Construção começa além das barreiras: Arquiteto defende acessibilidade em...

Além das barreiras: Arquiteto defende que a acessibilidade seja incluída em edifícios

Por Pedro Ardón

El Inmobiliario

SANTO DOMINGO – Num mundo onde a inclusão é cada vez mais vista como uma necessidade social, a arquitetura acessível está se tornando um nicho crescente, desempenhando um papel essencial.

Em entrevista ao El Inmobiliario, Adis Ozuna, especialista em design para todos, aprofundou-se nos avanços, desafios e importância da acessibilidade universal na construção de espaços para pessoas com deficiência na República Dominicana.

Adis Ozuna, arquiteta com sólida formação acadêmica, incluindo bacharelado em Arquitetura, mestrado em Design Arquitetônico e especialização em Acessibilidade Universal, compartilhou sua história de como a acessibilidade universal se tornou sua paixão.

Desde o início da pesquisa para sua dissertação de mestrado, ela percebeu que a República Dominicana era um dos países mais atrasados ​​da região em termos de acessibilidade. Essa realidade a motivou a se especializar e a fazer do design inclusivo a força motriz de sua carreira.

Adis Ozuna. (FONTE EXTERNA).

“A acessibilidade universal não é apenas uma exigência técnica, mas um compromisso ético com a inclusão de pessoas com deficiência. Barreiras arquitetônicas, assim como barreiras de comunicação e tecnológicas, limitam a mobilidade, a independência e a dignidade das pessoas”, afirmou Ozuna.

Em sua explicação sobre o conceito de “acessibilidade” no design arquitetônico, a especialista destacou que ele envolve a criação de espaços que possam ser utilizados por todas as pessoas, independentemente de suas capacidades. Não se limita à eliminação de barreiras arquitetônicas, mas também inclui elementos como contraste de cores para pessoas com baixa visão ou a inclusão de sinalização adequada para pessoas surdas.

“A acessibilidade universal busca garantir que qualquer espaço, de edifícios a serviços, seja acessível a todos, sem exceção. Essa abordagem não só melhora a qualidade de vida das pessoas com deficiência, como também enriquece toda a sociedade”, acrescentou o arquiteto.

Um dos maiores desafios no caminho para a arquitetura acessível é a falta de conhecimento técnico sobre as normas e princípios que regem o design inclusivo. Ozuna destacou que, frequentemente, mesmo ao aplicar os manuais regulamentares, erros são cometidos na implementação, tornando certos elementos de acessibilidade em edifícios ineficazes.

“Não se trata de orçamento; a acessibilidade não aumenta os custos de construção. O que realmente falta é uma compreensão profunda do que significa projetar para todos. Muitos acreditam que simplesmente aplicar uma lista de requisitos é suficiente, mas a acessibilidade deve ser uma prática contínua, integrada em todo o processo de projeto e construção”, afirmou.

Transformando o dia a dia

De acordo com a especialista, a arquitetura acessível pode mudar radicalmente a vida das pessoas com deficiência, proporcionando-lhes a independência necessária para participar ativamente na comunidade. Ela citou uma de suas frases: “A inclusão é o objetivo e a acessibilidade é o caminho”, enfatizando que o trabalho dos arquitetos é garantir que a acessibilidade se torne uma realidade que facilite a inclusão social.

Parque inclusivo

Um dos projetos mais significativos liderados por Adis Ozuna é o primeiro parque inclusivo da República Dominicana, desenvolvido para a Fundação Nido para Ángeles, que trabalha com crianças com paralisia cerebral. Este parque permitiu que as crianças desfrutassem de atividades recreativas adaptadas às suas necessidades, o que teve um impacto significativo em seu desenvolvimento.

A designer vislumbra um futuro onde a acessibilidade seja parte integrante de cada projeto desde os seus estágios iniciais. Em vez de ser um complemento ou uma exigência legal, a acessibilidade deve ser considerada um componente fundamental do design. Para alcançar esse objetivo, ela propõe a integração da acessibilidade nos currículos de arquitetura e a promoção de regulamentações mais rigorosas que incentivem projetos acessíveis.

Não é uma despesa

Em suas recomendações a desenvolvedores, governos e comunidades, Ozuna enfatizou que a acessibilidade não deve ser vista como uma despesa, mas como um investimento a longo prazo. Ele também destacou a importância de envolver pessoas com deficiência no planejamento e projeto de espaços, garantindo que esses espaços sejam verdadeiramente funcionais e úteis.

O arquiteto sugeriu que as políticas públicas reforcem o monitoramento do cumprimento das normas de acessibilidade e ofereçam incentivos para projetos que promovam a inclusão social.

Em direção a uma cidade mais inclusiva

Com o envelhecimento da população e o aumento previsto do número de pessoas com deficiência nos próximos anos, a acessibilidade universal torna-se mais importante do que nunca. Estima-se que, até 2050, mais de 20% da população será composta por idosos, o que torna ainda mais urgente a necessidade de projetar espaços inclusivos.

Adis Ozuna concluiu com um apelo à ação: “A acessibilidade é um direito, não uma opção. É essencial que todos os setores se comprometam com esse princípio, porque todos nós somos usuários dos espaços e todos temos o direito de viver em um ambiente acessível.”.

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