A questão que permanece em análise é a duração e a intensidade da recessão. A quebra da bolsa de valores eliminou quase US$ 35 trilhões da riqueza global no primeiro semestre de 2022.
Extraído da Forbes América Central
O fantasma da recessão está cada vez mais presente. Essa é a realidade. Os principais especialistas estão recomendando cautela, e há um consenso crescente de que o principal risco para 2023 é uma crise alimentada pela alta inflação e pelo aumento das taxas de juros nos mercados desenvolvidos.
A questão que permanece em análise é a duração e a intensidade da recessão. A quebra da bolsa de valores eliminou quase US$ 35 trilhões da riqueza global no primeiro semestre de 2022.
Em termos cronológicos, a economia europeia caminha para uma recessão até o final do ano, enquanto a economia dos EUA poderá entrar em recessão já no primeiro trimestre de 2023. Nos Estados Unidos, espera-se uma recessão moderada, enquanto na Europa, sua gravidade dependerá de como a crise energética for administrada. Há algo que os investidores possam fazer?

Para começar, a economia dos EUA, referência para economias ocidentais como a da Espanha, está mostrando sinais de desaceleração do crescimento e inflação em seu pico. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha caído por dois trimestres consecutivos, a Renda Nacional Bruta (RNB) aumentou durante o primeiro trimestre, e a renda pessoal real, excluindo transferências, subiu no segundo trimestre.
“Isso aumenta a probabilidade de um aumento no IIB no segundo trimestre”, observam Aneeka Gupta e Pierre Debru, analistas da WisdomTree. “Além disso, a história mostra que a diferença entre o PIB e a RNB tende a diminuir, com o PIB se aproximando da RNB”, acrescentam.
O mercado de trabalho permanece forte, com a criação contínua de empregos, o aumento dos salários e o desemprego no nível mais baixo em cinco décadas. A queda do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de 9,1% para 8,5% trouxe algum alívio aos mercados.
O plano de reajuste do Federal Reserve foi significativamente ajustado desde a divulgação dos resultados do IPC, com a taxa de juros terminal caindo de 4,55% para 3,55%. Embora a inflação tenha diminuído tanto em seus componentes básicos quanto em seus componentes não básicos, os componentes cíclicos permanecem elevados. Esses dados do IPC validam a justificativa para um aumento de 50 pontos-base (pb) na taxa de juros em setembro e uma moderação adicional daqui para frente (menos de 75 pb em aumentos de juros daqui para frente).
ENERGIA E RECESSÃO NA EUROPA
A economia europeia continua a enfrentar dificuldades devido à crise energética em curso. Os riscos de inflação mais elevada intensificaram-se. A economia da zona euro escapou por pouco a uma recessão técnica no segundo trimestre, com um crescimento do PIB de 0,7% em comparação com o trimestre anterior. No entanto, as perspetivas de crescimento permanecem sombrias em meio à crise energética.
A Rússia transformou seus recursos energéticos e alimentares em armas, dada a forte dependência da Europa desses setores. A zona do euro enfrenta um choque energético e uma inflação significativamente maior do que a dos Estados Unidos. Com os preços da energia subindo 42% em junho de 2022 em comparação com o mesmo período do ano anterior, o setor energético foi responsável por mais da metade da inflação de 8,9% registrada em julho.
O que complica ainda mais a situação é que o rio Reno, pilar das economias da Alemanha, Holanda e Suíça há séculos, ficará praticamente intransitável em um ponto crucial do seu percurso devido aos níveis extremamente baixos da água. "Essa situação pode interromper o transporte de produtos energéticos e outros bens industriais ao longo de uma das vias navegáveis mais importantes da Europa", afirmam especialistas da WisdomTree.
A ABORDAGEM DE INVESTIMENTO
Os mercados gostam de estar um passo à frente. Eles não reagem às notícias, mas sim as antecipam. "Compre o boato, venda a notícia" é uma frase famosa por um motivo. Na maioria dos casos, os mercados começam a cair quando há risco de recessão econômica, não quando uma recessão é praticamente certa. Este ano não é exceção.
O desempenho do primeiro trimestre foi muito difícil para os investidores, pois os mercados previam que aumentos acentuados nas taxas de juros desacelerariam a economia, mesmo que ela continuasse a crescer. Assim que a economia começou a mostrar sinais de desaceleração, os mercados passaram a antecipar uma flexibilização monetária e se recuperaram em julho.
O que isso significa para os investidores? Significa que, muito provavelmente, o momento para um posicionamento extremamente defensivo já passou. A recessão já está precificada e, portanto, focar em liquidez e volatilidade mínima teria sido uma boa ideia meses atrás. Pode ser cedo demais para uma estratégia cíclica agressiva. Os mercados ainda não precificaram se será uma recessão profunda ou prolongada. "Podem ser necessários meses até uma recuperação forte e consolidada", afirmam Gupta e Debru.
Isso deixa os investidores com opções defensivas para todos os tipos de cenário. Os investimentos em ações podem proteger a carteira se o mercado prevê uma recessão mais profunda ou participar das altas se antecipar uma queda mais técnica.
Não é surpreendente que o fator mais defensivo seja a volatilidade mínima, que reduziu as perdas em todos os oito períodos. É evidente que a volatilidade mínima apresenta uma relação risco/retorno muito baixa. "Isso contrasta com a qualidade e os altos dividendos que, apesar de sua natureza defensiva", analisam esses especialistas.
“Olhando para o segundo semestre de 2022, que se apresenta repleto de incertezas, uma abordagem equilibrada entre ações de alta qualidade e ações que pagam dividendos pode se mostrar muito útil para navegar pelas diversas oscilações que podem surgir”, concluem os especialistas da WisdomTree.
*Este texto foi publicado na Forbes Espanha.




