Por Danielis Fermín
El Inmobiliario
SANTO DOMINGO– A República Dominicana é um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas. Essa situação levou diversos setores produtivos a buscarem alternativas para reduzir seu impacto ambiental.
O setor da construção civil, responsável por aproximadamente 37% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas à energia, de acordo com o Relatório Global sobre o Estado da Construção Civilpublicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), é um exemplo claro dessa tendência.
Para mitigar esse impacto, o Estado Dominicano e organizações internacionais implementaram certificações ambientais que garantem o cumprimento de normas que protegem os recursos naturais e asseguram que as construções estejam em conformidade com regulamentos que promovem a gestão eficiente da água e da energia, reduzindo emissões e resíduos.
Annerys Meléndez, presidente da Associação Dominicana de Construtores e Incorporadores Imobiliários (Acoprovi), afirma que “as certificações ambientais podem diferenciar um projeto no mercado, atraindo compradores interessados em práticas sustentáveis”. No entanto, ela também reconhece que “elas aumentam significativamente o preço, o que alguns compradores não estão dispostos a pagar”.

Annerys Meléndez, presidente da Acoprovi. (Fonte externa).
O interesse do consumidor por produtos e serviços ecológicos se estende às suas casas e veículos, levando as construtoras a priorizar a criação de espaços que atendam a essas demandas. “As construtoras que obtêm certificações ambientais demonstram seu compromisso com a sustentabilidade, melhorando sua reputação e atraindo investidores e clientes que valorizam a responsabilidade social e ambiental”, destaca Meléndez.
Construir com uma abordagem sustentável oferece benefícios como incentivos fiscais e financeiros, como descontos em seguros ou impostos, e um maior valor no mercado imobiliário.
O mercado local
Na República Dominicana, a construção de novos edifícios sustentáveis deve estar em conformidade com diversas regulamentações, embora atualmente não exista uma norma específica para esse tipo de construção.
A Lei 1-12 de 2012 sobre a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2030 estabelece diretrizes para o desenvolvimento de espaços que promovam a equidade urbano-rural e facilitem o acesso a moradias acessíveis, seguras e dignas. Da mesma forma, a Lei Geral do Meio Ambiente e Recursos Naturais (64-00) define os princípios para a proteção e conservação do meio ambiente em todas as atividades.
O país também possui o Regulamento de Avaliação de Impacto Ambiental (Regulamento 571-09 ou seu substituto), que inclui procedimentos para avaliar e mitigar os impactos ambientais de projetos de construção, bem como requisitos de eficiência energética e conservação de recursos.
Além disso, a Norma Nacional de Edificações Resistentes a Sismos (R-001) garante a resistência sísmica de edifícios, e o Programa de Certificação de Edifícios Sustentáveis (Certificação de Edifícios 3Rs) reconhece edifícios que seguem os princípios de reduzir, reutilizar e reciclar. A Lei de Incentivos e Regimes Especiais para Energias Renováveis (57-07) promove a instalação de sistemas de energia renovável em novas construções.
Em nível internacional, existem certificações como Leadership in Energy & Environmental Design (LEED), Excellence in Design for Greater Efficient (EDGE), Haute Qualité Environnementale (HQE International) e Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM) que estabelecem padrões de sustentabilidade para edifícios.
Desafios e medidas
Embora a construção sustentável seja uma tendência global, na República Dominicana os construtores enfrentam desafios significativos, como a obtenção de materiais que atendam às certificações de sustentabilidade a um custo razoável e a disponibilidade de profissionais especializados em práticas sustentáveis.
“Implementar práticas sustentáveis na construção civil pode ser complicado devido à falta de recursos adequados e à necessidade de ajustar processos e projetos para atender aos requisitos de certificação”, destaca Meléndez.
Além disso, os custos associados à certificação, às alterações de projetos e materiais e à implementação de práticas sustentáveis sem aumentar significativamente os preços dos projetos são aspectos críticos a serem considerados. "O mercado pode estar relutante em aceitar preços mais altos, o que complica a adaptação dos projetos a esses padrões", acrescentou.
Para facilitar o processo de certificação e melhorar a conformidade, Meléndez propõe promover o desenvolvimento de materiais e serviços sustentáveis no mercado local, bem como criar incentivos para projetos que integrem práticas sustentáveis.
Sugere-se o fornecimento de guias detalhados sobre construção sustentável para oferecer aos promotores imobiliários e construtores as informações necessárias para adotar práticas ecológicas de forma eficaz e acessível.
Legenda: Foto da capa: Canva.




