SANTO DOMINGO – O advogado imobiliário Luis Alberto Collado Báez afirmou que não considera viável a aprovação do projeto de Lei Geral sobre Aluguéis de Imóveis e Despejos, recentemente aprovado em primeira leitura na Câmara dos Deputados.
“Não creio que será aprovado. A essência seria assimilar as disposições da Lei de Execuções à área de aluguéis, a menos que o despejo seja baseado em documentos falsificados”, afirmou Collado em entrevista ao El Inmobiliario, referindo-se ao artigo que propõe penas de prisão de três a cinco anos para proprietários que despejarem indevidamente seus inquilinos.
Em relação à proposta de criação de um tribunal especializado em questões de aluguel, o advogado afirmou que "não é algo significativo, visto que já existe um tribunal para esses fins, citando o Juizado de Paz e o Tribunal de Primeira Instância".
Ele acrescentou que não acredita que uma jurisdição especializada facilitaria o processo, como alguns setores defendem. “O Juizado de Paz é um dos tribunais com menor volume de processos. O projeto de lei prevê despejos acelerados e diversas medidas coercitivas contra inquilinos inadimplentes. Se este e outros aspectos forem aprovados, serão favoráveis ao proprietário. Mas uma jurisdição especializada não acrescenta nada”, salientou.
Em relação à proposta de emenda que exigiria que os corretores de imóveis fossem pagos pelo cliente, Collado acredita que essa disposição não alteraria as práticas atuais. "Não acho que terá qualquer impacto na corretagem de imóveis, já que, em última análise, o corretor receberá sua comissão do proprietário do imóvel", afirmou.
O advogado também questionou a base jurídica do projeto de lei. "Pelo que vi, o objetivo é reverter decisões do Tribunal Constitucional que já consideraram certos critérios inconstitucionais... Restringir os direitos dos proprietários não é possível por meio de legislação", alertou.
Embora tenha reconhecido que alguns aspectos do projeto poderiam oferecer vantagens aos proprietários de imóveis — como despejos mais rápidos e maior agilidade na execução de sentenças em casos de inadimplência —, Collado Báez insistiu que a proposta não seria aprovada pelo Congresso. "O Supremo Tribunal Federal manteria o status quo", concluiu.
O projeto de Lei Geral sobre Aluguéis e Despejos de Imóveis foi aprovado em primeira leitura pela Câmara dos Deputados na quarta-feira, 25 de junho. A iniciativa legislativa passará agora por uma segunda leitura na Câmara dos Deputados antes de ser encaminhada ao Senado.
Seu autor, Alfredo Pacheco, presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que o instrumento legislativo será apresentado em audiências públicas, para reunir as opiniões de todos os setores envolvidos.




