O Guia Global da Construção 2024 utiliza um conjunto exclusivo de "listas dos melhores" compiladas pela equipe editorial do Grupo KHL em setores como construção, locação, guindastes, acesso e demolição e reciclagem, reunindo-as em um só lugar.
O que essas listas revelam sobre o estado do mercado global da construção civil no último ano?
O que mais se destaca são duas tendências macroeconômicas: um desempenho surpreendentemente forte do mercado de construção dos EUA, em comparação com um setor enfraquecido na China, que continua a lidar com uma prolongada crise imobiliária.
A Lei CHIPS, que visa catalisar a indústria de semicondutores nos EUA, levou a uma abundância de projetos de construção industrial, enquanto a abrangente Lei de Infraestrutura Bipartidária de US$ 1,2 trilhão, aprovada há dois anos, impulsionou projetos de infraestrutura em todo o país, mesmo com taxas de juros mais altas e demanda por construção residencial em declínio.
Entretanto, a China tem enfrentado uma crise imobiliária, marcada pelo colapso do grupo Evergrande, fortemente endividado, cujas consequências sufocaram a demanda por construção. Isso ocorre num momento em que a China reduziu o escopo de sua Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), que já dura 10 anos, à medida que começa a mudar o foco de grandes investimentos em projetos de infraestrutura física, que beneficiavam empreiteiras e fabricantes de equipamentos originais chineses, para projetos “pequenos e belos”, com baixo investimento e alto retorno.
As listas dos mais bem classificados ilustram a força dos Estados Unidos e a luta da China
O ranking ICON200 do Conselho Internacional da Construção (ICC), que lista as 200 maiores empresas de construção do mundo, é um indicador defasado, pois classifica as empresas com base na receita anual. Portanto, a lista de 2023 se baseia no ano fiscal de 2022/23 das empresas, mas ainda pode ser um bom indicador da direção que o setor está tomando.
Embora cinco empresas chinesas ainda dominem os primeiros lugares, lideradas pela China State Construction and Engineering Company (CSCEC) com vendas de US$ 303,4 bilhões, a proporção da receita das 200 maiores empresas representada por empresas chinesas permaneceu estável em 44%.

Participação na receita das 200 maiores empresas de construção do ranking ICON 200 por país (Fonte: ICON 200/KHL Group).
Por outro lado, as empresas americanas aumentaram sua participação na receita de 12,5% em 2022 para 13,7% em 2023, e das 33 empresas americanas na lista, 21 subiram no ranking, enquanto três permaneceram iguais e apenas nove caíram.
Entretanto, a Yellow Table de 2023, que classifica os 50 maiores fabricantes mundiais de equipamentos originais para construção e também consta no Guia Global de Construção de 2024, apresentou um panorama semelhante.
A receita gerada pelas empresas asiáticas na Tabela Amarela caiu de mais da metade do total em 2022 (50,2%) para 44,8% em 2023. O principal motivo foi o declínio do mercado chinês. Os principais fabricantes chineses de equipamentos originais (OEMs) listados sofreram uma queda coletiva em sua participação na receita.
A lista IRN100 das principais empresas de locação do mundo também destacou uma disparidade no crescimento entre a América do Norte e a maior parte do resto do mundo.
Os dados compilados a partir da tabela, que classifica as empresas de locação por receita anual, mostraram um crescimento médio de 14,9% para empresas nos EUA e Canadá, em comparação com 4% em outros lugares, com exceção da China. As três maiores empresas (United Rentals, Sunbelt e Herc) operam total ou principalmente nessa região.
As empresas chinesas continuaram a expandir-se a um ritmo acelerado, mas a análise do IRN100 também observou um arrefecimento na região.
O mercado chinês ainda é enorme... mas já não é o motor de crescimento que já foi
De acordo com a análise incluída no Guia Global da Construção, a China continuará a exercer uma enorme influência no setor global da construção civil
Prevê-se que, até 2037, a China se torne o maior mercado de construção do mundo, com uma participação de 31%, em comparação com 13% dos EUA e 7% da Índia. No entanto, o ritmo de crescimento dos empregos na construção civil na China deverá diminuir nos próximos 15 anos, à medida que sua população começa a declinar, segundo economistas da Oxford Economics.

Crescimento de 2022 a 2037 nas regiões de construção globais (obras concluídas em 2022 e preços em dólares). [Fonte: Oxford Economics/Haver Analytics]
Ainda se prevê um crescimento significativo. O governo planeja construir 200.000 quilômetros de ferrovias, 460.000 quilômetros de rodovias e 25.000 hidrovias de grande porte até 2035, de acordo com o relatório Global Construction Futures da Oxford Economics. Mas outras regiões provavelmente superarão esse ritmo.
Os economistas também preveem que a "Ásia emergente" terá uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 3,3% entre 2022 e 2037 (com base no trabalho realizado a preços de 2022), o que é superior a qualquer outra região.
Embora a expressão “Ásia emergente” inclua a China, ela também engloba a Índia, a Indonésia, a Malásia, as Filipinas, a Tailândia e o Vietnã.
E é na Índia que o maior crescimento da construção civil poderá ocorrer nos próximos 15 anos, segundo a Oxford Economics. Eles preveem que o crescimento naquele país superará o dos Estados Unidos, à medida que o país mais populoso do mundo se torna uma potência global da construção civil, movimentando quase um trilhão de dólares.
Fonte: https://www.construccionlatinoamericana.com/




