SANTO DOMINGO- A engenheira Ashley Morales-Cartagena, diretora executiva do Centro de Pesquisa sobre Resiliência e Riscos Multirriscos (CIRRMA-ONESVIE-PUCMM), compreende que a engenharia civil enfrenta atualmente desafios como as mudanças climáticas, a rápida urbanização e a demanda por infraestrutura resiliente e sustentável.
O presidente da GeoRisk Consulting, com 15 anos de experiência nos setores público, privado, acadêmico e multilateral, acredita que um dos desafios mais prementes na engenharia atual é a plena integração da sustentabilidade em todas as fases: planejamento, projeto e construção, além da digitalização do setor e da adoção de tecnologias avançadas.
Compartilhamos a entrevista realizada com o notável profissional, por ocasião da celebração do "Dia do Engenheiro" no país, em 14 de agosto.

Engenheira Ashley Morales-Cartagena. (Fonte externa).
1. Como você vê a profissão de engenheiro hoje em dia?
A engenharia contemporânea está passando por uma profunda transformação, impulsionada pela necessidade de responder aos desafios globais emergentes e ao constante avanço da tecnologia. A engenharia civil, em particular, está no epicentro dessas transformações, enfrentando desafios como as mudanças climáticas, a rápida urbanização e a demanda por infraestrutura resiliente e sustentável. Nesse contexto, a engenharia não se baseia apenas em conhecimento técnico, mas também requer habilidades em gestão de projetos, inovação tecnológica e uma profunda compreensão da sustentabilidade e da adaptação às mudanças climáticas. Hoje, mais do que nunca, os engenheiros são agentes de mudança, chamados a contribuir com soluções que promovam o desenvolvimento equitativo e sustentável por meio da ciência.
2. Como você vê a nova geração de engenheiros que está entrando no mercado?
A nova geração de engenheiros está entrando no mercado com uma perspectiva global e um firme compromisso com a sustentabilidade e a inovação. Eles estão mais bem preparados tecnologicamente, com uma visão abrangente e holística para a resolução de problemas complexos. No entanto, essa geração também enfrenta desafios significativos, como a necessidade de adquirir experiência prática e a capacidade de adaptação às especificidades dos contextos locais. Seu sucesso dependerá de quão bem eles conseguirem equilibrar a tecnologia com uma compreensão profunda das realidades práticas de seus projetos para a sua execução bem-sucedida.
3. Quais desafios você prevê para a profissão hoje?
Um dos desafios mais prementes da engenharia atual é a plena integração da sustentabilidade em todas as fases: planejamento, projeto e construção. Além disso, a digitalização do setor e a adoção de tecnologias avançadas, como a Modelagem da Informação da Construção (BIM), exigem a constante atualização de habilidades e conhecimentos técnicos. A crescente complexidade e regulamentação dos ambientes de trabalho também representam um desafio, especialmente no que diz respeito à coordenação interdisciplinar necessária para o sucesso do projeto. Nesse contexto, a capacidade de inovação, o aprendizado contínuo e a colaboração eficaz entre diferentes áreas de especialização são fundamentais para superar esses desafios. Da mesma forma, devemos desenvolver soluções economicamente viáveis que nos permitam projetar e construir estruturas que garantam seu desempenho após qualquer evento natural de grande magnitude, como um terremoto ou um furacão.
4. A área de P&D está realizando projetos de engenharia atualizados e competitivos no mercado latino-americano?
A República Dominicana tem alcançado progressos significativos na manutenção de sua competitividade no setor de engenharia, especialmente em áreas-chave como infraestrutura e construção civil. Observamos a participação ativa de grandes empresas nacionais em projetos em países como Panamá e Jamaica. Contudo, sempre há espaço para melhorias, principalmente no que diz respeito à integração de novas tecnologias e à formação contínua de profissionais do setor. A colaboração com organizações multilaterais, bem como com instituições acadêmicas, é crucial para garantir que o país adote e acompanhe as melhores práticas internacionais. É imprescindível continuar fortalecendo essas parcerias para consolidar um setor de engenharia dominicano que não apenas seja competitivo regionalmente, mas também sirva de referência em sustentabilidade, resiliência e inovação.
5. Como é ser uma engenheira? Os desafios são diferentes dos de um homem?
Ser mulher na engenharia apresenta desafios específicos relacionados à igualdade de gênero em uma área historicamente dominada por homens. Engenheiras frequentemente enfrentam sub-representação e a necessidade de comprovar constantemente suas habilidades em um ambiente que pode relutar em reconhecer plenamente seu talento. No entanto, os tempos estão mudando e, hoje, há uma crescente aceitação e valorização das contribuições das mulheres para a engenharia. Essa mudança é encorajadora, mas esforços significativos ainda são necessários para promover a diversidade e a inclusão. Redes de apoio, mentoria e a criação de espaços que fomentem a igualdade são essenciais para superar esses obstáculos e garantir que as engenheiras possam contribuir plenamente para o desenvolvimento do setor.
6. Existe engenharia sustentável no país?
Na República Dominicana, observa-se um crescente interesse e aplicação de práticas de engenharia sustentável. Isso se evidencia no uso de materiais ecologicamente corretos, no projeto de infraestrutura com menor impacto ambiental e na incorporação de estratégias para aumentar a resiliência a desastres. Edifícios com certificações EDGE e LEED demonstram que estamos transformando práticas construtivas tradicionais em práticas sustentáveis, que consideram elementos como energia, água e materiais. Contudo, para que a sustentabilidade se torne a norma e não a exceção, é necessário um comprometimento ainda maior de todos os setores envolvidos. Devemos adotar essas práticas "extraordinárias" como parte do nosso cotidiano. A plena integração da sustentabilidade na engenharia na República Dominicana é fundamental para garantir um desenvolvimento ambientalmente responsável, socialmente justo e economicamente viável a longo prazo.




