SANTO DOMINGO– Um economista e três associações do setor da construção civil elogiaram ontem a medida adotada pelo Banco Central da República Dominicana, que libera 21,424 bilhões de pesos da reserva legal obrigatória para a construção e aquisição de moradias populares.
“Esta é uma medida muito sábia, pois o setor da construção civil depende da demanda por crédito acessível com condições favoráveis. Liberar esses recursos da exigência legal de reserva significa que a carteira de empréstimos imobiliários se expande, de modo que tudo o que é necessário é que a taxa de juros seja atrativa para estimular a demanda por crédito e facilitar a compra de novas casas, revitalizando assim o setor da construção civil, que, segundo relatórios recentes do Banco Central da República Dominicana (BCRD), registrou uma desaceleração no crescimento de 23,4% em 2021 para apenas 2,1% em 2022”, afirmou o economista Francisco Tavárez.
Para o setor da construção civil dominicano, esta decisão é de extrema importância e chega em boa hora, afirmou Jorge Montalvo, presidente da Acoprovi, Associação de Construtores e Incorporadores Imobiliários, que indicou que ela ocorre após um ano de 2022 marcado por altos preços dos materiais de construção e aumentos nas taxas de juros “resultantes da bem-sucedida política monetária restritiva, necessária para controlar a inflação”.
Eliseo Cristopher, presidente da Copymecon, Confederação de Pequenas e Médias Empresas da Construção Civil, vê a decisão com bons olhos, embora ainda seja cedo para conclusões. Ele entende, porém, que se trata de um primeiro anúncio, que o ano ainda está no início e que a política expansionista do setor da construção civil precisa continuar, por isso aplaude a medida.
A Associação de Incorporadoras e Construtoras da Região de Cibao (APROCOVICI) saúda a resolução emitida pelo Conselho Monetário e pelo Banco Central relativa à exigência de reserva legal para o financiamento de habitações populares. O afrouxamento dessa política é considerado um incentivo significativo para que as instituições financeiras direcionem recursos para o setor estratégico da construção civil, que foi severamente impactado pelos aumentos sem precedentes nos preços das matérias-primas causados pela pandemia.
O economista Tavarez explicou que as razões para a desaceleração no setor da construção civil são bem conhecidas, citando entre elas o aumento das taxas de juros, que encareceu o crédito e afetou a demanda por novos imóveis. “Portanto, essa medida busca conter essa tendência de desaceleração em um subsetor chave da economia para 2023”, afirmou.
Acoprovi explicou que, considerando que 7 em cada 10 casas vendidas no país são financiadas por meio de empréstimos bancários e que a maioria das construtoras utiliza financiamento para construir seus empreendimentos, a resolução do Conselho Monetário abre mais oportunidades para que os dominicanos tenham maior acesso a moradias dignas.
“Portanto, reiteramos nosso compromisso com o país e com as autoridades para continuarmos impulsionando o setor imobiliário e aplaudimos esta nova medida em benefício de todas as famílias que sonham em ter sua própria casa”, destacou o arquiteto Montalvo.
A organização que representa as construtoras em Santo Domingo parabenizou as entidades envolvidas e expressou seu compromisso de continuar ajudando os dominicanos a realizarem juntos o sonho da casa própria.
“Os recursos liberados podem ser utilizados por diversos bancos e associações de poupança e empréstimo para financiamento provisório de construção habitacional, o que contribuirá para a geração de empregos e para a movimentação de atividades comerciais em diferentes setores, acelerando assim esse pilar da economia dominicana”, acrescentou.
Aprokovici
Alejandro Fondeur, presidente da Aprocovici, afirmou que, considerando a recessão global e as dificuldades enfrentadas por construtoras e compradores nos últimos anos, o acesso ao financiamento imobiliário com taxa de juros preferencial de no máximo 9% ajudará a impulsionar a economia, estimular a criação de empregos e reduzir o déficit habitacional, estimado em mais de 1,5 milhão de moradias.
Ele enfatizou que, para resolver efetivamente o déficit habitacional, essa facilidade deve ser ampliada para que a classe média, com maior poder aquisitivo, possa ter acesso a uma oferta imobiliária adequada às suas necessidades e estilo de vida.
“Instamos a que seja avaliada a inclusão de outras classes sociais nesta medida financeira, para que mais dominicanos tenham a oportunidade de possuir a sua própria casa”, afirmou Fondeur.




