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A ONIC considera o aumento do preço do cimento "abusivo", pois nada o justifica

SANTO DOMINGO - Três aumentos no mesmo ano, que somam entre 20 e 25% no preço de um produto, são "abusivos", afirma Melchor Alcántara, coordenador do Observatório Nacional da Indústria da Construção (ONIC), referindo-se ao aumento registrado na semana passada no preço do cimento.

“Os preços subiram em janeiro e novamente em junho, então um aumento de 20% ou 25% em um ano é excessivo. Isso certamente está afetando o setor da construção civil, porque os preços das moradias populares vão disparar”, disse o economista.

O empresário da construção civil também afirmou esperar que a Pro Consumidor atue com o mesmo entusiasmo demonstrado em relação aos contratos de aumento de preços imobiliários, "que auxilie as empresas de cimento, fazendo com que justifiquem esses preços e encontrem uma maneira de estabilizá-los", após assegurar que "na realidade, tudo isso representará um aumento significativo na valorização imobiliária, que já apresenta uma alta que, em minha opinião, não pode suportar por muito mais tempo".

Alcántara argumentou que não há razão visível para justificar o aumento do preço do cimento e que, pelo contrário, todos os seus insumos estão diminuindo, citando o caso dos combustíveis e do frete marítimo.

"A única razão possível seria o aumento dos custos de combustível para a fabricação de cimento, carvão mineral ou coque, que é a fonte de energia para alimentar os fornos que aquecem a matéria-prima para produzir clínquer, e no último aumento de preço, nos deram a explicação de que esse produto havia sido a causa do aumento do preço do cimento.".  

Ele acrescenta que “agora todas as commodities estão apresentando uma tendência de queda e, ao mesmo tempo, o transporte de carga marítima, que também era uma questão importante naquela época, está mostrando uma tendência de colapso, com preços que chegaram a cair abaixo das mínimas de 2019”.

Alcántara explica que também não se verifica um aumento na procura de cimento, argumentando que o sistema de fixação de preços destes produtos no mercado nacional deve ser revisto, dado que o cimento, em particular, é comercializado por seis empresas e que tem vindo a apresentar um aumento sistemático desde a fase pós-pandemia.

Ele entende que houve momentos em que havia justificativas aparentes, "mas agora vemos que não é o caso, não houve desvalorização, nem aumento da demanda, houve um colapso nos preços das commodities, no frete marítimo, o petróleo está sendo vendido 50 pesos abaixo do preço de seis meses atrás, então realmente não se justifica.".

Ele considera preocupante que as seis empresas de cimento que operam no país unifiquem os preços, independentemente da qualidade e das condições de produção, o que, segundo ele, "é um mau indicador, porque obviamente demonstra que existem acordos para fixar preços em conjunto, que são assumidos, e ninguém intervém nesse sentido; esses preços são impostos, mesmo sem qualquer justificativa aparente", afirmou o coordenador da ONIC.

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