A revista The Economist recomenda financiamento agora, a longo prazo e com taxa fixa
Extraído do Diario Libre
SANTO DOMINGO - A recente decisão do Banco Central de aumentar a taxa básica de juros em 50 pontos-base, de 3,00% ao ano para 3,50%, deverá impactar as taxas de juros dos bancos tradicionais, segundo economistas consultados pelo Diario Libre.
“Ao aumentar a taxa básica de juros, o Banco Central está elevando as taxas do mercado financeiro, o que significa que a era dos empréstimos baratos está chegando ao fim”, afirma Rafael Espinal, coordenador dos programas de Economia e Engenharia Financeira do Instituto Tecnológico de Santo Domingo (Intec).
“A partir deste momento, as taxas de juros dos empréstimos voltarão a subir, o que obviamente implica uma diminuição na procura por financiamento nos bancos comerciais”, acrescenta.
Em 16 de março de 2020, o Banco Central decidiu reduzir preventivamente sua taxa básica de juros de 4,50% para 3,50% ao ano, patamar que vinha mantendo desde agosto de 2019. A medida foi tomada "em vista do aumento significativo da incerteza global associada ao impacto econômico do coronavírus".
Em agosto de 2020, reduziu a taxa de 3,50% para 3,00%. Agora, em novembro de 2021, decidiu elevá-la novamente para 3,50%. O banco informou que a decisão se baseia em “uma avaliação abrangente do impacto da COVID-19 na produção global e no aumento das pressões inflacionárias externas”.
Espinal indica que o novo aumento é um sinal de que o banco está tentando conter os efeitos da inflação, ou seja, o aumento dos preços, devido à quantidade de dinheiro que foi colocada em circulação no ano passado para acelerar a recuperação econômica.
“Faz parte de um ciclo econômico”, diz Espinal. “À medida que a economia se recupera, o banco está retornando ao que chamamos de política restritiva, ou seja, uma política de taxas de juros mais altas para impedir o fluxo de dinheiro, ou melhor, a quantidade de dinheiro que sai dos bancos comerciais para as empresas por meio de empréstimos e para os indivíduos.”.
Miguel Collado, vice-presidente executivo do Centro Regional de Estratégias Econômicas Sustentáveis (Crees), observa um ciclo de normalização com a decisão do banco, que está em consonância com as decisões internacionais.
“Os bancos centrais estão começando a corrigir, o FED (Federal Reserve dos EUA) também (...), e o Banco Central da República Dominicana seguiu, consequentemente, essa política que já está começando”, diz ele.
Diante desse cenário, Espinal recomenda garantir o financiamento agora, com um empréstimo de longo prazo e taxa fixa, antes que a tendência de alta das taxas de juros se intensifique. Ele estima que o aumento será mais perceptível a partir do segundo trimestre do próximo ano.




