Dado que essa mão de obra é necessária para a execução de trabalhos no setor da construção civil dominicano, no leste do país acredita-se que seja preciso encontrar uma alternativa para regularizar a situação dos haitianos que vêm trabalhar em território dominicano.
A Direção Geral de Migração está atualmente a desenvolver várias operações para deportar haitianos indocumentados da província de La Altagracia, a maioria dos quais trabalha na construção de novos projetos hoteleiros.
O Diario Libre consultou diversas partes interessadas no principal polo turístico do país, que concordaram que se deveria encontrar uma forma de regulamentar aqueles que vêm trabalhar na região.
Frank Rainieri, um empreendedor pioneiro no setor de turismo no Oriente e fundador do Grupo Punta Cana, acredita que "poderíamos fazer como nos Estados Unidos, onde existe um visto de trabalho de seis meses".
Ele acredita que estamos longe de atingir a meta de no máximo 20% de estrangeiros e 80% de dominicanos nas empresas, mas precisamos começar a dar os primeiros passos. “A ilegalidade não deve ser tolerada sob nenhuma justificativa; qualquer pessoa sem documentos, em qualquer país do mundo, deve tentar regularizar sua situação”, afirmou Rainieri, segundo o jornal Diario Libre.
Virgilio Cedeño, senador por La Altagracia, acredita que os empregadores desses imigrantes podem fazer a sua parte e que os construtores e produtores agrícolas precisam se organizar e regularizar os trabalhadores.
O legislador afirma que o setor da construção civil sequer atinge a proporção inversa exigida por lei: 20% de dominicanos e 80% de imigrantes. Para aumentar a participação de dominicanos, Cedeño propõe um plano de regularização a longo prazo, com duração mínima de 10 anos.
Outra perspectiva
O presidente da Associação de Hotéis do Leste (Asoleste), Ernesto Veloz, vê as deportações como uma "limpeza" necessária para separar os produtivos dos improdutivos, segundo informações da imprensa.
“O que precisamos fazer é determinar quem trabalha e quem não trabalha, porque não queremos pessoas preguiçosas aqui, mas sim pessoas que se integrem ao sistema produtivo, e essas são necessárias”, explica ele.
Veloz é a favor da melhoria das condições de trabalho para que os dominicanos possam se integrar ao setor da construção civil.
Os entrevistados falaram na cerimônia de inauguração do hotel W Uvero Alto em Punta Cana, que contou com a presença do presidente Luis Abinader na última terça-feira, dia 14 deste mês.
Migração no Leste
A Direção de Imigração tem um interesse particular na deportação de haitianos na região leste, especialmente na província de La Altagracia. Na última quarta-feira, o órgão informou ter detido 354 imigrantes indocumentados naquela província para posterior retorno ao Haiti.
As operações foram realizadas em Bávaro, Mata Mosquito, Cortecito, Villa Pleywood e Friusa (El Hoyo de Friusa), em Verón Cross, La Cristinita, La Piscina, Los Colores e Los Manantiales.
Entre os migrantes sem documentos, havia 345 homens e nove mulheres. As autoridades também apreenderam duas motocicletas cujos condutores não possuíam documentos de identificação; eles foram levados para o Centro de Recepção e Detenção de Haina.
Segundo um comunicado de imprensa do Departamento de Imigração, agentes da Marinha, da Força Aérea e da Polícia Nacional também colaboraram nessas operações.
No seu relatório de Janeiro, o Departamento de Imigração relatou a deportação de 23.545 imigrantes indocumentados, a maioria haitianos. Muitos desses indivíduos vieram de Santiago, Puerto Plata, La Vega, San Pedro de Macorís, La Romana, Punta Cana, Benerito, Los Pilones, Azua, San Juan, Barahona, Pedernales, Dajabón e Elías Piña.
Danos ao turismo
O prefeito de Verón, Punta Cana, Ramón Ramírez (Manolito), criticou o Departamento de Imigração por realizar operações de repatriação em canteiros de obras, citando o potencial prejuízo ao turismo local. Ele também questionou por que os imigrantes são deportados sem que os empregadores que os contratam sejam penalizados. “Eles não deveriam ir diretamente para os canteiros de obras, pois isso impacta negativamente o ambiente turístico”, afirmou. Ele reconheceu relatos de pessoas que supostamente denunciam haitianos após contratá-los e não lhes pagar, mas disse não ter provas.
Com informações do Diario Libre.




