Segundo o relatório de novembro de 2025 da Global Property Guide, apesar da desaceleração no setor da construção civil, o país é o segundo mercado de crescimento mais rápido em preços residenciais em toda a região.
SANTO DOMINGO – A República Dominicana encerrará 2025liderando o mercado imobiliário da América Latina, com uma variação nominal anual de +10,64%, ficando atrás apenas da Costa Rica, que registrou 11,86%, segundo o relatório Global Property Guide (GPG) atualizado em novembro.
Segundo a GPG, uma plataforma independente especializada em análises comparativas de mercados imobiliários, com sede em Londres, o país figura como o segundo mercado imobiliário com o crescimento mais rápido em toda a América Latina, ultrapassando Chile, México, Brasil, Argentina e Colômbia, que não conseguiram acompanhar o ritmo dominicano.
Essa realidade contrasta com a atividade do setor da construção civil, que atravessa um de seus piores momentos em cinco anos, gerando um desequilíbrio que, embora pareça paradoxal, expõe tensões estruturais do mercado imobiliário dominicano: uma demanda robusta versus uma oferta limitada, uma reavaliação acelerada e um ambiente macroeconômico que desacelerou a produção de novas moradias.
Ainda assim, o aumento anual de 10,64% relatado pelo Global Property Guide coloca a República Dominicana entre os mercados com maior valorização na região.
O fato de a República Dominicana ocupar o segundo lugar no ranking latino-americano significa que, no último ano, seu mercado imobiliário residencial apresentou maior crescimento nominal entre os países analisados pela GPG, o que reforça a ideia de que o país não só mantém o dinamismo, como cresce mais rapidamente no setor do que muitos vizinhos, chegando a superar a maioria das maiores economias da região, em um momento global marcado por altas taxas de juros, custos crescentes e moderação do crédito.
O resultado é notável: o país se tornou um dos mercados residenciais mais atraentes para investimento na América Latina.
Zero mata zero
O Banco Central da República Dominicana informou que o valor adicionado do setor da construção civil caiu2,3% no primeiro semestre de 2025 e1,2% no primeiro trimestre. Mesmo com uma leve recuperação de 3,8% no primeiro semestre, a atividade permanece muito aquém dos níveis de expansão dos anos anteriores.
Então, como é possível que os preços continuem subindo? A explicação é clara: menos construção = menos oferta nova.
A contração dos projetos de construção restringe o estoque disponível e, em um mercado onde a demanda interna persiste, a demanda externa cresce e a habitação permanece um ativo seguro, os preços reagem para cima. Esse fenômeno torna o país um cenário muito atraente para investidores e, ao mesmo tempo, representa um desafio para a acessibilidade local: a oferta não cresce na mesma proporção que os preços.
O aumento de valor pode ser atribuído, em grande parte, à oferta limitada: com menos projetos de construção em andamento, a disponibilidade de moradias diminui, elevando seu valor.
A procura por habitação (para compra ou investimento) poderá manter-se elevada, impulsionada por fatores como remessas de dinheiro, investimento estrangeiro, o regresso de dominicanos do estrangeiro e o interesse dos investidores.
Mas a queda na construção civil sugere que esse interesse não está se traduzindo em nova oferta, talvez devido ao alto custo dos materiais, às altas taxas de juros, à incerteza econômica global ou a uma estratégia de cautela por parte das construtoras.
A médio prazo, essa falta de oferta pode agravar a crise de habitação acessível: baixa oferta, preços inflacionados, um mercado voltado para o segmento médio-alto ou alto, com pouco espaço para moradias de baixo custo.
A República Dominicana está entre as melhores do continente
A tabela a seguir resume a posição do país no ranking regional mais recente do GPG. Os valores correspondem à atualização publicada em novembro de 2025.
Ranking dos preços residenciais na América Latina
| Posição regional | País | Variação nominal de 1 ano (GPG) |
| 1 | Costa Rica | +11.86 % |
| 2 | República Dominicana | +10.64 % |
| 3 | Pimenta | + 8.99 % |
| 4 | México | + 8.73 % |
| 5 | Argentina | + 5.26 % |
| 6 | Brasil | + 5.20 % |
| 7 | Colômbia | + 3.90 % |
| 8 | Uruguai | + 3.77 % |
| 9 | Peru | + 2.23 % |
| 10 | Panamá | + 1.30 % |
Fonte: Global Property Guide, atualizado em novembro de 2025.
Impacto no investimento e na confiança
Esta é uma notícia positiva para o mercado imobiliário, que vislumbra em 2025 um país que, apesar de enfrentar uma desaceleração na construção civil, está se fortalecendo e liderando a região, atraindo capital e se consolidando como um destino preferencial para investimentos residenciais.
A atualização do GPG confirma que a República Dominicana está em uma posição privilegiada, e essa é uma mensagem poderosa tanto para investidores locais quanto internacionais.
Para investidores imobiliários, a perspectiva é atraente: a valorização e a escassez de oferta se combinam para criar um mercado competitivo – comprar agora pode significar ganhos consideráveis a médio prazo.
Mas, para o país como um todo, a divergência entre preços e produção é um alerta: sem uma reativação sustentada da construção civil e políticas que incentivem a habitação acessível, o mercado corre o risco de se tornar cada vez mais inacessível para grande parte da população, especialmente a classe média, e o déficit habitacional, frequentemente medido em milhões de casas, poderá aumentar.
Uma oportunidade para investidores, um desafio para o patrimônio imobiliário. Esse contraste merece atenção especial, pois representa uma das mudanças mais significativas na história recente do mercado imobiliário dominicano.
Fonte: Global Property Guide. (2025). das casas em 1 ano (nominal) na República Dominicana em comparação com a América Latina. Variação do preço https://www.globalpropertyguide.com/latin-america/dominican-republic/price-change-1-year
O Global Property Guide (GPG) é uma plataforma independente sediada em Londres, especializada em análises comparativas de mercados imobiliários e que produz um dos índices mais consultados por investidores internacionais.
Sua metodologia combina dados oficiais, estudos privados e séries históricas próprias, o que permite uma avaliação homogênea da evolução dos preços residenciais em mais de 150 países.




