Diante da situação delicada causada pelo aumento constante do preço dos materiais de construção, o governo não está dando a atenção que o problema merece, afirma o engenheiro Rafael Durán.
SANTO DOMINGO - "Essa situação do novo aumento do preço do aço representa uma paralisia do setor da construção civil, além do aumento dos preços dos imóveis", afirma o engenheiro David de la Cruz, da construtora De la Cruz Félix Constructora, Inmobiliaria y Servicios.
E na última sexta-feira, os preços do aço voltaram a subir, de acordo com De la Cruz, que afirmou que um fardo do metal chegou a custar 81.000 pesos.
Jochimín Pérez Iglesias, da Constructora Jprez SRL, disse ao jornal digital El Inmobiliarioque o preço do aço certamente subiu novamente e informou que o cimento também registrará um aumento entre 15 e 20% esta semana.
“A situação para o setor mais afetado não poderia ser pior; isso sem dúvida trará problemas ainda maiores, porque quando os preços do aço e do cimento começam a disparar, todos os outros suprimentos e materiais também começam a subir”, explicou Rafael Duran, da SBDS Investments.
Ele afirmou que as famílias terão muita dificuldade em arcar com os novos custos de moradia. “Por exemplo, um milhão de pesos é muito dinheiro para a mensalidade de uma pessoa, e há 20 anos, durante a crise do Banco Central, algumas pessoas atrasaram os pagamentos porque as parcelas do financiamento imobiliário aumentaram em dois mil pesos. Elas acumularam três ou quatro pagamentos atrasados, e os bancos tiveram que vender suas casas em leilão público.”.
Para o engenheiro Durán, essa situação é extremamente preocupante. Ele disse que vendeu unidades em um projeto que ainda nem começou a ser construído. "É uma situação delicada porque não podemos entregar as casas com prejuízo, e é possível que os compradores também não consigam pagá-las. Então, o que fazemos se tivermos obrigações financeiras com os bancos?".
Ele entende que, dada a situação delicada apresentada pelo aumento constante do preço dos materiais de construção, o governo não está dando a atenção que o assunto merece.
Ele explicou que, há um ano, sem qualquer motivo aparente, o preço do aço subiu de 55.000 para 70.000 por fardo, simplesmente porque estava caro em outros países.
Durán acredita que o preço de um saco de cimento é injustificado a 350 pesos, porque 90% dos seus insumos são locais. “Quem o produz simplesmente decidiu que precisava ganhar mais, e o objetivo é levá-lo a 500 pesos.”.
Sobre aço
Em março passado, a Associação Dominicana do Aço (ADOACERO) informou que os fabricantes locais de produtos siderúrgicos acabados estavam constantemente buscando novos fornecedores de matéria-prima, como México, Brasil e Venezuela, para garantir o abastecimento do mercado dominicano desde o início das tensões entre a Rússia e a Ucrânia.
Mais de 35% do ferro e do metal fundido consumidos na República Dominicana vinham da Ucrânia, então, desde o início do conflito, os produtores locais começaram proativamente a buscar novas fontes de abastecimento em outros países da região.
O CEO da ADOACERO, Marcelo Salazar, explicou que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia está causando picos históricos, nunca vistos desde a crise global de 2008, nos preços internacionais dos tarugos de aço, que são a matéria-prima para os produtos siderúrgicos acabados.
ADOCEM
Um artigo publicado no jornal Listín Diario no dia 20 deste mês informou que as empresas que compõem a Associação Dominicana de Produtores de Cimento Portland (Adocem) acreditam que, dada a volatilidade dos mercados internacionais e o aumento previsto nos custos de energia e combustível, poderá ocorrer a mesma situação que, segundo relatos da imprensa, está acontecendo atualmente na Espanha, onde grandes empresas de cimento e aço fecharam suas fábricas devido a esses aumentos excessivos de preços que ocorreram muito antes da invasão russa da Ucrânia.




