Em um momento de ajustes e redefinições para o setor imobiliário, sua mensagem aponta para uma ideia central: em um mercado cada vez mais digital, a vantagem competitiva permanece profundamente humana.
SANTO DOMINGO – No mercado imobiliário, as plataformas digitais, os portais e a automação parecem estar ditando o ritmo cada vez mais. Mas o consultor imobiliário Carlos Réntalo fez um alerta direto ao setor: o verdadeiro ativo é o corretor, sua reputação e sua capacidade de construir confiança. Não é o estoque de imóveis, a tecnologia ou o volume de projetos.
Durante o BOOTCAMP 2026, organizado pela Associação de Corretores e Empresas Imobiliárias (AEI) com profissionais do setor, a Rentalo apresentou um exercício simples, porém desconfortável. Os participantes foram convidados a imaginar um cenário que se repetisse por cinco anos: múltiplos projetos, centenas de unidades disponíveis, clientes recebendo informações via WhatsApp ou e-mail, mas sem resposta, visitas que nunca se concretizam e comissões que mal chegam.
“Cinco anos depois, tudo continua igual”, alertou. Em contraste com esse modelo baseado em volume e dispersão, ele propôs outra abordagem: um estoque exclusivo para revenda, alguns imóveis bem definidos, contratos assinados, preços fixos, investimento estratégico em marketing e visitas organizadas.
Um sistema que permite compartilhar operações com colegas, fazer pausas e ainda gerar renda. “Menos imóveis, mas mais renda. Mais controle e mais reputação”, resumiu ele.
O corretor como produto
, Rentalo, mentor imobiliário, coach de vendas e palestrante internacional, construiu seu discurso em torno de uma premissa que repete como um mantra: “você é o produto”. Em sua opinião, o setor cometeu o erro de acreditar que compete com base em estoque ou tecnologia, quando na realidade compete com base na confiança.
“Há empresas que investiram milhões tentando substituir agentes por plataformas digitais. Elas fracassaram porque não entenderam o negócio. Pensaram que se tratava de imóveis ou tecnologia, quando, na verdade, é um negócio de pessoas”, argumentou ele.
Nesse sentido, ele comparou a situação ao desaparecimento dos ascensoristas quando a tecnologia automatizou sua função. “O único valor deles era mover uma alavanca. Quando essa tarefa deixou de ser necessária, eles desapareceram. Se o agente apenas transmite informações, corre o mesmo risco.”
Sua abordagem não é uma rejeição à digitalização, mas uma redefinição do papel dos ascensoristas, já que ele defende que a tecnologia é uma ferramenta, não o cerne do modelo, e a diferença reside na assessoria estratégica, na análise de mercado, na negociação e na gestão de patrimônio.
O ambiente está em constante mudança.
Para explicar por que o modelo tradicional baseado em volume está se tornando cada vez mais insustentável, Réntalo recorreu a um princípio: “o ambiente sempre se sobrepõe ao produto”, e citou como exemplo como, em meados do século XX, o chapéu era uma peça essencial do vestuário masculino e depois deixou de sê-lo, não por ter perdido qualidade, mas porque os hábitos mudaram.
Algo semelhante está acontecendo no setor imobiliário, afirma ele: menos projetos disponíveis, maior demanda, mudanças nos hábitos de compra e uma clientela mais informada estão criando um ambiente diferente.
“Não controlamos a política, a economia ou a construção civil. A única coisa que podemos controlar é o nosso modelo de negócios.”
Na visão dele, o modelo focado na aquisição massiva de leads e na manutenção de altos investimentos em publicidade tende a prejudicar o fluxo de caixa. “Os números não fecham, os leads esfriam e o sistema se torna insustentável”, explicou.
Exclusividade, reputação e colaboração:
o método promovido pela Rentalo prioriza a exclusividade como o núcleo do negócio, a colaboração entre os agentes e a construção de uma marca pessoal forte. Em vez de competir por volume, propõe competir por posicionamento.
Sua experiência, que inclui atuação em mercados como a República Dominicana e a Espanha, e o treinamento de mais de 10.000 profissionais por meio de seu sistema de mentoria, permitiu-lhe observar um padrão comum: os agentes que consolidam rendimentos estáveis são aqueles que controlam seu estoque, priorizam a reputação e se tornam referências em seu nicho.
Ele reconhece que a mudança não é fácil, pois envolve abandonar a mentalidade de "quanto mais projetos, melhor" em favor de uma estrutura mais estratégica e colaborativa. No entanto, insiste que o mercado já está enviando sinais claros.
"O futuro não depende de publicidade ou tecnologia; depende de agentes qualificados, conectados e visionários. O mercado imobiliário é sobre pessoas, e nós somos o produto", concluiu.
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