Para o setor imobiliário, é um sinal de maior previsibilidade nos serviços básicos, o que afeta diretamente a viabilidade de projetos de grande escala.
SANTO DOMINGO – A reestruturação do aparelho estatal voltou a ocupar o centro da agenda pública com a publicação dos decretos nº 55-26 e 60-26, ambos de 30 de janeiro de 2026, pelos quais o Poder Executivo substitui o Escritório de Reorganização dos Transportes (OPRET) por uma nova Companhia Metropolitana de Transportes (EMT) e fortalece o marco institucional da Companhia Dominicana de Transmissão de Energia Elétrica (ETED).
As medidas visam reformular o modelo de gestão de dois serviços estratégicos, o transporte público e a transmissão de energia elétrica, com implicações diretas para o investimento público, a governança corporativa e o planejamento de infraestrutura.
As disposições fazem parte da adaptação dessas entidades ao regime de empresa pública estabelecido na Lei nº 479-08, Lei Geral das Sociedades Comerciais e das Sociedades de Responsabilidade Limitada, uma medida que, segundo o Governo, busca elevar os padrões de eficiência, transparência e sustentabilidade sem alterar o caráter público dos serviços.
Da OPRET para a EMT: separação de funções.
O Decreto nº 60-26 estabelece a Empresa Metropolitana de Transportes (EMT) como a entidade pública responsável pela operação e manutenção dos sistemas de transporte coletivo, substituindo a OPRET, decisão baseada no Artigo 356 da Lei nº 63-17, sobre Mobilidade, Transporte Terrestre, Trânsito e Segurança Rodoviária.
O novo quadro institucional introduz uma clara separação de funções. Enquanto a EMT assume a gestão operacional dos sistemas, o desenvolvimento e a execução dos projetos de infraestrutura permanecem sob a responsabilidade exclusiva do Fundo para o Desenvolvimento do Sistema de Transporte Coletivo da República Dominicana (FITRAM).
Esta reformulação visa corrigir a concentração de responsabilidades que caracterizava o modelo anterior, em que uma única entidade reunia planejamento, construção e operação — uma estrutura que, segundo diversas análises técnicas, limitava a especialização e a eficiência.
O
decreto também estabelece um processo explícito para a dissolução institucional e liquidação da OPRET, acompanhado de um regime de transição legal, administrativo e operacional. A regulamentação garante a continuidade dos serviços de transporte público de massa, a preservação dos direitos e obrigações existentes, a transferência organizada de ativos e contratos e a proteção do pessoal em conformidade com a legislação aplicável.
Para orientar esse processo, é criada uma Comissão Especial encarregada de dirigir, supervisionar e acompanhar a reforma e a liquidação institucional, com o objetivo de evitar impactos sobre os usuários durante a transição.
Do ponto de vista urbano, a criação do EMT faz parte de um período de expansão dos sistemas de transporte público, com novas linhas de metrô, teleféricos e corredores de ônibus que estão remodelando os padrões de mobilidade e o valor dos terrenos em diferentes áreas da Grande Santo Domingo e outras regiões metropolitanas.
ETED: continuidade jurídica e compromisso com a modernização.
Por outro lado, o Decreto nº 55-26 promove um processo de fortalecimento institucional da Companhia Dominicana de Transmissão de Energia Elétrica (ETED), concebida como uma empresa pública estratégica responsável pela transmissão de energia elétrica em nível nacional.
O regulamento estipula que a reestruturação será realizada preservando integralmente a continuidade jurídica, operacional e financeira da empresa, bem como seus direitos, obrigações, contratos e ativos existentes.
Na prática, o decreto introduz ajustes na estrutura de gestão e supervisão da empresa, incorporando padrões modernos de governança corporativa e fortalecendo os mecanismos de responsabilização.
A ETED permanece sob a tutela do Ministério de Energia e Minas, sujeita à supervisão e controle estatal, porém com maior autonomia técnica e operacional.
A ênfase está no apoio à expansão, modernização e digitalização da infraestrutura de transmissão de energia elétrica, bem como das telecomunicações por fibra óptica, em conformidade com o Plano Nacional de Energia e a Estratégia Nacional de Desenvolvimento.
Este componente é especialmente relevante num contexto de transição energética, onde o crescimento das energias renováveis exige redes de transmissão mais robustas, flexíveis e fiáveis.
Do ponto de vista econômico, o fortalecimento da ETED também tem um impacto indireto no setor imobiliário, já que a disponibilidade e a estabilidade do fornecimento de energia elétrica são fatores determinantes para o desenvolvimento de novos projetos residenciais, comerciais e industriais, especialmente em áreas de expansão urbana e turística.
Implicações para o Desenvolvimento Imobiliário
: Ambas as decisões revelam uma orientação comum: fortalecer as empresas públicas sob modelos de gestão mais próximos das práticas corporativas modernas, sem abrir mão do controle estatal. Para o setor imobiliário, isso se traduz em maior previsibilidade nos serviços básicos, o que afeta diretamente a viabilidade de projetos de grande escala.
Energia confiável e transporte público eficiente são, na prática, componentes estruturais do valor urbano. O compromisso do governo, se traduzido em melhorias tangíveis, poderá contribuir para a redução dos custos operacionais, a melhoria da qualidade de vida nas cidades e a sustentação dos processos de adensamento e renovação urbana.
Com os decretos 55-26 e 60-26, o Poder Executivo reafirma sua estratégia de modernização institucional como pilar do desenvolvimento econômico e social. O desafio, como frequentemente ocorre, estará na implementação efetiva das mudanças e na capacidade dessas novas estruturas de traduzir os objetivos regulatórios em resultados mensuráveis.



