações devidamente registradas nos órgãos estaduais competentes, que em suas ações realizem treinamentos regulares, possuam um código de ética e tenham no mínimo cinco anos de atuação como associação. Acreditamos que uma associação que deseje fazer parte disso deve ter pelo menos cinco anos de funcionamento”, solicitou a entidade que representa as imobiliárias e corretores.
A segunda alteração proposta pela AEI refere-se ao capítulo sobre disposições transitórias, que estipula que “os membros que, na data de entrada em vigor desta lei, estiverem filiados a uma câmara ou associação de corretores de imóveis legalmente constituída e registrada, com mais de um ano de atividade, terão seus conhecimentos validados e estarão isentos da obrigação de concluir qualquer treinamento e/ou avaliação para obtenção de licença”. A instituição acredita que essa isenção deveria ser alterada para aqueles que atuam no mercado há cinco anos.
Por fim, solicitaram uma alteração de 500 para 120 horas no artigo que estipula que uma pessoa precisa de 500 horas de estudo para ser elegível para a licença. "Estamos pedindo 120 porque temos a experiência necessária para saber o que é preciso e sabemos que esse tempo é suficiente para que uma pessoa se capacite e obtenha a licença", explicou a AEI.
comissão de direito de locação
É presidido pelo deputado Eugenio Cedeño Areche, juntamente com seus colegas Rafael Castillo, Mateo Espaillat, Máximo Castro Silverio, Benedicto Hernández, Danny Guzmán, Ana Mercedes, Tulio Jiménez, Saury Mota e Luis Henríquez Beato. Também estão incluídos Nicolás Hidalgo, Dulce Quiñonez, José Miguel Cabrera, José David Pérez, Franklin Martínez e Leonardo Aguilera.
Ambos os projetos representam parte dos desafios que o setor da construção civil e imobiliário terá de continuar a enfrentar em 2023, visto que são dois instrumentos fundamentais para o fortalecimento do setor.




