Página inicialInmo-globalApós dois anos de suspensão, a República Dominicana retoma os voos com a Venezuela

Após dois anos de suspensão, a República Dominicana retoma os voos com a Venezuela

SANTO DOMINGO – Após quase dois anos de suspensão, a conectividade aérea entre a República Dominicana e a Venezuela começa a se normalizar. O Conselho de Aviação Civil aprovou a retomada das operações de transporte de passageiros, carga e correspondência em 2 de fevereiro, por meio da Resolução 24-26, no âmbito dos acordos firmados entre os dois governos.

As operações estavam suspensas desde 29 de julho de 2024, quando o governo venezuelano ordenou o fechamento de voos comerciais de e para o território dominicano. Essa decisão reativa um canal de mobilidade que havia sido interrompido durante um dos períodos de maior tensão diplomática e política entre Caracas e diversos países da região.

O que está sendo reativado e quem está retomando as operações?

Nos termos do acordo aprovado pelo JAC), as companhias aéreas venezuelanas Rutas Aéreas de Venezuela (RAV), RUTACA, LASER Airlines, Turpial Airlines e Avior Airlines retomarão suas operações. Do lado dominicano, as rotas para a Venezuela serão operadas pela Red Air e Sky High Aviation Dominicana. A decisão abrange não apenas voos comerciais de passageiros, mas também operações de carga e correio, um ponto significativo em termos de logística, comércio e relações comerciais. O JAC indicou que a reabertura será realizada sob critérios de ordem, segurança e cumprimento dos acordos bilaterais, em coordenação com o Poder Executivo.

O contexto político que envolve a reabertura

A retomada dos voos não ocorre isoladamente. Ela acontece em meio a um realinhamento político e geopolítico que colocou a Venezuela novamente no centro da agenda regional. Em janeiro de 2016, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a captura de Nicolás Maduro, um evento que marcou um ponto de virada na relação entre Caracas e Washington e inaugurou uma nova fase de pressão política e econômica sobre o país sul-americano.

A partir desse momento, os Estados Unidos reforçaram seu controle sobre a logística de petróleo venezuelana, incluindo apreensões de navios-tanque e bloqueios temporários de exportação, ao mesmo tempo em que começaram a redefinir o sistema internacional de licenciamento e supervisão do petróleo bruto venezuelano.

Petróleo e investimento: a vertente econômica do painel de controle

Paralelamente ao endurecimento político, a Venezuela tem dado claros sinais de abertura econômica seletiva, especialmente no setor energético. No início deste ano, o governo venezuelano, sob a liderança operacional de Delcy Rodríguez, promoveu reformas legais para atrair investimentos privados no setor petrolífero, flexibilizando os regimes de participação, ajustando impostos e viabilizando mecanismos de arbitragem internacional.

Como resultado, as exportações de petróleo bruto da Venezuela se recuperaram acentuadamente. Somente em janeiro, os embarques ultrapassaram 800.000 barris por dia, em comparação com menos de 500.000 barris por dia registrados no final de 2015, com um aumento significativo nos embarques para os Estados Unidos sob os novos regimes de controle.

Essa mudança recolocou a Venezuela no radar dos investidores de energia, não como um mercado totalmente aberto, mas como um território em transição, onde o investimento ocorre sob regras mais rígidas, porém com incentivos claros em um contexto de preços e demanda internacionais.

Uma reabertura que responde à realidade econômica

A retomada dos voos entre a República Dominicana e a Venezuela se encaixa nesse contexto mais amplo. As viagens aéreas permitem que famílias se reúnam novamente, que o comércio e as atividades comerciais que estavam paralisadas sejam retomados e que os acordos energéticos continuem, mantendo o relacionamento da Venezuela com os Estados Unidos e o Caribe.

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Juan David Botero Salcedo
Juan David Botero Salcedo
Jornalista e editora com mais de sete anos de experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo para veículos de comunicação especializados em negócios, economia e cultura. Ela liderou projetos editoriais na Colômbia e na República Dominicana e colaborou em iniciativas de conteúdo sobre negócios e sustentabilidade. Pensamento crítico, clareza editorial e criatividade são suas marcas registradas.
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