Especialista afirma que a proposta enviaria sinais preocupantes a toda a comunidade internacional de investidores sobre a estabilidade do quadro jurídico dominicano.
SANTO DOMINGO -O projeto de lei apresentado na semana passada à Câmara dos Deputados para restringir a presença haitiana em território dominicano estipula que, antes de vender qualquer propriedade ou terreno a haitianos, o Poder Executivo teria que revisar, verificar e autorizar o pedido.
"Enquanto persistir o grave estado de instabilidade e violência que afeta a vizinha República do Haiti, os cidadãos desse país deverão solicitar autorização do Poder Executivo antes de adquirir infraestrutura em território dominicano", afirma a proposta.
A minuta preliminar foi apresentada por Pelegrín Castillo, presidente da Força Progressista Nacional, e será analisada pelos deputados Elías Wessin Chávez, do Partido Democrata Cristão Quisqueyano (PQDC), e Eugenio Cedeño, do Partido Revolucionário Moderno (PRM).
Entre janeiro e junho de 2023, os haitianos ocuparam o primeiro lugar entre os compradores estrangeiros de imóveis na República Dominicana, sendo que 95% deles não possuíam situação migratória regularizada no país.
A informação foi divulgada pelo vice-ministro de Gestão de Migração e Naturalização do Ministério do Interior e da Polícia, Juan Manuel Rosario, que afirmou que os haitianos desbancaram os americanos da primeira posição como compradores de imóveis e relegaram os canadenses ao terceiro lugar.
“Noventa e cinco por cento dos compradores haitianos de imóveis no período de janeiro a junho não possuem status migratório no país, pois estão em trânsito, não são residentes e não têm residência permanente”, afirmou em entrevista ao jornalista Federico Méndez no programa Esferas de Poder.
“No caso dos haitianos, que ocupavam a quinta posição em número de compradores de 2020 a 2022, agora ocupam a primeira posição, nos primeiros seis meses de 2023, relegando a segunda posição aos compradores dos Estados Unidos, depois aos do Canadá e assim por diante”, disse ele.
O rascunho preliminar
A proposta de Pelegrín Castillo recomenda medidas para limitar o aluguel de casas para haitianos, restringir seu emprego ou condicionar a compra de terras e imóveis no país.
Estabelece que qualquer estrangeiro pode adquirir propriedade nas províncias localizadas na linha de fronteira do território dominicano, argumentando o segundo parágrafo do artigo 10, que limita a propriedade imobiliária na zona divisória a requisitos legais específicos, que priorizam a propriedade de interesse dos dominicanos.
Estipula ainda que as propriedades estatais nas províncias localizadas na parte ocidental do país podem ser exploradas por meio de fundos fiduciários públicos, parcerias público-privadas e outros meios, sempre com a participação majoritária de dominicanos.
O artigo quarto da proposta exige que os proprietários solicitem documentos de identificação e comprovante de situação migratória de estrangeiros antes de alugar seus imóveis. Caso os documentos sejam válidos, os proprietários devem incluir essa informação no contrato de locação e comunicar o fato à Direção-Geral de Migração.
“Estrangeiros com situação migratória regular que alojam outros estrangeiros em situação irregular perderão seu status migratório e serão deportados”, diz o artigo, que também instruiria a Direção Geral de Migração a monitorar haitianos que vivem em imóveis alugados.
Além disso, o governo informará anualmente o Congresso Nacional sobre os requerimentos e autorizações em vigor.
Empregos
Em relação aos empregos, a proposta visa reservar certos cargos exclusivamente para dominicanos, incluindo vigilantes, seguranças, guias turísticos, jardineiros, motoristas ou auxiliares de veículos, além de cargos no governo central e nas prefeituras.
Isso limitaria o investimento estrangeiro
Segundo a advogada Reyna Echenique, o projeto de lei proposto inclui medidas restritivas significativas. “Entre elas, destacam-se a exigência de autorização prévia do Poder Executivo para a venda de imóveis a cidadãos haitianos e a obrigação de verificar o status imigratório para aluguéis — medidas que podem ter sérias consequências para o ambiente de investimento estrangeiro na República Dominicana”, afirmou a especialista ontem em sua coluna semanal no jornal El Inmobiliario.
Ele salientou que isso não afetaria apenas um grupo específico de investidores, mas enviaria sinais preocupantes a toda a comunidade internacional de investidores sobre a estabilidade do nosso quadro jurídico.




