A localização continua sendo um fator determinante. No entanto, o verdadeiro valor de um ativo imobiliário não depende mais apenas de onde ele está localizado, mas de sua capacidade de evoluir juntamente com os negócios, a tecnologia e as novas dinâmicas de mercado.
Algumas semanas atrás, durante uma reunião com uma multinacional, a conversa tomou um rumo diferente do que acontecia nos anos anteriores. Ninguém perguntou de início sobre o preço do aluguel, a altura do pé-direito ou o número de vagas de estacionamento. A primeira pergunta foi muito mais reveladora:
"Será que este edifício conseguirá continuar a crescer connosco daqui a dez anos?" Nesse momento, confirmei algo que tenho observado há algum tempo: o mercado imobiliário corporativo está a mudar a forma como toma decisões. Durante décadas, aprendemos que o sucesso de um imóvel dependia de uma regra aparentemente imutável: localização, localização e localização.
E isso continua sendo verdade. Mas, depois de mais de doze anos assessorando empresas multinacionais, investidores e incorporadoras, estou convencido de que essa fórmula precisa evoluir. Hoje, a verdadeira vantagem competitiva não se resume a estar bem localizado. Trata-se de desenvolver ativos que se mantenham relevantes quando o mercado se transformar novamente.
Os edifícios mudam mais lentamente do que as empresas
As organizações estão evoluindo em um ritmo sem precedentes. Elas estão incorporando inteligência artificial, automatizando processos, redefinindo a experiência do funcionário, otimizando espaços e adaptando continuamente suas operações. Os edifícios, por outro lado, permanecerão por trinta, quarenta ou até cinquenta anos.
Por isso, existe um risco que muitas vezes passa despercebido: projetar edifícios para atender apenas às necessidades atuais, quando deveriam estar preparados para as demandas da próxima década. A verdadeira obsolescência não começa mais com o envelhecimento físico de um edifício. Ela começa quando ele deixa de atender às necessidades de seus ocupantes.
A flexibilidade protege o valor do investimento
Em cidades como Londres, Singapura, Dallas e Amsterdã, a discussão deixou de se concentrar simplesmente na construção de edifícios modernos. Hoje, o objetivo é desenvolver ativos capazes de evoluir ao longo do tempo.
Espaços flexíveis.
Infraestrutura tecnológica preparada para as demandas futuras.
Maior eficiência energética.
Capacidade de expansão.
Plantas que conseguem se adaptar a diferentes modelos de negócio.
Essas decisões não são mais meramente arquitetônicas. São decisões estratégicas que protegem o valor do ativo ao longo de todo o seu ciclo de vida.
A República Dominicana tem uma oportunidade extraordinária. O crescimento do investimento estrangeiro, o fortalecimento do setor de logística e a chegada de novas empresas internacionais estão elevando o padrão do mercado.
Se quisermos competir com os principais mercados da região, precisamos começar a desenvolver imóveis preparados para o futuro e não apenas para a demanda atual.
O que está mudando nas mesas de negociação?
Em minhas conversas com clientes, tenho observado uma evolução muito interessante. Ouço cada vez menos perguntas sobre qual prédio é o mais novo e muito mais perguntas sobre qual prédio melhor atenderá ao crescimento de sua organização.
Eles querem saber se podem expandir sem interromper suas operações.
Se o edifício será capaz de incorporar novas tecnologias.
Isso manterá os custos operacionais eficientes.
Isso proporcionará uma experiência melhor para atrair e reter talentos.
E, sobretudo, se conseguirá manter a sua competitividade daqui a dez ou quinze anos.
Essa mudança demonstra que o mercado imobiliário também está amadurecendo. Quando um mercado amadurece, os critérios de investimento mudam. Não se trata mais apenas de adquirir um imóvel. Os investimentos são feitos na capacidade do ativo de continuar gerando valor em um ambiente em constante evolução.
A localização continuará sendo um fator crucial. Mas estou convencido de que a verdadeira vantagem competitiva pertencerá aos ativos que conseguirem se adaptar mais rapidamente do que os outros. Porque o melhor edifício do futuro não será necessariamente o mais bem localizado. Será aquele que nunca se tornar obsoleto.
Questão estratégica
Se você fosse desenvolver seu projeto imobiliário novamente hoje, com todo o conhecimento que possui do mercado atual, ele ainda seria competitivo daqui a quinze anos?
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